Congresso
Vocę Participaria de um Congresso Bíblico?
Sim
Năo
Ver Resultados

Partilhe esta Página



Total de visitas: 54438
A ASSEMBLÉIA
A ASSEMBLÉIA

A ASSEMBLÉIA

A IGREJA COMO CASA DE DEUS DE ACORDO COM A MENTE DIVINA

Os dois principais aspectos pelos quais a Igreja é considerada no Novo Testamento são: como Corpo de Cristo e como Casa de Deus.

Analisada pela primeira perspectiva - como Corpo de Cristo -, a Igreja é composta de todos os crentes da terra, os quais constituem um único Corpo que é ligado à Cabeça, no Céu, pelo batismo no Espírito Santo (1 Coríntios 12:12-13; Cl 1 18). Vista como Casa de Deus, de acordo com a mente de Cristo, a Igreja é composta de crentes judeus e gentios edificados juntos para habitação de Deus por meio do Espírito (Efésios 2:22).

O Corpo único expressa o aspecto celestial da Igreja. Os crentes são constituídos povo celestial por causa de sua união com Cristo no Céu - sendo Ele a Cabeça do Corpo. A Casa de Deus, por sua vez, sempre contempla a Igreja em conexão com a terra.

A formação e a manutenção do Corpo único estão além da responsabilidade do ser humano. Por isso, nada que. seja i;1consistenteterá parte no Corpo. E certo que todos os crentes são responsáveis por manter a verdade do Corpo e por andar na medida da luz que têm dele - e nisso temos falhado horrivelmente -, mas o Corpo propriamente dito é constituído apenas de crentes verdadeiros, por ação do Espírito Santo. Já a Casa de Deus foi estabelecida sobre a responsabilidade humana. Sabemos que o homem é passivo de falhas, e, em decorrência disso, matéria indigna acabou sendo introduzida na Casa de Deus, que resultou na solene afirmação do apóstolo Pedra de que o julgamento há de começar pela casa de Deus (1 Pedro 4:17).

Contudo, antes de poder formar qualquer idéia apropriada de nossas responsabilidades no que diz respeito à Casa de Deus ou de avaliar a extensão de nosso fracasso em cumprir essas responsabilidades, é essencial entendermos claramente o conceito de Casa de Deus segundo o propósito divino original. Para isso, devemos retomar à Palavra de Deus, pois é impossível aprender de um cristianismo corrompido o sentido original da Casa que o divino Arquiteto edificou na terra.

Voltando-nos para as Escrituras, logo descobrimos que a Casa de Deus é um lugar muito amplo, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. A primeira menção a esse fato está em Gênesis 28, e a última, em Apocalipse 21. Do primeiro ao último livro, da criação atual aos novos céus e nova terra (o estado eterno), a Casa de Deus constitui-se um dos maravilhosos e imutáveis desígnios concebidos na mente divina.

É certo que a composição da casa difere bastante de época para época. Nos dias do Antigo Testamento, foi edificada com tábuas e cortinas e mais tarde com pedras materiais. Hoje, no âmbito do propósito divino, compõe-sede "pedras vivas". No entanto, enquanto os elementos variam, o propósito de sua existência permanece o mesmo. Não importa a forma que assuma, o objetivo é que seja sempre uma habitação para Deus. Salomão expressa essa idéia quando declara: "Edifiquei uma casa para tua morada, lugar para a tua eterna habitação" (2 Crônicas 6:2). Deus, para a própria satisfação, estava determinado a habitar com o ser humano.

Convém, evidentemente, que a Casa de Deus apresente certas características. Independentemente da forma que assuma, tudo ali deve necessariamente corresponder a Deus. A Primeira Epístola a Timóteo foi escrita ·especialmente para nos instruir quanto ao comportamento adequado à Casa de Deus (1 Timóteo 3:15). Mas, para que tenhamos um comportamento correto, é essencial que conheçamos as características determinantes da Casa de Deus.

