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A Assembléia
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A IGREJA SENDO MINISTRADA POR PAULO

 

(EFÉSIOS 3)

Na primeira parte da Epístola aos Efésios (1; 2:1-10), havíamos contemplado a Igreja sob a perspectiva dos conselhos de Deus. Depois, em Efésios 2: 11-22, vimos a trajetória da Igreja na terra segundo os caminhos de Deus. Agora no capítulo 3, a Igreja é-nos apresentada no contexto da administração de Paulo.

O capítulo inteiro é um parêntese. O capítulo 2 evidencia a doutrina da Igreja, e o capítulo 4 contém exortações práticas baseadas nessa doutrina. Entre a doutrina e as exortações encontramos essa importante digressão, pela qual o Espírito Santo nos dá a conhecer a administração - ou serviço - especial confiada ao apóstolo Paulo e intimamente ligada à verdade acerca da Igreja.

Com relação ao serviço, constatamos que foi a insistência na verdade acerca da Igreja que o levou à prisão. Essa extraordinária verdade despertou de forma singular o ódio e a hostilidade da parte dos judeus, pois não só colocava judeus e gentios em igual condição diante de Deus ­mortos em ofensas e pecados ­como também recusava aos judeus um lugar privilegiado, acima dos gentios.

Na seqüência, somos informados de que maneira o apóstolo conheceu a verdade acerca do mistério que envolvia a Igreja. Não foi por informação humana, mas por revelação direta de Deus: "Segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério" . Com isso, ergueram­-se imensos obstáculos no momento de comunicar a verdade acerca desse mistério. Quando pregava o Evangelho nas sinagogas judaicas, Paulo invariavelmente apelava para as Escrituras (ver At 13:27,29,32, 35,47; 17:2), e os judeus de Beréia foram até elogiados por examinarem as mesmas Escrituras para ver se a palavra pregada por Paulo estava de acordo com o texto sagrado.

No entanto, ao ministrar a verdade acerca da Igreja, o apóstolo não pôde contar com a confirmação do Antigo Testamento. Em vão os seus ouvintes iriam procurar nas Escrituras a validação de suas afirmações. Já era difícil para o judeu secularizado aceitar as verdades contidas no texto sagrado, a exemplo de Nicodemos, que teve dificuldades para entender o novo nascimento .. Portanto, para o judeu, aceitar uma verdade que não estava contida nas Escrituras e que deixava de lado todo o sistema judaico nelas ordenado e sancionado pelo próprio Deus através dos séculos era uma dificuldade insuperável.

Para muitos cristãos, será quase impossível avaliar esse grau de dificuldade, visto que a verdade acerca da Igreja está obscurecida ou totalmente perdida em sua mente. Concebem a Igreja como o conjunto de todos os crentes através dos tempos, e a maioria deles não tem dificuldade para encontrar no Antigo Testamento o que acreditam ser a Igreja.

Que esse conceito domina a mente de muitos homens piedosos está amplamente provado pelos títulos que deram a muitos capítulos do Antigo Testamento na Versão Autorizada (King James). Aceitam, no entanto, a verdade acerca da Igreja tal como  revelada na Epístola aos Efésios, mas logo deparamos com aquela dificuldade, a qual só pode ser resolvida se aceitarmos o fato de que a verdade acerca da Igreja é uma revelação inteiramente nova.

Paulo denomina "mistério" a grande verdade que recebeu por revelação e, no versículo 4, chama-o "mistério de Cristo". Ao empregar o termo "mistério", o apóstolo não pretende transmitir a idéia de algo enigmático - no sentido puramente humano da palavra. Nas Escrituras, "mistério" é algo mantido em segredo e que não pode ser conhecido a não ser por revelação e, uma vez revelado, só pode ser compreendido pela fé.

O apóstolo explica que esse mistério não foi revelado aos filhos dos homens no período do Antigo Testamento, mas agora era dado a conhecer, por revelação, "aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito". Os profetas citados aqui claramente não são os do Antigo Testamento, assim como em Efésios 2:20. Em ambos os casos, a ordem é "apóstolos e profetas", e não "profetas e apóstolos", como seria de esperar se a referência fosse àqueles homens de Deus do Antigo Testamento. Além do mais, Paulo está falando de algo revelado "agora", em contraste com as antigas revelações.

