Congresso
Vocę Participaria de um Congresso Bíblico?
Sim
Năo
Ver Resultados

Partilhe esta Página



Total de visitas: 38355
"Estudos sobre a palavra de Deus” - I Joăo 1
"Estudos sobre a palavra de Deus” - I Joăo 1

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”
Tradução de Synopsis of the Books of the Bíble – John Nelson Darby


PRIMEIRA EPÍSTOLA DE S. JOÃO – CAPÍTULO 1

A Epístola de João tem um caráter próprio. É a vida eterna manifestada em Jesus e a nós comunicada - a vida que estava com o Pai e que está no Filho. É nesta vida que os crentes gozam da comunhão do Pai e estão em relação com Ele pelo Espírito de adoção, e que a sua comunhão é com o Pai e com o Filho. O próprio caráter de Deus é a pedra-de-toque desta vida, porque dEle emana.

O primeiro capítulo verifica estes dois últimos pontos, a saber: a comunhão com o Pai e com o Filho, e que esta comunhão deve ter lugar de acordo com o caráter essencial de Deus. O nome de Pai é o que dá o tom ao capítulo 2. Em seguida, é o que Deus é que põe à prova a realidade desta vida.

As epístolas de Paulo, falando desta vida, ocupam-se em geral, em apresentar aos Cristãos a verdade relativa aos meios de se permanecer na presença de Deus, justificados e tomados agradáveis. A epístola de João, isto é, a sua Primeira Epístola, mostra-nos a vida que vem de Deus, por Jesus Cristo. João coloca Deus perante nós, o Pai revelado no Filho, e a vida eterna nEle. Paulo coloca-nos perante Deus, agradáveis em Cristo. Falo daquilo que os caracteriza. Cada um deles a fIora respectivamente o outro ponto. Ora, esta vida é tão preciosa, manifestada como é na Pessoa de Jesus, que a Epístola que no-la mostra tem, sob este ponto de vista, um encanto muito particular. Assim, quando volto os olhos para Jesus, quando contemplo toda a Sua obediência, a Sua pureza, a Sua graça, a Sua ternura, a Sua paciência, a Sua dedicação, a Sua santidade, o Seu amor, a ausência completa em Si de toda a procura de Si mesmo, eu posso dizer: Eis a minha vida!

É uma imensa graça. É possível que esta vida esteja obscurecida em mim, mas não é menos verdade que é a minha vida. Oh!, quanto eu a aprecio quando a contemplo assim! Quanto eu bendigo a Deus! Que descanso para a minha alma! Que pura alegria para o meu coração! Ao mesmo -tempo, o próprio Senhor Jesus é o objeto dos meus afetos - e todas as minhas afeições são formadas de harmonia com esse santo objeta!.

Mas voltemos à Epístola.

Havia, quando João escrevia, muitas pretensões a novas luzes, a vistas mais amplas e mais claras. Pretendiam que o Cristianismo era muito bom, como coisa elementar; mas que tinha enve­lhecido, e que havia uma nova luz que ultrapassava de longe esse crepúsculo de verdade.

A Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeira manifes­tação da própria vida divina, dissipou todas essas orgulhosas pretensões, essas exaltações do espírito humano sob a influência do Inimigo, que não faz senão obscurecer a verdade, e que reconduziram o espírito dos homens às trevas de onde elas próprias saíram.

O que era desde o princípio do Cristianismo, isto é, na Pessoa de Cristo; o que eles tinham ouvido, o que tinham visto com os seus próprios olhos, o que tinham contemplado, o que tinham tocado com as suas próprias mãos da Palavra da Vida - eis o que o apóstolo declarava. Porque a própria Vida tinha sido manifestada! Esta Vida, que estava com o Pai, tinha sido manifestada aos discípulos. Poderia haver algo de mais perfeito, de mais excelente? Poderia haver um desenvol­vimento mais admirável, aos olhos de Deus, que o próprio Cristo, que esta Vida que estava no seio do Pai, manifestada em toda a Sua perfeição na Pessoa do Filho? Logo que a Pessoa do Filho é o objeto da nossa fé, sentimos que a perfeição teve de estar no princípio. A Pessoa do Filho, Vida Eterna manifestada em carne - tal é, pois, o tema desta Epístola.