A santidade é a sua primeira característica distintiva, conforme lemos em Salmos 93:5:

"Fidelíssimos são os teus testemunhos; à tua casa convém a santidade, SENHOR, para todo o sempre". Lemos também, em EzequieI 43:12: "Esta é a lei da casa. Sobre o cume do monte, todo o seu contorno em redor será santíssimo; eis que esta é a lei da casa" (ERC). A santidade, portanto, é a primeira regra da Casa. Por essa razão, a Epístola a Timóteo instrui os que constituem a Casa de Deus a manter o "coração puro", a "consciência boa" e a "fé sem hipocrisia". Além disso, toda conduta que esteja em contradição com esse ensino deve ser rejeitada (1 Timóteo 1:5-10).

Outra característica distintiva da Casa é a dependência de Deus. Por conseguinte, a oração ocupa lugar importante nessa questão, pois é a expressão dessa dependência. Desse modo, lemos: "Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade" (1 Timóteo 2:8). Todos os que integram a Casa de Deus devem ser dependentes de Deus, que habita ali.

Temos        ainda        outra importante característica: a sujeição à autoridade. Na Casa de Deus, a mulher deve aprender em sujeição, sem usurpar a autoridade do homem (1 Timóteo 2: 11-12).

Finalmente, a Casa de Deus distingue-se pela supervisão e pelo cuidado - supervisão preocupada com o bem-estar espiritual do povo (1 Timóteo 3:1-7) e cuidado quanto às necessidades temporais e físicas das pessoas (v. 8-13).

O mundo distingue-se pela maldade, pela auto-suficiência, pela rebelião contra a autoridade, pela ausência de supervisão espiritual e pela negligência para com as necessidades do ser humano. Na Casa de Deus, porém, predominam condições inteiramente opostas. Ali, em conformidade com o propósito da mente divina, a santidade precisa ser mantida, e tudo deve estar na dependência de Deus e sujeito à autoridade outorgada por Ele. Na Casa de Deus, alma e corpo recebem toda a atenção.

Estas são, portanto, algumas das principais características: santidade, dependência de Deus, sujeição, supervisão e cuidado. Além disso, essas características são necessárias para que o propósito de Deus concernente à Sua Casa seja devidamente realizado.

Qual seria, então, o principal propósito que Deus tinha no coração ao decidir habitar entre os homens? Primeiro, se Deus tem um lugar de habitação entre os seres humanos, é para que se tome conhecido por abençoar os homens. Segundo, se o ser humano é abençoado por Deus, é para que Deus seja louvado. Estes são, portanto, os dois principais propósitos relacionados com a Casa de Deus: Deus se fazendo conhecer pelas bênçãos que concede, para que o homem, então, se volte para Ele em louvor.

Em face disso, torna-se evidente que o privilégio - e a responsabilidade - dos que têm parte na Casa de Deus consiste em expressar a Deus e em louvá­-Lo. Esses princípios norteadores são belamente evidenciados na primeira porção das Escrituras que faz menção à Casa de Deus:

Gênesis 28:10-22. Ali Jacó, o peregrino, tem uma visão da Casa de Deus. E podemos, nessa cena, contemplar ao mesmo tempo o propósito de Deus e a responsabilidade do homem com relação à Casa de Deus. Deus revelou-se a Jacó como aquEle que está determinado a abençoar o ser humano em Sua graça soberana. Deus prometeu: "Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra". E disse que iria cumprir a promessa. Ele seria fiel à Sua palavra: "Não te desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido". Assim, temos de nossa parte dupla responsabilidade. Jacó exclamou: "Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus" . Imediatamente, ele "tomou a pedra que havia posto por travesseiro e a erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite".

A porta representa o acesso ao Céu. Através dela, entramos em contato com o Céu para orar e louvar. E, diga-se de passagem, essa porta não é simplesmente um ponto longínquo além das fronteiras do planeta. A porta do Céu está situada na terra, e nós, enquanto estivermos aqui, poderemos usar essa passagem. A coluna, conforme deduzimos da história da separação entre Jacó e Labão, fala de testemunho (Gênesis 31:52).

Portanto, temos dupla responsabilidade com relação à Casa de Deus: de um lado, aproximarmo-nos de Deus em oração e louvor; de outro, aproximarmo-nos dos homens como testemunhas de Deus. E o nosso testemunho só pode ser levado a efeito pelo poder do Espírito Santo, simbolizado na coluna ungida com óleo.

