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“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS” - II PEDRO 2 e 3
“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS” - II PEDRO 2 e 3

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

Tradução de ”Synopsis of the Books of the Bible – Jonh Nelson Darby

SEGUNDA EPÍSTOLA DE S. PEDRO – CAPÍTULO 2 e 3

O primeiro capítulo da segunda epístola de Pedro nos tem ensinado, por assim dizer, acerca do aspecto divino da posição cristã, e esta foi comunicada pelo apóstolo para instrução, nestes últimos dias, aos crentes da circuncisão. Os dois capítulos seguintes nos apresentam, por outro lado, as duas formas de mal que caracterizam os últimos dias: os falsos e corruptos ensinamentos de homens perversos e a incredulidade que nega o retomo do Senhor em virtude da estabilidade da criação visível. Os primeiros realmente negam o Mestre que os comprou. A questão aqui não é sobre o título do Senhor, nem sobre a redenção; antes, o apóstolo está fazendo uma comparação: um senhor comprou escravos no mercado, e eles o rejeitam e se recusam a obedecê-Io. Assim, haveria entre os judeus convertidos falsos mestres que negavam a autoridade de Cristo - os Seus direitos sobre eles. Muitos seriam conduzidos por eles e, como levavam o nome de cristãos, o caminho da verdade seria infamado; enquanto esses falsos mestres, efetivamente, pela sua avareza e palavras fictícias, fariam comércio dos cristãos para seu próprio proveito, considerando-os meros instrumentos. Mas a fonte da fé está sempre em Deus. O juízo sobre os tais está lavrado há muito tempo. Os exemplos dos anjos caídos, de Noé e o dilúvio, de Ló e Sodoma, provam que o Senhor sabe livrar o justo da provação e reservar os injustos para o Dia de Juízo.

O que caracterizaria esta classe de malfeitores seria o seu desenfreado procedimento libertino. Eles satisfaziam a sua luxúria carnal e menosprezavam qualquer autoridade, de um modo que anjos não ousariam fazer. Eles ainda se denominavam cristãos e se associavam com os cristãos em suas festas de confraternização, enganando o próprio coração, entregando-se continuamente ao mal, prometendo a outros liberdade, mas sendo eles mesmos escravos da corrupção.

Enredar-se assim outra vez no mal, depois de ter escapado dele mediante o conhecimento do Senhor e Salvador, era pior do que nunca ter conhecido coisa alguma do caminho da verdade. Mas isso estava de acordo com o verdadeiro provérbio - "O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal". Por isso eles eram apóstatas; mas aqui o Espírito de Deus não salienta a apostasia tanto como o mal, porque o governo de Deus ainda está em vista. Em Judas, sim, a apostasia é a coisa proeminente. Pedro nos fala que os anjos pecaram; Judas, que eles "não guardaram o seu estado original". Mas Deus julgará o perverso.

 

CAPÍTULO 3

O último capítulo, como dissemos, aborda o materialismo: confiança na estabilidade daquilo que pode ser visto, em contraste com a confiança na Palavra de Deus, que nos ensina a esperar a vinda de Jesus, o retomo do Senhor. Os apóstatas julgam pelos sentidos. Não há, dizem eles, nenhum indício de mudança (v. 3-4). E este não é o caso. Aos olhos do homem, de fato, é verdadeiro que não há nenhum indício. Mas estes incrédulos eram obstinadamente ignorantes do fato de que o mundo já tinha sido julgado uma vez; que a água, da qual a Terra veio a existir pela poderosa palavra de Deus, por um momento a destruiu novamente, perecendo todos, com exceção daqueles que Deus preservou na arca. E, pela mesma palavra, os céus e a terra que agora existem estão reservados para o "Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios" (v. 5-7). Não é que o Senhor seja relapso no cumprimento da promessa do Seu retomo, mas é que Ele ainda está exercitando Sua graça, não desejando que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento. "Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia." Mas o dia do Senhor virá, no qual todas as coisas passarão, e os elementos se desfarão com o calor abrasador e tudo o que há na Terra será consumido (v. 10). Consideração solene para os filhos de Deus, e que isto os mantenha em completa separação do mal e de tudo o que é visto, esperando e apressando o dia no qual os céus serão desfeitos, e os elementos se derreterão com o calor abrasador! (v. 11-12). Tudo aquilo no qual estão fundadas as esperanças da carne desaparecerá para sempre.

Não obstante, haverá novos céus e nova terra, na qual habitará a justiça. Não é dito aqui "reinará", que seriam os mil anos do domínio do Senhor; mas, sim, o estado eterno, no qual o governo, que colocou todas as coisas em ordem, terminará; e bênçãos sem medidas fluirão de Deus, o reino será entregue a Deus o Pai.

Pedro discorre assim sobre os caminhos de Deus em governo chegando até o estado eterno, no qual a promessa será finalmente consumada. O próprio milênio seria a restituição da qual os profetas haviam falado; e, moralmente, os céus e a terra estarão então mudados devido ao aprisionamento de Satanás e ao reinado de Cristo:

Jerusalém será convertida em alegria e o Seu povo em júbilo (Isaías 65:17-18); os céus serão, de fato, completamente purificados em poder, e nunca mais profanados por Satanás; os santos estarão acima no seu estado eterno, e a terra também será libertada, mas ainda não finalmente livre. Porém, materialmente falando, a dissolução dos elementos era necessária para a renovação de todas as coisas.

Observamos que o Espírito não fala aqui da vinda de Cristo, exceto para dizer que ela será ridicularizada nos últimos dias. Ele fala do dia do Senhor em contraste com a confiança que os incrédulos têm na estabilidade das coisas materiais da criação, embora, como demonstra o apóstolo, estas coisas dependam da palavra de Deus. Naquele dia, tudo em que os incrédulos descansavam e ainda descan­sarão será desfeito e acabará. Isto não será o começo do dia, mas o seu término; e aqui podemos estimar que este dia, conforme as palavras do apóstolo, durará mil anos, ou qualquer longo período que o Senhor achar conveniente.

A consideração da solene extinção de tudo em que a carne descansa deveria levar-nos, por assim dizer, a andar de um modo que, quando o Senhor vier para introduzir este dia, sejamos "achados imaculados e irrepre­ensíveis em paz", considerando a aparente demora apenas como a graça de Deus sendo exercitada para a salvação de almas. Nós bem podemos esperar, enquanto Deus faz uso deste tempo para resgatar vidas do juízo eterno, conduzindo-as ao conhecimento dEle mesmo e salvando-as com uma salvação eterna. Isto, diz o apóstolo, tinha sido ensinado por Paulo, que escreveu aos crentes hebreus acerca destas coisas, como também o fez em suas outras epístolas.

É interessante ver que Pedra, que tinha sido abertamente repreendido por Paulo diante todos (Gálatas 2:11-14), apresenta-o aqui com todo afeto. Ele salienta que as epístolas de Paulo contêm uma doutrina excelente, deturpada por aqueles que eram instáveis e não ensinados de Deus. Pedro realmente não abordou os pontos que Paul havia tocado; contudo, isto não era um impedimento para ele se referir aos escritos de Paulo, reconhecendo-os como integrantes das Escrituras: "como também ... as demais Escrituras" , diz ele. Este é um importante testemunho; e, aliás, confere o mesmo caráter aos escritos de um homem que pode assim falar.

Que os cristãos estejam atentos e não permitam ser seduzidos pelo "engano dos homens abomináveis". Antes, que se esforcem por crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória agora e para todo o sempre. Amém!

 

 A Primeira Epístola de João