Por conseqüência, a graça deve ser considerada aqui no que diz respeito à vida; enquanto Paulo a apresenta em relação com a justificação. A lei prometia a vida como consequência da obediência; mas a vida veio na Pessoa de Jesus, a vida em toda a sua perfeição divina, na sua manifestação humana. Oh!, como é preciosa esta verdade, que esta vida, tal como era junto do Pai, tal como era em Jesus, nos é dada! E em que relações ela nos coloca, pelo poder do Espírito Santo, com o Pai e com o próprio Filho! É isto o que o Espírito nos apresenta em primeiro lugar.

1 Tudo isto é, moralmente, muito importante; é enquanto isso está nEle, e não em mim mesmo, que eu me regozijo e faço as minhas delícias.  

Note-se como tudo é graça aqui. Mais à frente, o apóstolo põe bem à prova todas as pretensões à posse da comunhão com Deus, mostrando o próprio caráter de Deus - caráter do qual ele não pode nunca afastar­-se. Todavia, antes de abordar esta questão, ele apresenta o próprio Salvador e a comunhão com o Pai e com o Filho, por este meio, sem questão e sem modificação. É a nossa posição e a nossa alegria eterna.

O apóstolo tinha visto esta vida; tinha-a tocado com as suas próprias mãos; e escrevia aos outros anunciando-lho, a fim de que eles tivessem comunhão com ele no conhecimento da vida que tinha sido assim maniff4)tada2• Ora, visto que esta vida era o Filho, não podíamos conhecê-la sem conhecer o Filho, isto é, o que Ele era, sem entrarmos nos Seus pensamentos e sentimentos. De outro modo, Ele não é realmente conhecido. Era assim que nós tínhamos comunhão com Ele - com o Filho. Fato precioso: entrar nos pensa­mentos (em todos os pensa­mentos) e nos sentimentos do Filho de Deus, vindo em graça, e isto em comunhão com Ele, isto é, não só conhecendo esses pensamentos e esses senti­mentos, mas também parti­lhando-os com Ele. Com efeito, é a vida!

Mas nós não podemos ter o Filho sem termos o Pai. Quem O tinha visto a Ele, tinha visto o Pai; e, por conseqüência, quem tinha comunhão com o Filho, tinha comunhão com o Pai, porque os Seus pensamentos e os Seus sentimentos eram os mesmos. Ele está no Pai, e o Pai está nEle. Portanto, nós temos comunhão com o Pai. E isto é também verdade considerando este assunto sob um outro ponto de vista. Sabemos que o Pai acha todas as Suas delícias no Filho. Ora Ele concedeu-nos, ao revelar-nos o Filho, que encontrássemos nós também, fraquinhos como somos; as nossas delícias nEle. Eu sei, quando encontro as minhas delícias em Jesus - na Sua obediência, no Seu amor por Seu Pai e por nós, no Seu olhar simples e no Seu coração perfeitamente dedicado - que tenho os mesmos sentimentos, os mesmos pensamentos que o próprio Pai. Nisto o Pai encontra as Suas delícias, e não pode senão achar as Suas delícias naquele em Quem eu encontro agora as minhas; tenho comunhão com o Pai. É assim a respeito do Filho no conhe­cimento do Pai. Tudo isto decorre, quer sob um ponto de vista quer sob o outro, da Pessoa do Filho. Nisto se cumpre a nossa alegria. Que poderíamos nós ter mais, além do Pai e do Filho? Que felicidade mais perfeita do que uma identidade de pensamentos, de sentimentos, de alegrias e de comunhão com o Pai e o Filho, tirando toda a nossa alegria dEles mesmos? E se nos parecer difícil de crer, lembremo-nos de que, em boa verdade, nem poderia ser de outro modo, porque, na vida de Cristo, o Espírito Santo é a fonte dos meus pensamentos, dos meus sentimentos, da minha comunhão, e Ele não pode dar pensamentos diferentes dos do Pai e do Filho. Eles devem ser os mesmos na sua natureza. Dizer que são pensamentos de adoração, isso sucede na própria natureza das coisas, e não serve senão para a os tomar mais preciosos; dizer que são fracos e muitas vezes complicados, enquanto que o Pai e o Filho são divinos e perfeitos, é, é verdade, dizer que o Pai e o Filho são Deus, são divinos, e que nós somos fracas criaturas. Isto, seguramente, ninguém o negará. Mas, se o Espírito Santo deles é a fonte, devem ser semelhantes quanto à sua própria natureza.

