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Os "altos" em Israel
Os "altos" em Israel

Os "altos" em Israel

 

A ligação entre a adoração e a do Senhor

O ponto central do culto em Israel era, sem dúvida alguma, a tenda da congregação, com destaque para o seu altar do holocausto e a arca da aliança.

Nos dias de florescimento espiritual do povo de Israel sob Josué, eles compreendiam espontaneamente que qualquer outro centro, um outro altar que não fosse "o altar do SENHOR, nosso Deus", se constituía num grave erro (Js 22:19). Significava romper a unidade do culto a Deus. As duas tribos e meia, que haviam edificado "um altar grande e vistoso" , não possuíam a arca da aliança, o símbolo da presença de Deus. Contudo as circunstâncias daquela ocasião puderam ser contornadas, e o perigo de uma divisão foi momentaneamente afastado.

Mais tarde, sob o reinado de Davi, a arca da aliança foi trazida de volta para Jerusalém, pois o rei a amava, mas a tenda da congregação e o altar do holocausto continuavam em Gibeom: o perigo era novamente iminente.

Mas Davi tinha a arca da aliança em alta estima (vide Salmo 132), e zelou por associar o culto a Deus que se rendia perante a arca da aliança com os sacrifícios que se apresentavam sobre o altar de bronze no alto que estava em Gibeom (1 Cr 16:37-43). Desta forma ele manteve a unidade do culto a Deus.

Um pouco depois Davi levanta um altar na eira de Ornã, o jebuseu, atendendo às instruções de Deus. Ali ele ofertou holocaustos e sacrifícios pacíficos. Vejam que seu Deus não o deixou por muito tempo sem um altar que estivesse associado à arca da aliança. E com isto aquele lugar alto de Gibeom perdeu o seu valor e importância.

Parece que Salomão, no início de seu reinado, não teve consideração pela unidade do culto rendido a Deus. "Foi o rei a Gibeom para lá sacrificar, porque era o alto maior" (1 Re 3:4). Ele vai para o lugar que o seu pai havia deixado quando compreendeu os pensamentos de Deus. Ali ele oferece mil holocaustos, mas não tem a arca da aliança. É verdade que Deus lhe atribui um bonito testemunho: "E Salomão amava ao SENHOR" (v. 3), mas isso não impede uma certa reserva do Espírito de Deus, que sublinha: "porém sacrificava ainda e queimava incenso nos altos". Nisto Salomão não se elevou acima do nível geral em que se encontrava o povo: "Entretanto o povo oferecia sacrifícios sobre os altos" (v. 2).

Não se tratava de uma idolatria, mas era a dispersão do culto a Deus em Israel - uma prática muito perigosa, que Deus tolerou até à época em que a construção do templo invalidou qualquer pretexto que fosse levantado.

Parece que após o sonho em Gibeom Salomão passou a compreender os pensamentos de Deus. Vejam como a comunhão opera o discernimento! Ele então deixou Gibeom e "veio a Jerusalém, pôs-se perante a arca da Aliança do SENHOR, ofereceu holocaustos e apresentou ofertas pacíficas" (1 Re. 3:15). O seu culto a Deus finalmente está sendo feito em ligação com a presença de Deus!

O povo, contudo, prossegue com a sua prática estabelecida, e - vejam que séria constatação! ­esses lugares em que se ofertava ao SENHOR aos poucos vão se tornando em lugares de idolatria sem que se dê conta disso.

Aparentemente o povo nem se entregou a práticas diferentes que aquelas do início do governo de Salomão. Mas ao contemplar as inúmeras ocorrências dos "altos" na história de Israel, nos sentimos constrangidos ao deparar com as expressões tantas vezes empregadas pelo Espírito de Deus: "os altos, porém, não foram tirados" (1 Re 15:14; 22:44; 2 Re 12:3 etc.). "Ainda o povo sacrificava e queimava incenso nos altos" (1 Re 3:2-3; 22:44; 2 Re 12:3; 14:4: 15:4,35 etc.).

Observando mais atentamen­te, constatamos que somente os reis ímpios edificaram "altos": Jeroboão (1 Re 12:31); Roboão (e também o povo em seus dias, 1 Re 14:23); Jeorão (2 Cr 21:11); Acaz (2 Cr 28:25); Manassés (2 Cr 33:3). E foram somente os reis piedosos que destruíram os altos: Asa (2 Cr 14:3); Josafá (2Cr 17:6); Ezequias (2 Cr 31:1); Josias (2 Re 23:5,8,13,15; 2 Cr 34:3).

No entanto, após o profundo arrependimento de Manassés, esses "altos" adquiriram temporariamente um caráter diferente. Lê-se, então: "Contudo o povo ainda sacrificava nos altos, mas somente ao SENHOR, seu Deus" (2 Cr 33:17).