O que seria então esse mistério? Com certeza não é o Evangelho, pois este não jazia escondido em outras épocas. O Antigo Testamento está repleto de alusões à graça de Deus e à vinda do Salvador, embora tais revelações fossem mui pouco compreendidas. Está claro para nós, no versículo 6, que esta nova revelação é que os gentios "são co-herdeiros, e um corpo unido, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio das boas-novas" (segundo a tradução de JND). Os gentios são feitos co-herdeiros com os judeus não no reinado terrestre de Cristo, mas na herança, muito mais maravilhosa, descrita no capítulo 1, a qual inclui tanto as coisas celestiais quanto as terrestres. E mais: os crentes gentios constituem junto com os crentes judeus um mesmo corpo do qual Cristo é o Cabeça no Céu. Além disso, tornaram­-se participantes da promessa de Deus em Cristo.

O gentio não foi elevado ao nível do judeu, tampouco o judeu foi rebaixado ao nível do gentio. Ambos foram tirados de sua antiga posição e elevados a um plano incomparavelmente superior, unidos um ao outro em Cristo sobre uma base totalmente nova e celestial. E todas essas coisas foram operadas pelo Evangelho, o qual é-lhes dirigido enquanto estão em um mesmo nível de culpa e de ruína total.

Os três grandes fatos mencionados nesse versículo são abordados no capítulo 1. A promessa de Cristo contempla todas as bênçãos listadas nos sete primeiros versículos daquele capítulo. A herança é-nos apresentada nos versículos de 8 a 21, e a verdade do "um só  corpo", nos versículos 22 e 23.

O mistério, dessa maneira, pode ser resumido no contexto de um único versículo. Mas a captação da grandeza dessa verdade e tudo que ela envolve demanda exaustivo exercício espiritual. Alguém disse: "É espantoso que os cristãos sejam tão vagarosos para entender a grandeza dos conselhos de Deus. Em geral, somos inclinados a nos preocupar mais com detalhes da vida cristã que com os maravilhosos princípios que regem o cristianismo".

Na consideração do mistério, somos levados até antes da fundação do mundo para encontrar a sua fonte no coração do Pai. Ali, tudo foi deliberado segundo o seu bel-prazer. Ali igualmente, em Deus, o grande mistério permaneceu oculto através das eras até que, nos caminhos de Deus, chegasse o momento oportuno para a sua revelação.

Antes disso, porém, importantes acontecimentos teriam lugar na história universal. O mundo seria colocado à prova, a fim de que fosse conhecida a sua condição de absoluta ruína. Cristo manifestar-se-ia em carne, de modo a realizar a obra da redenção. Depois seria ressuscitado de entre os mortos e se assentaria na glória. Por fim, o Espírito Santo seria enviado à terra.

A presença de Cristo na terra foi o teste definitivo para o ser humano. Ele habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade, "fazendo o bem". As suas mãos manifestavam poder capaz de aliviar o ser humano de todos os males possíveis - seja do pecado, da doença ou do próprio diabo. Além disso, com o coração cheio de compaixão, Ele manifestava a graça, usando o Seu poder a favor do homem pecador.

Toda essa manifestação da bondade divina serviu para revelar a profunda aversão do ser humano à perfeita benignidade de Deus. Foi a evidência derradeira de completa ruína, tanto do judeu quanto do gentio. Os judeus rejeitaram completamente ao Messias prometido há longa data e selaram a própria condenação ao declarar: "Não temos rei, senão César!". Era a apostasia. Os gentios, por sua vez, evidenciaram sua decadência absoluta valendo-se do governo - que Deus pusera em suas mãos! - para condenar o Filho de Deus depois de Ele ter sido judicialmente declarado inocente.

A cruz foi a resposta do ser humano ao amor de Deus, a prova definitiva de que o homem não era apenas pecador, e sim pecador decaído, além de qualquer esperança de recuperação em si mesmo. E o que aconteceu? O Cristo que o mundo rejeitou ascendeu à glória e o mundo posto sob julgamento. A Luz do mundo saiu de cena, e o mundo foi deixado em trevas. O Príncipe da vida fora morto, e o mundo ficou mergulhado na morte. Morte e trevas dominavam todo o cenário, judeus e gentios, igualmente, jaziam mortos para Deus em "delitos e pecados".

Não havia, então, esperança para o mundo decaído? Deveria o mundo encaminhar-se ao julgamento com toda a sua carga de almas decaídas? Deveria o homem ser subjugado pelo pecado e pela morte? Teria o diabo obstruído os propósitos de Deus, cercando o ser humano no desespero e triunfando sobre tudo? Da parte do homem não havia resposta. Tudo estava irremediavelmente arruinado. A cruz provou que o mundo não estava moribundo. O mundo estava morto. "Um morreu por todos; logo, todos morreram."

