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"Estudos sobre a palavra de Deus” - II e III Joăo
"Estudos sobre a palavra de Deus” - II e III Joăo

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

Tradução de “Synopsis 0f the Books 0f the Bible - John Nelson Darby

SEGUNDA EPÍSTOLA DE S. JOÃO

A segunda e a terceira epístolas de S. João insistem sobre a verdade. A segunda adverte o fiel para não receber aqueles que não ensinam a doutrina de Cristo, especial­mente a verdade a respeito da Pessoa de Cristo. A terceira encoraja os crentes a receberem e a ajudarem aqueles que a ensinam. Estas duas epístolas (e, em particular, a segunda) insistem, pois, sobre "a verdade".

O apóstolo amava "na verdade" essa senhora eleita, tal como o faziam aqueles que tinham conhecido a verdade; e isto por amor a verdade. Deseja-­lhe a bênção em verdade e em amor. Alegra-se por ter encontrado alguns dos seus filhos andando na verdade. Desejava que os Cristãos tivessem um amor mútuo entre si um verdadeiro e santo amor, e ' que guardassem os manda­mentos, porque muitos engana­dores tinham entrado no mundo. Ora, todo aquele que transgredia e não permanecia na doutrina de Cristo, não tinha Deus. João termina a sua epístola, da qual demos um resumo quase completo, exortando essa senhora, no caso de algum vir e não trazer essa doutrina, a não receber uma tal pessoa em sua casa e a não lhe dizer: "Deus vos abençoe", ou "Deus seja convosco", ou "eu vos saúdo", porque fazer isso seria participar do mal que essa pessoa fazia.

A falsa doutrina, que corria nesse momento, era a negação da verdade de Cristo, vindo em carne; mas o apóstolo diz, em geral, que se alguém transgredia e não permanecia na doutrina de Cristo, não tinha Deus.

Aprendemos várias coisas importantes nesta pequena epístola. A missão de um homem, que percorresse o mundo, para pregar o Evangelho de Cristo, não era nunca posta em causa, mas sim a doutrina que ele anunciava: Se ele anunciava a sã doutrina, era bem-vindo.

Uma mulher, tendo a Palavra - como nesta epístola, por exemplo - era capaz de julgar a doutrina que eles trazia, e tinha mesmo a responsabilidade de o fazer. O apóstolo queria que se mantivesse um rigor inexorável, se a doutrina quanto à Pessoa de Cristo fosse atingida. Queria que se fechasse a porta a todo aquele que falsificasse esta doutrina, e que nem mesmo se lhe dissesse: "Eu te saúdo", porque quem se misturasse com essa pessoa participava da sua má obra. Se o fizesse, estaria ajudando as seduções de Satanás.

Aliás, a aparência do amor, que não mantém a verdade, e se acomoda ao que lhe convém, não é amor segundo Deus; é aproveitar do nome de amor para favorecer os enganos de Satanás. Nos últimos dias, a pedra-de-toque do verdadeiro amor é a manutenção da verdade. Deus quer que nos amemos uns aos outros; mas o Espírito Santo, por cujo poder recebemos esta natureza divina e que derrama o amor de Deus em nossos corações, é o Espírito de verdade, e tem por missão glorificar a Cristo. Assim, é impossível que um amor, que toma partido por uma doutrina que deturpa Cristo, sendo indiferente à Sua doutrina, seja do Espírito Santo - e ainda menos se essa indiferença for posta à frente como prova desse amor.

A doutrina da recompensa e coroa de glória que o obreiro possui nos frutos do seu ministério é apresentada sob uma luz muito impressionante no versículo 8. Esta segunda epistola põe os Cristãos em guarda contra tudo o que é equívoco a respeito da Pessoa de Cristo, e exorta-nos a mantermos uma firmeza inabalável sobre este ponto.

 

TERCEIRA EPÍSTOLA DE S. JOÃO

A terceira epístola exorta o crente à prática da hospitalidade, quer para com os irmãos conhecidos, quer para com os desconhecidos, e de todos os cuidados benevolentes que podem favorecer a sua viagem quando partem, contanto que venham com a verdade e por amor da verdade, sem salário e sem provisão. Gaio recebia-os, ao que parece, e ajudava-os ao mesmo tempo em sua casa e para a viagem. Diótrefes, pelo contrário, não gostava desses estranhos, que iam por toda a parte, sem uma missão formal e sem meios visíveis de subsistência. Tinham saído por amor do Nome do Senhor e nada tinham recebido dos Gentios. Se, realmente, eles vinham por amor desse Nome, faziam bem ao recebê-los.