Mas esta não era a intenção original de Deus. Em Deuteronômio 12 consta claramente: "Destruireis por completo todos os lugares onde as nações... serviram aos seus deuses, sobre as altas montanhas, sobre os outeiros... (v. 2). E ainda: "...mas buscareis o lugar que o SENHOR, vosso Deus, escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o Seu nome e a sua habitação ... " (v. 5). Um único lugar para as reuniões e para o culto a Deus!

Não é difícil discemir o pro­veito prático destas comunicações todas. Não basta saber se num certo lugar há cristãos que se reúnem para adorar a Deus. A pergunta mais importante é, se a "arca da aliança" se encon­tra ali, ou, por outras palavras, se as reuniões são feitas ao redor do Senhor Jesus. O que importa é que a Sua presença realmente seja o aspecto fundamental das reuniões.

Certamente é possível adorar sobre os "altos" sem a arca da aliança. Porém mais cedo ou mais tarde esta adoração irá se degenerar; foi isso que a Palavra de Deus nos demonstrou. Não encontramos em nosso dias a mesma fraqueza, a mesma falta de discemimento, justamente ali onde se tem manifestado o desejo de render adoração? Por que? Cada um escolhe o seu "lugar alto" sem prestar maior atenção à presença da "arca" (a saber, Cristo). Cada um levanta o seu" altar" sem considerar que desde a cruz, como outrora desde Moriá, somente pode haver um único centro para a unidade do povo de Deus.

"Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18:20).

 

O único lugar

"O lugar que o SENHOR, vosso Deus, escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome e sua habitação; e para lá ireis. A esse lugar fareis chegar os vossos holocaustos" (Deuteronômio 12:5-6).

Todos os cristãos deveriam levar a sério a necessidade de refletir sobre o texto bíblico acima. O israelita não tinha a liberdade de ir adorar a Deus em qualquer povoado de sua terra, Dã, Betel ou Siquém; o único lugar que podia buscar era aquele onde Deus havia colocado Seu nome.

Atualmente são muitos os lugares que se arrogam o direito à religião cristã. Muitas pessoas, até as convertidas, não tomam o cuidado acerca disso; vão cumprir seus deveres religiosos aqui ou ali, segundo seu próprio ensinamento, segundo seu agrado, ou simplesmente segundo os costumes familiares.

Mas nós devemos buscar "o lugar" onde o Senhor coloca o Seu nome. Não nos demos por satisfeitos e, sobre tudo, não pensemos que Ele possa estar ali enquanto não tivermos a segurança de haver achado o lugar que Ele deseja e onde Se encontra (para invocá-LO e adorar com os demais).

Agora bem, examine cuidadosamente os ensi­namentos do Novo Testamento a esse respeito e assim se convencerá, tanto mediante os ensinamentos de Jesus como pelos dos apóstolos inspirados e pelos relatos encontrados em Atos, que nenhuma outra indicação nos é dada que possa chegar mais profundamente no coração dos crentes que esta:

"Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mateus 18:20).

Reunimo-nos ao nome do Senhor Jesus? Sentimos Sua presença em meio dos que se encontram reunidos em Seu nome?

 

O Lugar do Senhor

"Três vezes no ano, todo varão entre ti aparecerá perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que escolher... porém não aparecerá de mãos vazias perante o SENHOR" (Deuteronômio 16:16).

Que diferença haveria nas nossas reuniões se nós não aparecêssemos "de mãos vazias perante o SENHOR". Se tivessem?s nos ocupado com Cristo, o nosso coração estaria preenchido de impressões colhidas desta maravilhosa Pessoa, e Ele, então, receberia Sua porção entre os santos reunidos. Nossos louvores subiriam ao trono de Deus como aroma suave (Efésios 5:2). Ninguém se manifestaria precipitadamente e nem haveria longas e indesejáveis pausas, mas uma tranqüila espera em Sua presença. Nenhuma voz seria ouvida exceto aquela dirigida pelo Espírito Santo. Quanta alegria teria Aquele que recebe o louvor e a adoração dos corações redimidos!

O lugar adequado para aparecermos assim perante o Senhor é aquele fora do arraial religioso, pois é ali onde Ele está (Hebreus 13:11-13). A característica deste lugar é que ali está prometida a presença do Senhor: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mateus 18:20). Para sermos achados num estado de bênção e de obediência, devemos estar onde Sua presença é assegurada. Assim nos é dito:

"Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo lugar que vires; mas no lugar que o SENHOR escolher... e ali farás tudo o que te ordeno" (Deuteronômio 12:13-14).

É no lugar que o Senhor escolher que Ele receberá Sua porção, e Seu povo será alimentado e nutrido (enquanto deixarem o Espírito de Deus livre para ministrar por quem quiser escolher).

Neste lugar há perfeita ordem, porque Ele ordena tudo. Nada de planejamento ou ordem humana é encontrado ali. É um amplo lugar com espaço suficiente para todos os que desejam obedecer à Palavra de Deus. Durará até nossa reunião na casa do Pai. Lá nosso Senhor Jesus será o objeto de nossa adoração e a razão e o tema de nosso incessante louvor.

 

Henri Rossier

 

A unidade dos filhos de Deus