Voltando a 2 Crônicas 6, deparamos novamente com o propósito de Deus e a responsabilidade do homem, representados agora na dedicação do edifício erigido pelo rei Salomão. Primeiro, vemos o Templo como o lugar em que Deus revela a Si mesmo para abençoar o homem. O rei, simbolizando a atitude de Deus para com o homem, "voltou [...] o rosto, e abençoou a toda a congregação de Israel" (v. 3). Salomão deu também testemunho da fidelidade de Deus à Sua palavra: "Assim, cumpriu o SENHOR a sua palavra que tinha dito" (v. 4,10,15). Desse modo, pela perspectiva da responsabilidade e do privilégio do homem, constatamos que o templo de Salomão tomou-se a porta do Céu. Nove vezes o rei solicita que as orações proferidas nesse lugar sejam ouvidas no Céu. A Casa tomou-se a porta de acesso ao Céu (v. 21-40).

Finalmente, a casa que Salomão edificou, a exemplo da coluna de Jacó, serviria de testemunho acerca de Deus entre as nações da terra, como expressa a oração do rei, "a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel e para saberem que esta casa, que eu edifiquei, é chamada pelo teu nome" (v. 33).

Retomando ao Novo Testamento, à Primeira Epístola de Pedro, percebemos que, apesar de a forma da Casa de Deus ter sido alterada, nem o propósito divino nem a responsabilidade humana sofreram modificação. Só que ela não é mais constituída de pedras sem vida, é agora casa espiritual, edificada com pedras vivas. Diz o apóstolo: "Vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual" (1 Pedro 2:5).

No primeiro capítulo da mesma epístola, aprendemos que os que constituem a Casa de Deus são alvo de Sua graça soberana, pois lemos: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma

herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros". Descobrimos ainda que essa graça nos é garantida pela "palavra do Senhor", que "permanece eternamente".

Avançando para o capítulo 2, deparamos mais uma vez com os nossos privilégios e responsabilidades quanto à Casa de Deus. De um lado, somos edificados juntamente "a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo". De outro, diante dos homens, existimos para "anunciar as excelências dEle" (JND), que "vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Eis, novamente, a "porta dos céus" e a "coluna" ungida com óleo. Aproximamo-nos de Deus para apresentar-lhe as nossas orações e oferecer-lhe o nosso louvor e aproximamo-nos dos homens para dar testemunho de suas virtudes.

Alguém pode perguntar:

"Quando foi que a Casa de Deus, em sua forma atual, veio à existência?". As Escrituras dão-nos uma resposta categórica isso não aconteceu antes de a redenção ser efetivada. Se Deus habita no meio de um povo que o louva, foi porque Cristo experimentou primeiro as trevas e o abandono na cruz. Nós o ouvimos clamar: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?". E o mesmo Cristo que emitiu esse clamor solitário pode dar a resposta:

"Tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel". Para o Deus santo habitar no meio dos louvores de um povo foi necessário que Cristo redimisse esse povo por meio da morte.

Jacó, como vimos, pode ter aludido à Casa de Deus, mas só depois de ocorrer a redenção foi que Deus revelou a intenção de habitar entre filhos de Israel (ver Êxodo 29:45). Deus não podia habitar com o inocente Adão nem com o fiel Abraão. Ele poder ter caminhado no jardim ou agraciado Abraão com o privilégio de Sua visita, mas nem a inocência nem a fidelidade garantem um lugar para a habitação de Deus. A mera inocência foi insuficiente para corresponder à Casa de Deus, e a fé do ser humano não bastou para sustentá-la depois que a inocência se perdeu.

A habitação de Deus entre os homens é fruto da redenção, que preparou o ser humano para recebê-Lo e tomou o Deus santo conhecido dele. Assim, é óbvio que a "casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo", não existia até a redenção ser concretizada. Então, no dia de Pentecostes, quando os discípulos estavam reunidos em Jerusalém, o Espírito Santo desceu, "encheu toda a casa onde estavam assentados", e "todos ficaram cheios do Espírito Santo". O povo de Deus, até então disperso pelo mundo, passou a constituir-se Habitação de Deus, e Deus passou a ocupar a Casa.

 

A Linguagem simbólica do apocalipse