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A ASSEMBLÉIA
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A IGREJA NOS CAMINHOS DE DEUS

(Efésios 2:11-22)

Na primeira parte da Epístola aos Efésios (1:1-2:1-10), a Igreja é apresentada com relação a Cristo na glória, segundo os conselhos de Deus. Isso permite que a contemplemos agora sob um aspecto bem diferente: a sua formação e o seu testemunho na terra segundo os caminhos de Deus. 

Há uma grande diferença entre os conselhos divinos referentes à glória e os caminhos de Deus que se desenrolam na terra. Essa distinção nos permite ver que, segundo o eterno propó­sito de Deus, a Igreja não só tem um glorioso destino no céu, no tocante à sua união com Cristo, como também subsiste na terra, exercendo aqui um papel importante nos planos de Deus. É esse aspecto da Igreja que Efésios 2: 11-22 nos apresenta.

Para que possamos com­preender essa característica da Igreja, o apóstolo recorda a distinta posição ocupada por Israel nos tempos anteriores à cruz, quando havia nítida diferenciação entre o judeu e o gentio. O judeu desfrutava um lugar privilegiado nos planos de Deus para a humanidade, enquanto o gentio estava alienado. Israel era o povo que detinha as promessas e esperanças terrenas. a relacio­namento entre Deus e os judeus era regulado por coisas aparentes e palpáveis. A adoração religiosa, a organização política, as necessidades diárias, as obrigações domésticas, tudo, do mais elevado ato de adoração ao mais insignificante detalhe da vida, era regulado por ordenanças divinas. Tratava-se de um imenso privilégio do qual os gentios não tinham parte alguma. Não que os judeus fossem de alguma forma melhores que os gentios. Aos olhos do Senhor, os judeus, na grande maioria, eram tão maus quanto os gentios - e alguns eram ainda piores. E também havia gentios verdadei­ramente convertidos, como Jó, por exemplo. Mas, ao traçar seus planos para a terra, Deus separou Israel dos gentios, concedendo-lhe especial privi­légio. Porque, embora nem todos os judeus fossem convertidos (o que era o caso da grande maioria), constituía uma imensa honra ter todas as coisas reguladas segundo a perfeita sabedoria de Deus. Os gentios não ocupavam tal posição no mundo. Não desfrutavam nenhum reconhecimento público da parte de Deus. Os seus negócios e obrigações não eram regulados pelas ordenanças divinas. E as mesmas ordenanças que regulavam a vida de Israel mantinham o judeu e o gentio rigorosamente separados.

Assim, o judeu encontrou no mundo um lugar de proximidade com Deus, segundo o aspecto exterior, enquanto o gentio estava aparentemente muito distante, sem ligação reconhecida com Deus.

Mas Israel fracassou comple­tamente em corresponder aos seus privilégios. Eles abando­naram ao Senhor e voltaram-se para os ídolos. Os mandamentos e as ordenanças de Deus, que lhes outorgavam aquela posição ímpar, foram inteiramente desprezados. Por fim, crucifi­caram o Messias e resistiram ao Espírito Santo. E, como resultado, perderam, quanto ao tempo presente, a sua privile­giada condição sobre a terra, foram despojados de seu território e acabaram dispersos entre as nações.

Dessa forma, com Israel colocado de lado, preparou-se o terreno para a maravilhosa mudança nos planos de Deus quanto a este mundo. Nos versículos 11 e 12, o Espírito de Deus nos permite contemplar um quadro nítido do passado, tornando o contraste mais surpreendente, pois, na seqüência dos fatos após a rejeição de Israel, Deus, segundo os Seus propósitos, trouxe a Igreja a lume, estabelecendo dessa forma uma esfera de bênçãos totalmente nova e à parte dos círculos do judeu e do gentio.

Essa nova ordem estabelecida foi ensejo para que a graça de Deus passasse a fluir de maneira especial para o gentio. O chamado agora seria dirigido ao gentio. Não que o judeu estivesse excluído do novo círculo de bênçãos, pois, como veremos, a Igreja é formada de crentes judeus e gentios. Mas, se o plano era introduzir o gentio nos inestimáveis privilégios e nas bênçãos dessa nova esfera - se teria parte na Igreja -, isso deveria estar fundamentado sobre uma base justa. É por isso que logo se menciona a cruz (v. 13).

