Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

A Segunda Vinda de Cristo (Parte 1)

1 Tessalonicenses 1

por J.N. Darby

 

Quero chamar a atenção do leitor para o fato que a vinda do Senhor Jesus Cristo é a própria esperança da Igreja e mostrar como este assunto é constante e frequentemente posto diante dela pelo Espírito Santo.

Logo que a primeira vinda do Senhor foi posta como o fundamento de paz e salvação pessoal e, mesmo antes, como o meio de despertar a consciência, os crentes foram instruídos para esperar a Sua vinda. Sem dúvida, a primeira coisa que a alma precisa de conhecer é o fundamento da salvação. Logo que isso é conhecido, o Senhor torna-se precioso para o crente, como acontecia quando a Igreja se encontrava em estado vigoroso — em que o coração de cada crente estava posto nEle e esperava a Sua vinda. E agora nós precisamos compreender (como espero mostrar, pelas Escrituras, que era o caso com os crentes) que a vida de Cristo não é uma especulação estranha ou ideia avançada de alguns, mas uma esperança que foi dada a Igreja como verdade fundamental e elementar: que fazia parte dos seus hábitos e sentimentos e acompanhava todos os seus pensamentos. Era e é a pedra angular de tudo que mantem o coração neste lugar solitário (considerando-o como de viagem através do deserto); e, com o coração cheio de amor por Deus e de desejo de ver Cristo, nós podemos apreciar as palavras da oração do apostolo por nós, “O Senhor encaminhe os vossos corações na caridade de Deus e na paciência de Cristo”. Não temos de esperar muito tempo, e vale bem a pena esperar.

Podemos ver também como o ensino das Escrituras quanto à Segunda vinda de Cristo lança maravilhosa luz sobre o valor da Sua primeira vinda. Porque a Sua segunda vinda, pelo que respeita ao crente, é para completar, no que diz respeito aos seus corpos, de modo a introduzi-los no pleno resultado da salvação, a obra de poder transmissor de vida que Cristo realizou em suas almas, com base no direito pleno de justiça que efetuou por eles na cruz. Vem para os levar para Si mesmo, para que onde Ele estiver eles estejam também — para transformar os seus corpos abatidos à semelhança do Seu corpo glorioso. Para os santos a ressurreição é ressurreição de vida, não de juízo. É ressurreição em glória, ou transformação nesse estado pelo poder do Senhor, daqueles que já estão vivificados e justificados. Quando as pessoas, mesmo crentes, pensam no juízo e dizem como Marta disse de seu irmão, “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia”, esquecem o julgamento dos ímpios; que é então, o julgamento do mundo: serão todos surpreendidos a comer e beber: “Então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão”. As pessoas não gostam disto. Supõem o julgamento um vago período indefinido, quando, esperam, tudo acabará em bem. Imaginam que o seu estado eterno será então decidido, segundo esperam, para seu bem. Há de haver certamente julgamento; porém todos os seus cálculos sobre ele estão errados. O assunto é resolvido agora. “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está”.

Se aceitamos o testemunho das Escrituras, tudo se torna tão simples quanto possível. Sabemos que a primeira vinda de Cristo para fazer a vontade do Pai foi completa na sua eficácia, que aqueles que pertencem a essa primeira vinda, que te parte pela fé na sua eficácia, estão limpos, justificados e perdoados em virtude dela; e que quando Ele vier a segunda vez, vem para os levar à glória. Desde o momento em que me convenço que a segunda vinda é, quanto aos crentes, para os levar para si mesmo, no próprio momento em que vejo que a Sua segunda vinda é para introduzir a glória, para nos transformar à Sua semelhança e ter consigo, então a segunda vinda altera tudo, em vez de ser uma coisa sem importância.

Creio que a Morte é a coisa mais bem-aventurada que pode acontecer a um cristão; mas não é o que espero. Espero ver a Cristo. Ele pode vir amanhã como esta noite ou neste momento. Os vossos projetos não seriam todos inutilizados? Suponhamos que uma mulher está a espera que seu marido regresse de uma viagem; não terá o cuidado de ter tudo pronto para a sua chegada?