Então, no auge da crise, quando o mundo chega ao seu fim e a terrível história do pecado encerra com morte, Deus recorre aos seus eternos conselhos, agindo conforme seus bons propósitos, e no devido tempo dá a conhecer os segredos de seu coração. O mundo está morto, mas Deus vive, e o Deus vivo age de acordo com os Seus conselhos. O mundo pendurou Cristo na cruz da vergonha, mas Deus o ressuscitou dos mortos e o assentou no trono de glória.

No tempo apropriado, no grande dia de Pentecostes, o Espírito de Deus desceu ao mundo, da parte do Cristo glorificado. Sem dúvida foi maravilhosa a época em que a terra estava sem forma e vazia, e as trevas cobriam as profundezas do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Muito mais admirável, porém, foi o dia em que Ele desceu a um mundo que se arruinou por haver lançado fora a Luz do mundo e matado o Príncipe da vida.

Não podemos dizer que mais uma vez "havia trevas sobre a face do abismo" e que novamente "o Espírito de Deus pairava por sobre as águas"? Deus deu início a uma nova criação, não a partir do ser humano moribundo, mas do "Cristo, o Filho do Deus vivo", o princípio da criação de Deus.

Dentre um mundo de judeus apóstatas e gentios ímpios, Deus chama para fora uma grande companhia de almas. vivificadas, redimidas pelo sangue e perdoadas conforme as riquezas da graça divina. E não somente as chama para fora de um mundo arruinado como também as une em um só Corpo com Cristo, sua Cabeça no Céu. Não fazem parte do mundo que rejeitara a Cristo, assim como Ele também não é deste mundo (Jo 17:16), mas pertencem ao Céu, onde Cristo - a Cabeça ressuscitada e exaltada - está entronizado. Além disso, ainda serão participantes de Sua gloriosa herança, quando Lhe for dado o domínio sobre todo o universo criado de Deus, quer nas coisas do Céu, quer nas coisas da terra.

Assim, esse é o maravilhoso mistério, em outras eras oculto aos filhos dos homens, mas agora revelado aos Seus santos apóstolos e profetas pelo Espírito e ministrado a nós por meio do apóstolo Paulo. Por causa dessa extraordinária verdade é que Paulo foi feito ministro, como ele próprio nos relata (v. 7). Não significa que o mistério não tenha sido revelado aos demais apóstolos - Paulo afirma que sim -, mas que ele recebeu a incumbência especial de ministrar essa verdade aos santos. Por essa razão, somente nas epístolas de Paulo encontramos revelado o mistério. A graça de Deus concedeu esse ministério ao apóstolo, e o poder de Deus capacitou-o a utilizar o dom da graça. Os dons de Deus só podem ser usados no poder divino.

Além disso, o apóstolo reconhece o efeito que essa extraordinária verdade causou à sua vida (v. 8). Ante a grandeza da graça de Deus, ele percebeu que era o principal dos pecadores (l Tm 1:15). Diante do imenso panorama de bênçãos descortinado pelo mistério, sentiu-se inferior ao menor de todos os santos. Quanto maior as glórias que se nos apresentam, tanto menor nos consideraremos aos nossos próprios olhos. O homem que melhor entendeu o mistério em toda a sua imensurável amplitude considerava-se o menor entre os menores dos santos.

Para dar cumprimento ao seu ministério, o apóstolo apregoou entre os gentios as "insondáveis riquezas de Cristo" (v. 8). Paulo não somente proclamava a irremediável ruína do ser humano, mas também as inescrutáveis riquezas de Cristo, cujo valor ultrapassa toda a capacidade humana de cálculo, que trazem embutidas bênçãos ilimitadas. Ainda que nos dedicássemos a esgotar as Suas riquezas, jamais alcançaríamos os limites das bênçãos que elas nos podem proporcionar.

A pregação do Evangelho, no entanto, estava voltada à segunda parte do ministério de Paulo - a de iluminar a todos com o conhecimento "da administração do mistério" (v. 9, segundo a tradução de JND). Iluminar a todos não apenas com a verdade acerca do mistério, mas também com o conhecimento de como se deu a sua ministração. Enfim, para demonstrar a todos os homens como os conselhos de Deus, que eram de eternidade a eternidade, se realizaram no tempo presente mediante a formação da Assembléia na terra. Dessa maneira, trouxe publicamente à luz o que até então estava oculto em Deus desde a fundação do mundo.