A cruz já fora mencionada no capítulo 1, em conexão com o cumprimento dos desígnios de Deus. Aqui, no capítulo 2, a alusão à cruz está associada aos planos de Deus para a humanidade. Pelo sangue de Cristo, os pecadores gentios foram trazidos do lugar distante onde o pecado os havia colocado para perto de Deus. E não se trata de proximidade meramente exterior, mediante ordenanças e cerimônias, mas de uma aproximação vital só plenamente expressa no próprio Cristo ressurreto dentre os mortos, que comparece diante da face de Deus para interceder a nosso favor.

"Em Cristo Jesus [...] fostes aproximados pelo sangue de Cristo" - os nossos pecados nos distanciaram muito de Deus, mas o precioso sangue de Jesus não apenas nos purifica. Ele faz infinitamente mais: aproxima­-nos de Deus. O sangue de Cristo revela a imensa dimensão do pecado, que requereu tal preço, proclama a santidade de Deus, que não se satisfaria com nada menos, e revela o amor infinito capaz de pagar o preço.

Mas isso, por mais necessário que seja para a formação da Igreja, não é o que em si a constitui. A Igreja não é simples­mente um número de pessoas "aproximadas", pois o mesmo se pode dizer dos santos remidos com sangue em todas as épocas. Algo mais é necessário. Além de "aproximados", os crentes judeus e gentios precisavam "ambos ser feitos um" (v. 14). Isso a cruz de Cristo também realizou. Nela, Jesus derrubou a parede de separação entre o judeu e o gentio.

A inimizade entre os dois povos teve origem nas ordenanças que excluíam a participação do gentio. Por meio delas, o judeu podia aproximar­-se publicamente de Deus, enquanto o gentio não tinha essa opção. A cruz, porém, aboliu completamente o conjunto de leis que possibilidade essa aproximação e estabeleceu, pelo sangue de Cristo, um novo canal de aproximação, acessível a todos. O judeu que se aproxima de Deus na base do sangue encerra o seu vínculo com as ordenanças judaicas. O gentio vence a barreira do distanciamento, e o judeu despoja-se da condição de proximidade conferida pela dispensação. Ambos são "feitos um" e desfrutam diante de Deus a bênção comum, nunca antes possuída por qualquer um deles. Os crentes gentios não são elevados ao nível de privilégios dos judeus nem os judeus são rebaixados ao nível dos gentios. Ambos são inseridos num terreno totalmente novo, num plano infinitamente mais elevado.

Nem mesmo isso, todavia, expressa toda a verdade concernente à Igreja. Tivesse o apóstolo parado aqui, veríamos os crentes aproximados pelo sangue e também "feitos um", visto que a inimizade foi removida. Teríamos até a impressão de uma venturosa unidade. Isso, aliás, é bendito e verdadeiro, mas ainda assim não expressa a verdade completa no tocante à Igreja. Então o apóstolo prossegue, dizendo que não não apenas somos "aproximados" e feitos um, mas somos também transformados em "novo homem" (v. 15), em "um só corpo" (v. 16), e habitados por "um Espírito", pelo qual temos acesso ao Pai (v. 18). Agora sim conhecemos toda a verdade acerca da Igreja - o Corpo de Cristo - formada na terra segundo os planos de Deus.

Deus não está apenas salvando almas dentre os judeus e os gentios com base no sangue. Não os está simplesmente reunindo em unidade. Ele os está moldando num novo homem, do qual Cristo é a gloriosa Cabeça, os crentes são os membros do Corpo e o Espírito Santo é o poder de união. Isso é muito mais que unidade: é união. A Igreja não é simplesmente um grupo de crentes em venturosa unidade, mas um grupo de pessoas que são membros de Cristo e membros uns dos outros em íntima união. E o novo homem não é meramente novo com referência ao tempo, mas pertence a uma ordem inteira­mente nova. Antes da cruz, como já vimos, havia duas classes de homem, o judeu e o gentio, odiando um ao outro e em inimizade com Deus. Agora, graças aos maravilhosos caminhos traçados por Deus, surge o "novo homem", que compreende cada santo na terra unido a Cristo, a Cabeça ressurreta e exaltada, pelo Espírito Santo de Deus.