Outra coisa que tenho verificado ser especialmente abençoada é que isto liga-me tão intimamente com Cristo que não penso apenas em ir para o céu e ser feliz — um pensamento vago.  Claro que seria perfeitamente feliz: certamente seremos felizes. A presença divina será uma bênção eterna. Porém esta para vir um a quem eu conheço, que me ama, que se deu a Si mesmo por mim e a quem aprendi a amar; e estarei com Ele para sempre. Cristo torna-se assim mais em evidência e objetivo dos nossos pensamentos. Nada é tão poderoso como a Escritura para todas as coisas. Trata com a alma no poder da luz divina. Revela Cristo, conduzindo o parecer do coração à Sua presença. Prova os pensamentos do coração mostrando o que são de verdade.

Existem três maneiras em que Cristo é apresentado nas Escrituras: na cruz, na sua primeira vinda; assentado a destra de Deus; e vindo outra vez. Na primeira pôs o fundamento de tudo que tenho nEle. O fundamento estava na Cruz, e agora Ele está assentado à destra de Deus, e enviou o Espírito Santo, o Consolador, enquanto espera o momento da Sua vinda, para dar àqueles em quem habita a plena certeza de fé quanto à eficácia da Sua obra e da sua própria redenção. O amor de Deus e sua própria adoção levam-nos a desejar com ardente esperança a Sua vinda.

Tendo dado assim uma ideia geral do lugar que a vinda de Cristo ocupa nas Escrituras, citarei algumas passagens em diferentes partes da Palavra de Deus, sem, contudo, entrar na sua explicação, por agora, com o fim de mostrar que é a grande verdade da Escritura e que todos os pensamentos, sentimentos, esperanças e interesses do povo de Deus estão ligados com ela — como não só não é uma ideia falsa, mas como não é uma ideia rara ou estranha. Antes pelo contrário, como faz parte de toda a estrutura de sentimento cristão.

Assim em Tessalonicenses 1:9-10 “Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura”. Aqui vemos que o mundo falava desta expectativa dos cristãos: tão segura era sua expectativa e tão forte a influência que exercia em sua conduta diária. Eles (os discípulos) esperavam o Filho de Deus dos céus. Esta esperança fazia parte do proposito com que os gentios eram convertidos, de forma que o mundo tomava conhecimento do fato. No capítulo 2:19, lemos também, “Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória?” É maravilhoso ver como Paulo sentia afeto pelos crentes. Mas quando esperava ele que esse afeto se realizasse em bênção para eles? Na vinda de Cristo. Por outro lado, quanto a santidade vamos exatamente a mesma coisa no capítulo 3:12-13. “E o Senhor vos aumente, e faça crescer em amor uns para com os outros, e para com todos, como também o fazemos para convosco; para confirmar os vossos corações, para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os seus santos.” A vinda de Cristo e a Sua vinda com todos os santos, de forma a conceder uma só coisa, estava tão perto do seu espírito que ele desejava que eles fossem encontrados então perfeitos como era o objetivo de seu coração. No capítulo 4:13-18. “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim, também, aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitaram primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”. Vemos, assim, que a vinda do Senhor estava longe de ser uma doutrina estranha, pois, embora o apostolo não pudesse pensar na morte do cristão sem ter a vista o fato que ia para o céu, contudo, não é este o conforto que ele dá, mas, sim, o regresso com Jesus.

Notemos, primeiro, prezado leitor, a plena certeza expressa aqui igualmente para os crentes que vivem e os que morreram. Embora muitas pessoas precisam em dizer que nada podemos saber nesta vida, o apóstolo fala dos vivos e dos mortos. A primeira vinda de Cristo realizou de tal maneira a redenção, tirando o pecado, que a Sua segunda vinda representa glória em Sua presença para os crentes que morreram e os que vivem. Mas vejamos o lugar que a vinda do Senhor ocupa em seus espíritos. Se eu procurasse confortar os familiares de um crente que tivesse partido para esta com Cristo dizendo-lhes que Deus o tornaria a trazer com Jesus na Sua vinda, que pensariam eles de mim? Que eu era louco ou rude. E, todavia, é este o conforto que Paulo dá aos Tessalonicenses, e não outro, apesar de em outras passagens da Escritura ensinar claramente que a alma do crente vai para o céu quando ele morre.