Mais uma vez o apóstolo insiste sobre a verdade como caracterizando o verdadeiro amor: "a quem, em verdade, eu amo", diz ele a Gaio. Regozijava­-se quando os irmãos (penso tratar-se daqueles que Gaio recebera em sua casa e dera ajuda para as suas viagens) prestavam testemunho à verdade que estava nele, como, com efeito, ele andava na verdade. O apóstolo não podia ter maior alegria do que aquela: saber que os seus filhos andavam na verdade. Ao receber aqueles que saíam para pregarem a verdade, ajudava-se a própria Verdade; era-se seu colaborador. Diótrefes não queria saber disso; não SÓ recusava receber esses pregadores itinerantes, mas também excomungava aqueles que os recebiam. Reclamava toda a autoridade para si mesmo; e o apóstolo diz que não se esqueceria disso. Deve-se praticar o bem. "Aquele que pratica o bem procede de Deus".

Quanto à Verdade, João vai tão longe que diz que ela própria dá testemunho a Demétrio. Penso que Demétrio a tinha propagado, e que o estabeleci­mento e o fortalecimento da verdade por toda a parte - pelo menos lá, onde ele tinha trabalhado eram um testemunho a seu respeito.

Esta insistência com que o apóstolo volta à verdade, como pedra-de-toque para os últimos dias, é muito notável. E o mesmo se dá com essas viagens de pregadores, realizadas por pessoas que não recebiam nada dos Gentios, deixando a Deus o cuidado de os fazer receber por aqueles que tinham a verdade no coração - sendo a verdade o seu único passaporte entre os Cristãos, e o único meio pelo qual o apóstolo podia garantir os fiéis. Parece não haver dúvidas de que esses homens eram Judeus de raça, porque João diz:

"Nada recebendo dos Gentios"· o apóstolo estabelecia, pois, distinção. Faço notar isto porque, sendo assim, a força da expressão" não somente pelos nossos" (1 João 2:2) torna-se simples e evidente - o que não sucede com todos. João, do mesmo modo que Paulo, estabelece a diferença entre "nós", Judeus, e os outros, embora todos sejam UM em Cristo. Podemos notar ainda que o apóstolo se dirige à assembléia, e não ao chefe Diótrefes; e que era esse diretor que, amando a preeminência, resistia às suas palavras - o que a assembléia, ao que parece,  não estava disposta a aceitar.

Gaio perseverava na sua piedade, apesar da autoridade eclesiástica (qualquer que fosse o seu direito, ou pretendido direito) que Diótrefes evidentemente exercia, pois expulsava pessoas da assembléia.

Em seguida o apóstolo anuncia que, quando fosse, mostraria o seu real poder (tal como Paulo). Não reconhecia em si mesmo uma autoridade eclesiástica que pudesse levar remédio para essas coisas por uma simples ordem. Estas epístolas são muito notáveis sob este aspecto. Quanto àqueles que se deslocavam para pregar, a única arma de que o apóstolo dispunha, ainda que se tratasse de uma mulher, era chamar a atenção sobre a verdade. A autoridade do pregador estava inteiramente na verdade que ele anunciava. A sua competência era outra questão. O apóstolo não conhecia nenhuma autoridade que sancionasse a missão deles - e bastaria essa ausência para demonstrar que a pretendida autoridade de Diótrefes era falsa, ou, pelo menos, não autorizada. Toda a questão da recepção dessas pessoas jazia na doutrina que eles anunciavam. Não havia, para o apóstolo, outro meio de julgar da autoridade da missão deles; não havia outro, porque, se o houvesse, essa autoridade teria emanado dele. Ele teria podido dizer: "Onde estão as provas da sua missão?". Mas João não conhecia outras além desta: Trazem eles a Verdade? Se a trazem, faz eis bem em os receber, apesar de todos os Diótrefes do mundo; se a não trazem, nem sequer os saudeis! ...

 

"Estudos sobre a palavra de Deus” - Judas