E mais ainda. A intenção de Deus não era somente esclarecer a humanidade quanto à formação da Assembléia sobre a terra. O seu intento é que agora também os seres celestiais aprendam, por meio da Igreja, a multíplice sabedoria de Deus. Os principados e potestades celestiais haviam contemplado a criação de Deus ainda jovem, recém-saída de Suas mãos, e, ao perceberem a Sua sabedoria no ato criador, cantaram de alegria.

Agora, na formação da Igreja, eles podem avistar a "multiforme sabedoria de Deus" (v. 10). A Criação foi a mais perfeita expressão de sabedoria criadora. Porém na formação da Igreja, a sabedoria de Deus é exibida em todas as formas. Antes que a Igreja pudesse ser formada, a glória de Deus tinha de ser reivindicada (restituída); a necessidade do ser humano, satisfeita; os pecados, lançados longe; a morte, abolida; o poder de Satanás, anulado. A barreira entre judeus e gentios tinha de ser removida; os céus, abertos; Cristo, assentado como Homem na glória; o Espírito Santo, vindo à terra; o Evangelho, pregado. A formação da Igreja envolvia tudo isso e muito mais. Esses múltiplos propósitos só poderiam ser alcançados pela multiforme sabedoria de Deus - sabedoria que não se evidenciou apenas num único aspecto, mas em todos os aspectos. Assim, a Igreja tomou­-se o livro didático dos seres celestiais e angélicos.

Nem mesmo o fracasso da Igreja no exercício de suas responsabilidades alterou o fato de que os anjos aprendem com a Igreja. Ao contrário, tomou mais evidente a prodigiosa sabedoria que, elevada acima de qualquer falha humana, supera todos os obstáculos e por fim conduz a Igreja à glória" segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor".

Nos versículos que se seguem (12 e 13), o apóstolo desvia-se um pouco da revelação do mistério para dar uma breve palavra acerca de seu efeito prático. Todas essas maravilhas não foram expostas à nossa vista apenas para serem admiradas. Admiráveis elas são, de fato, ou, como exclamou Davi ao referir-se à Casa de Deus, "sobremodo magnificentes". Mas também é verdade que o mistério é extraordinariamente prático, e nesses dois versículos vemos o efeito do mistério quando corretamente compreendido e realizado em conformidade. Trata-se de uma verdade que nos deixa à vontade no mundo de Deus, mas que nos lança fora do mundo do homem. Tal como o cego de João 9, que, banido do mundo religioso, achou-se na presença do Filho de Deus, Paulo tinha acesso ao palácio do Céu (v. 12), mas se encontrava prisioneiro na terra (v. 13).

Cristo Jesus, o único por meio do qual todos os propósitos eternos serão cumpridos, é também o único pelo qual temos acesso pela fé ao Pai. Se é em Cristo que seremos apresentados diante do Deus, santos, irrepreensíveis e em amor, nEle também obtemos, desde já, santa ousadia e acesso com confiança ao Pai. Essa verdade extraordinária deixa-nos à vontade na presença do Pai. Mas no mundo essa condição nos conduz à tribulação. Paulo teve essa experiência, mas declara: "Não desfaleçais nas minhas tribulações". Aceitar o mistério - caminhar à luz dessa verdade - nos deixará fora do curso deste mundo e ao mesmo tempo à parte do mundo religioso. Acontecerá conosco o que acontecia com Paulo: uma luta contínua, especialmente contra todos os judaizantes.

É necessário que seja assim, pois essas grandiosas verdades minam completamente a constituição mundana de qualquer sistema religioso criado pelo homem. E o que se tem visto? Acaso tem sido a verdade do mistério, associada ao conhecimento pelo qual Paulo empenhou-se para iluminar a todos os homens, proclamada dos púlpitos da cristandade, das santas convenções, ou mesmo das plataformas evangélicas? T em sido a verdade desse mistério - que envolve a ruína total do ser humano, a rejeição total de Cristo por parte do mundo, a atividade de Cristo na glória, a presença do Espírito Santo na terra e a vocação celestial dos santos proclamada nas igrejas nacionais ou nas denominações cristãs ou influenciado sua trajetória? Não, não há lugar para essa verdade em seus credos, em suas orações ou em seus ensinos. Pior ainda, ela já é negada nos seus estatutos, doutrina e prática.