Três grandes verdades estão ligadas à formação da Igreja de Deus no mundo, às quais o apóstolo faz alusão: a reconciliação com Deus, a evangelização da paz aos pecadores e o acesso dos santos ao Pai.

Tanto os judeus quanto os gentios foram reconciliados com Deus em um só Corpo (v. 16). Deus não estava contente com o distanciamento dos gentios nem com a proximidade meramente externa dos judeus, que os colocava tão distante dEle quanto os gentios. Tampouco lhe agradava a separação que havia entre os judeus e os gentios. Foi por essa razão que Ele tão maravilho­samente trabalhou na cruz a fim de que ambos se aproximassem dEle e uns dos outros, moldados num único Corpo, sobre o qual Deus podia olhar com compla­cência. A cruz destruiu a inimizade entre o crente judeu e o gentio, como também o que outrora esteve entre ambos e Deus. Nada poderia expressar mais perfeitamente a remoção completa da inimizade que o fato do crente judeu e gentio serem formados "em um só corpo". Não é dito neste versículo "um novo homem", visto que isso incluiria Cristo, a Cabeça, e nenhuma idéia de reconciliação pode ser associada a Ele. São os que fazem parte do Corpo que precisam de recon­ciliação, não o que é a Cabeça.

A segunda grande verdade é que o evangelho da paz foi pregado aos gentios separados e aos judeus dispensacional­mente próximos. Podemos entender o início da evangelização na passagem que mostra a formação da Igreja. Sem a cruz, não poderia haver evangeli­zação, e sem a evangelização não haveria a Igreja. Cristo é considerado o Pregador, embora o evangelho que Ele pregou seja proclamado instrumentalmente por terceiros. Lemos que os discípulos "pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor" (Mc 16:20).

A terceira verdade é uma grande bem-aventurança. Mediante o Espírito, judeus e gentios têm acesso ao Pai. A separação não somente foi removida do lado de Deus como também do nosso lado. Por meio da obra de Cristo na cruz, Deus pode aproximar-se de nós, pregando a paz. E, por obra do Espírito em nós, podemos nos aproximar do Pai. A cruz nos permite a aproximação, e o Espírito nos capacita a usar essa nossa posição e de modo prático nos aproxima do Pai. Porém, se o acesso é pelo Espírito, então claramente não há lugar para a carne. O Espírito exclui qualquer possibilidade de atuação da carne. Não é mediante edifícios, rituais, instrumentos ou grupos musicais ou por meio de uma classe especial de homens que conseguiremos acesso ao Pai. Não, todos esses meios carnais, que tanto impressionam o homem natural, constituem empecilho mui efetivo para impedir o nosso acesso ao Pai. É pelo Espírito - ou melhor, por "um Espírito" - que se entra em sintonia com Deus, como diz o hino: "Não há nota destoante que se faça ouvir ali".

Não estaria a origem das reuniões monótonas e superficiais no fato de ousarmos levar a carne não julgada à presença do Senhor? E as abruptas dissonâncias causadas por um hino incompatível ou um ministério inoportuno - não são, porventura, decorrentes do fato de não estarmos todos sendo guiados pelo mesmo e único Espírito? Estaríamos falando assim com o intuito de silenciar os irmãos, infligindo­ lhes um medo doentio de introduzir coisas que possam extinguir o Espírito? Não. Ao contrário, mas convém considerar que tanto o silêncio de uns como a precipitação de outros podem igualmente representar uma intromissão da carne. Que todos julguem a si mesmos e assim entrem na presença do Senhor. Então, verdadeiramente, o Espírito terá liberdade para conceder acesso ao Pai.

Até aqui temos contemplado a Igreja como o Corpo de Cristo. Os planos que Deus traçou para ela, porém, contemplam outros aspectos, dois dos quais nos são apresentados nos versículos finais do capítulo (w. 19-22). Em primeiro lugar, a Igreja é apresentada como um edifício que vai crescendo para ser um "templo santo no Senhor". Em segundo lugar, é chamada "morada de Deus".