2 A vida foi manifestada; portanto, já não temos de a procurar, de andar às apalpadelas atrás dela, nas trevas. Já não temos de sondar, à aventura, o vago ou a obscuridade dos nossos próprios corações, para a encontrarmos. Já não temos de trabalhar sem fruto sob a lei para a obtermos. Temo-la! Ela está revelada! Está lá, em Jesus, o Cristo! E aquele que possui Cristo, possui a vida.

Tal é, pois, a nossa posição cristã neste mundo, no tempo, pelo conhecimento do Filho de Deus, como diz o apóstolo:

"Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra".

Mas Aquele que era a Vida, que vinha do Pai, trouxe-nos o conhecimento de Deus3. a apóstolo tinha ouvido dos Seus lábios o que era Deus ­conhecimento de inestimável valor, que sonda o coração. E isto também João o anuncia da parte do Senhor aos fiéis. Eis a mensagem que tinham ouvido dEle, a saber: Deus é luz, e não há n'Ele trevas nenhumas. Quanto a Cristo, Ele falava do que sabia e dava testemunho do que tinha visto. Ninguém subiu ao Céu, senão a que desceu do Céu. Ninguém tinha visto a Deus. a Filho Unigênito, que está no seio do Pai, Esse a fez conhecer. Ninguém tinha visto o Pai, exceto Aquele que era de Deus; Ele tinha visto o Pai. Por isso Ele podia, de Seu próprio e perfeito conhecimento, revelá-La4. Ora, Deus era luz, a pureza perfeita, que manifesta ao mesmo tempo tudo o que é puro e tudo o que o não é. Para se ter comunhão com a luz é preciso ser-se luz, ser da mesma natureza da luz, e capaz de se poder ser visto na luz perfeita. A luz não pode ligar-se senão àquilo que é dela própria. Se houver algo que se misture com ela, a luz já não é luz. A luz é absoluta na sua natureza, excluindo tudo o que não for ela própria. Por isso, se dissermos que temos comunhão com Ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Neste caso, a nossa vida é uma perpétua mentira. Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, nós (os crentes fiéis) temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Eis os grandes princípios, os grandes traços da posição cristã. Estamos na presença de Deus, sem véu. É uma coisa real, um serviço de vida e de comportamento. Não é a mesma coisa que andar segundo a luz; é, sim, andar na luz. Quer dizer que este comportamento é, aos olhos de Deus, iluminado pela plena revelação do que Ele é. Isto não quer dizer que não haja pecado em nós; mas, andando na luz, estando a nossa vontade e a nossa consciência na luz, como Deus está na luz, tudo o que não responder à luz é julgado. Moralmente, vivemos e andamos no sentimento de que Deus está presente, e como conhecendo­-O. Assim, nós andamos na luz. A regra moral da nossa vontade é o próprio Deus - Deus conhecido. Os pensamentos que dirigem o coração vêm dEle mesmo e formam-se segundo a Sua revelação.

3 Veremos que, quando, nos seus escritos, João trata da graça para conosco, ele fala do Pai e do Filho; quando se trata da natureza de Deus ou da nossa responsabilidade, ele diz; Deus. João 3 e 1 João 4 podem parecer excepções, mas não o são. É o que Deus é, como tal, e não uma ação pessoal e uma relação em graça.
4 Quem O tinha visto a Ele, tinha visto o Pai; mas aqui o apóstolo fala de uma men-sagem e da revelação da sua natureza.

O apóstolo fala destas coisas sempre de uma maneira abstrata. Por isso diz: "Ele não pode pecar, porque é nascido de Deus", e isto mantém a regra moral desta vida; é a sua natureza; é a verda­de, na medida em que o homem é nascido de Deus. Não podemos ter outra medida deste fato, porque qualquer outra seria falsa. Infelizmente, isto não sucede se não formos sempre conse­qüentes; mas nós somos inconse­quentes! Se não estivermos nesse estado, não andamos de harmonia com a natureza que possuímos; estamos fora do nosso estado real, segundo essa natureza.