Apesar de tudo, temos um recurso. Podemos orar, e por esta razão esses dois versículos (12 e 13) nos conduzirão naturalmente à oração com a qual o apóstolo encerra o capítulo. Se temos ousadia e acesso com confiança, então podemos orar. Se deparamos com tribulação, então devemos orar. Assim, em face da incumbência de ministrar a verdade e da tribulação que a tarefa envolvia, Paulo tinha um único recurso: dobrar os joelhos diante do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

A oração no início de Efésios foi dirigida ao "Deus de nosso Senhor Jesus Cristo". Ali Jesus é visto como um Homem em relacionamento com Deus. E a partir de Cristo, colocado acima de tudo, podemos contemplar a herança espalhada em toda a vasta extensão da glória. Já aqui a oração é dirigida ao "Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". Aqui Jesus é visto como o Filho em relacionamento com o Pai. E, em vez de olharmos para baixo contemplando a herança, olhamos para cima a fim de contemplar as Pessoas divinas.

Na primeira oração, o" pedido é "para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a sobreexcelente grandeza do seu poder". Mas aqui a oração vai além do chamado, estende-se além da herança e conduz àquilo que é maior que poder. Pois aqui o apóstolo ora não somente para que conheçamos a esperança de nosso chamado, mas para que Cristo - aquele em quem somos chamados ­habite em nossos corações; não somente para que saibamos quais as riquezas de Sua herança, mas para que conheçamos a plenitude de Deus; não somente para que conheçamos a suprema grandeza de seu poder, mas para que conheçamos o amor de Cristo, que excede todo o entendimento.

Para que esses requisitos sejam alcançados, o apóstolo ora para que ocorra uma obra especial do Espírito Santo no interior do homem. Na primeira oração, o poder é direcionado a nós. Aqui, o poder opera em nós. Ali era que os olhos fossem iluminados para contemplar a herança. Aqui é a obra no coração, para que compreenda o amor. Para adentrar nas coisas profundas de Deus, temos que estar arraigados e alicerçados em amor. Estar arraigados e alicerçados no conhecimento secular é de nenhum valor para a compreensão dos mistérios de Deus, pois trata-se de uma esfera que está além da razão humana. Aqui entramos em contato com coisas que os olhos não podem ver nem os ouvidos ouvir, coisas que não penetraram o coração do homem, coisas que somente Deus pode ensinar através de nossos afetos.

Deste modo, assim que Cristo vier habitar o coração mediante a fé, e estarmos arraigados e alicerçados em amor, estaremos aptos para compreender, juntamente com todos os santos "qual seja a largura, e comprimento, e a altura, e a profundidade". O apóstolo não diz a que exatamente esses termos se referem, mas acaso não tem ele em vista os infinitos conselhos de Deus, por muito tempo ocultos e agora revelados no mistério? Desse modo, é possível entender, mas temos também algo que ultrapassa o conhecimento - o amor de Cristo, o qual pode ser perfeitamente desfrutado porém jamais alcançaremos o seu fim ou penetraremos as suas  profundezas.

Aqui somos lançados num oceano sem margens cuja profundidade jamais foi atingida. E, no conhecimento desse amor seremos cheios de toda plenitude de Deus. A "plenitude de Deus" é aquilo de que Deus está cheio. Cristo é a plenitude de Deus, como lemos em Colossenses 2:9: "Nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade". A Igreja é a plenitude de Cristo a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas" (Ef 1:23 - ERA). Somente Deus pode conduzir o nosso coração ao conhecimento do amor de Cristo e então encher-nos com Sua plenitude. Afinal, Ele é capaz de fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, conforme o poder que opera em nós. Não é fazendo coisas por nós, embora isto também seja verdadeiro, mas aqui Ele está operando a obra em nós. a apóstolo não está se referindo à nossas circunstâncias, nem às nossas necessidades diárias, nem a qualquer coisa que a misericórdia divina possa nos conceder, e sim ao vasto universo de bênçãos às quais Ele pode conduzir nossas almas pela obra que realiza em nós.

Tampouco o apóstolo diz: " ... acima do que podemos pedir ou pensar", como às vezes o versículo é erroneamente citado (como se pudéssemos pedir algumas coisas e outras não). Alguém disse certa vez que "há grande diferença entre o que pedimos e pensamos e o que podemos pedir ou pensar. Na verdade, não há restrições para os nossos pedidos". Tampouco podemos impor limites ao que Deus pode realizar na vida dos santos, para benefício deles e para Sua glória.

Isso leva o apóstolo a encerrar com uma explosão de louvor:

"A ele seja a glória na Assembléia em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!" (segundo a tradução de JND). Foi o supremo privilégio de Paulo ministrar o mistério na época presente. Mas, como dizia Paulo, que tudo fosse para a glória de Deus, por toda a eternidade. Deliberado nos tempos eternos, antes da fundação do mundo, também há de subsistir para a glória de Deus por toda a eternidade, quando o mundo já não mais existirá.

 

Hamilton Smith

 

A Linguagem simbólica do apocalipse