Sob o primeiro desses aspectos, a Igreja é comparada a um edifício em construção que prossegue crescendo para ser um templo santo no Senhor. Os apóstolos e profetas constituem o fundamento, "sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular" (v. 20). Durante toda a dispensação cristã, os crentes são acrescentados ali, pedra por pedra, até que o último cristão seja agregado e o edifício esteja completamente terminado, manifestado em glória. Esse é o edifício que o Senhor menciona em Mateus 16: 18: "Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Cristo, e não o homem, é o construtor. Portanto, tudo é perfeito, e ninguém exceto as pedras vivas formam essa santa construção. Pedro explica o sentido espiritual desse Edifício: as pedras que vivem são edificadas como casa espiritual a fim de Q) "oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus" e  "proclamardes as virtudes" de Deus (1 Pe 2:519). -­Em Apocalipse 21, João tem a visão do edifício terminado. Ele o vê descendo do céu, da parte de Deus, e resplandecendo com a glória divina. Será esse o momento em que desse glorioso edifício subirão a Deus incessantes sacrifícios de louvor e em que aos homens se apresentará um perfeito testemunho das excelências de Deus. Na seqüência, ainda empregando a figura do edifício, o apóstolo apresenta outro aspecto da Igreja (v. 22).

Após considerar que os santos se encontram edificados e crescendo para ser templo, ele os vê como casa já terminada, para morada de Deus pelo Espírito. Todo crente que vive sobre a terra num dado momento histórico é consi­derado parte constituinte da morada de Deus. Mas o apóstolo não diz simplesmente "vós sois uma morada" , mas que "juntamente estais sendo edificados para habitação" (Ef 2:22). Tanto o cristão de origem judia quanto o procedência gentia são "juntamente" edificados para constituir essa habitação. A morada de Deus caracteriza-se pela luz e pelo amor. Por isso, ao chegar à parte prática da epístola, o apóstolo exorta-nos com estas palavras: "Andai em amor [...] andai como filhos da luz" (Ef 5:2,8).

A casa de Deus, portanto, é lugar de bênção e de teste­munho, em que os santos são abençoados com o favor e o amor de Deus. E, assim abençoados, vêm a ser testemunho para o mundo que os rodeia. Em Efésios, a morada de Deus é apresentada segundo a concepção divina e, por isso, a epístola  só considera o que é real. Outras passagens das Escrituras nos mostram como, infelizmente, essa morada foi corrompida nas mãos dos homens e, por fim, ainda lemos que o juízo há de começar pela casa de Deus (1 Pe 4: 17).

Assim, nesse capítulo a Igreja é descrita sob três aspectos. Em primeiro lugar, é considerada o Corpo de Cristo, formado por crentes judeus e gentios, unidos a Cristo em glória, formando assim um novo homem para a manifestação de tudo que Cristo é como o Homem ressurreto, Cabeça sobre todas as coisas. Recordemos que a Igreja não é apenas "um Corpo", mas que é "Seu Corpo", como está escrito: "A igreja, a qual é o seu corpo". E como Corpo de Cristo, ela é "a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas" (Ef 1 :22-23; 5:23). Sendo o Seu corpo, a Igreja é a Sua plenitude. Ela está preenchida com tudo o que Ele é, justamente com o propósito de expressar tudo o que Ele é. A Igreja - o Seu Corpo - deve ser também a expressão de Sua mente, assim como o nosso corpo também exprime o que há em nossa mente.

Em seguida, a Igreja é apresentada como um edifício que cresce continuamente, um templo formado por todos os santos da era cristã, no qual sacrifícios de louvor sobem a Deus e onde as Suas virtudes são manifestadas aos homens.

Por último, a Igreja é vista aqui na terra como um edifício completo, composto por todos os santos que vivem num dado momento histórico, formando a morada de Deus para bênção de Seu povo e testemunho para o mundo.

 

Hamilton Smith

 

A Linguagem simbólica do apocalipse