Além disso, andando na luz, como o próprio Deus está na luz, nós, crentes, temos comunhão uns com os outros. O mundo é egoísta. A carne, as paixões procuram a sua própria satisfação; mas, se eu andar na luz o EU (o egoísmo) não tem ali lugar. Posso gozar da luz e de tudo o que ali procuro, na companhia de outros, sem invejas nem ciúmes. Se um outro possuir algo de carnal, eu estou privado disso. Andando na luz, possuímos em conjunto o que Ele nos dá, e gozamos mais se participarmos nisso juntos. Isto é uma pedra-de-toque para tudo o que é da carne. Quanto mais estivermos na luz, mais gozaremos juntos com outros que ali estejam. O apóstolo, como dissemos, apresenta isto de uma maneira abstrata e absoluta. É o modo mais correto para se conhecer a própria coisa. O resto é apenas uma questão de realização.

Em terceiro lugar, o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado.

Andar na luz, como Deus está na luz; ter comunhão uns com os outros; ser purificado de todo o pecado pelo sangue de Cristo ­eis as três características da posição cristã. Sentimos bem a necessidade que temos da última porque, andando na luz, como Deus está na luz e (bendito seja Deus!) com uma revelação perfeita que nos deu de Si mesmo, com uma natureza que O conhece, que é capaz de O ver espiritualmente, como o olho é feito para apreciar a luz (porque nós participamos da natureza divina), não podemos dizer que não temos pecado. A própria luz nos contradiria. Mas podemos dizer que o sangue de Jesus Cristo nos purifica perfeitamente de todo o pecados. Pelo Espírito, gozamos juntos da luz. É a alegria comum dos nossos corações perante Deus, sendo-Lhe agradáveis; um testemunho à nossa comum participação na natureza divina, que é também amor. E a nossa consciência não é um impedi­mento para nós, porque conhe­cemos o valor do sangue. Não temos consciência do pecado em nós diante de Deus, embora saibamos que ele está em nós; mas temos o sentimento de estarmos purificados dele pelo sangue de Cristo. Todavia, esta mesma luz, que nos mostra tudo isso, impede-nos {se estivermos nela} de dizer que não temos pecados em nós. Enganar-nos­-íamos a nós mesmos se o disséssemos, e a verdade não estaria em nós; porque, se a verdade estivesse em nós, se esta revelação da natureza divina, que é luz, Cristo, a nossa vida, estivesse em nós, o pecado que está em nós seria julgado pela própria luz. Se o não for, esta luz - a verdade que diz as coisas como elas são ­não está em nós.

Se, porém, cometermos mesmo o pecado, e tudo, estando julgado segundo a luz, for confessado {de sorte que a vontade já ali não tome parte, estando aniquilado o orgulho dessa vontade), Ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda a iniquidade. Se dissermos, como verdade geral, que não temos pecado6, isso mostra não só que a verdade não está em nós, mas também que fazemos Deus mentiroso. A Sua Palavra não está em nós, porque Ele diz que todos pecaram. Há, portanto, estas três coisas: mentimos; a verdade não está em nós; fazemos Deus mentiroso.

5 Não nos é dito: "purificou", nem "purificará"; não é questão de tempo, mas sim de eficácia. Tal como eu poderia dizer que determinado medicamento cura a febre. Trata-se da sua eficácia.

6 Falando do pecado, o apótolo exprime-se no presente: "Nós temos"; falando do fato de pecar, emprega o passado. Não supõe que continuemos a fazê-Io. Tem-se perguntado se o apóstolo fala do primeiro encontro com o Senhor ou de faltas posteriores. Eu respondo: Ele fala de uma maneira abstrata e absoluta. A confissão traz o perdão por graça. Se trata do nosso primeiro encontro com Deus, é o perdão no seu sentido pleno e absoluto. Deus perdoou-me. Já não Se lembra dos meus pecados. Se trata de uma falta posterior, a honestidade do coração confessa-a sempre; temos então o perdão quanto ao governo de Deus, à condição presente e à relação da minha alma com Ele. Mas, aqui, o apóstolo, como em qualquer outro lugar, fala de uma maneira absoluta e do principio.

É esta comunhão com Deus na luz que, na vida cristã prática e diária, une inseparavelmente o perdão e o sentimento atual que dele temos pela fé e pela pureza de coração. Encontramos, pois, a posição cristã (v. 7), e as coisas que, de três maneiras diferentes, são opostas à verdade - à comunhão com Deus em vida. O apóstolo escrevia aos Cristãos acerca da comunhão com o Pai e com o Filho para que a alegria deles fosse cumprida.

 

O Forno do Oleiro