Estes pensamentos mostram como a vinda do Senhor estava então incluída em cada pensamento e sentimento do cristianismo. Assim também no seu desejo pelos crentes no capítulo 5:23. “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis, para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Mas o mundo rejeita esta mensagem, e a Igreja, tornando-se mundana, perdeu de vista o seu valor. Mas não era assim com os primeiros discípulos: os seus corações estavam ligados ao seu Senhor e desejavam vê-Lo e serem semelhantes a Ele. Esperavam a todo o momento o Filho de Deus do céu. Abordei estas passagens não apenas para provar a doutrina, mas para demonstrar a maneira como ela está ligada a toda a vida cristã.

Retrocedemos agora para ver o testemunho das Escrituras acerca desta doutrina e os diversos aspectos que ela toma. Primeiro em Mateus 24:30-31. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens d céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”.

Quando os discípulos interrogam o Senhor acerca do tempo em que estas coisas devem acontecer, Ele diz-lhes que devem vigiar. E no versículo 44 adverte-os, “estai vós apercebidos, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não pensais”. Mas, nas parábolas seguintes, a respeito dos cristãos, vai mais longe.

O sinal do mau servo é dado no fato que ele diz em seu coração “e meu senhor tarde virá” e começa imediatamente a comer e beber com os ébrios. Eles perdem a esperança da Igreja e afundam-se no poder da hierarquia e no mundo, no conforto e nos prazeres. Mas o noivo tardou, de fato, e a Igreja perdeu a esperança de Cristo e o fruto dela nas suas almas.

“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo” (Mateus 25:11). Aqui temos a essência da chamada da Igreja, saíram. Mas enquanto o esposo tardava tosquenejaram todas e adormeceram, tanto as prudentes como as loucas — verdadeiras e professas — sem exceção. Perderam tosas a noção do motivo com que tinham saído, e desistiram de vigiar. E o que foi que as despertou do estado de sonolência em que haviam caído? “Mas, a meia noite, ouviu-se um clamor; aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro” (verso 6). Tiveram que ser chamadas outra vez; tinham-se alojado em qualquer parte do mundo, para poderem dormir mais confortavelmente — o mesmo lugar em que a igreja professa está comendo e bebendo com os ébrios, e o brando é, creio, feito outra vez, “Ai vem o esposo”. O que fez com que a Igreja se afastasse do fim para que foi chamada foi o dito (precisamente como dizem agora as pessoas, mesmo cristãos) “o Senhor tarda a vir”. Não dizem que não virá, mas que demora em vir; não O esperam.

Vou omitir Marcos, não porque não haja nele muitas passagens sobre o assunto, mas porque o que encontramos nele é praticamente o mesmo que encontramos em  Mateus. Portanto, vou prosseguir com Lucas 12: 35-38, “Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias.  E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos”. Nota-se que a esperança da vinda de Cristo é o que caracteriza o cristão, segundo o pensamento de Cristo. Os homens falam da morte, mas a morte não é o meu Senhor.

Encontramos o mesmo pensamento em Lucas 17:22-37, cuja passagem não adverte as pessoas quanto ao pecado, mas acerca do pensamento impuro de que o mundo pode continuar indefinidamente. Assim que Noé entrou na Arca, o dilúvio veio e destruiu a todos. Logo que a Igreja for arrebatada, satanás incutira a mentira nos homens, e então virá o juízo. “E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar.” Nota-se a impossibilidade de aplicar esta passagem ao grande trono branco. Quando o Senhor se assentar no grande trono branco os céus e a terra desaparecem; a destruição de todas as coisas é total. Então os homens não estarão comendo, bebendo, plantando ou edificando. Veja no capítulo 21: 26-36. Há quem aplique esta passagem à destruição de Jerusalém, mas desse acontecimento fala-se no verso 21 deste mesmo capítulo: “Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela”. Depois disso Jerusalém é pisada pelos gentios até que o tempo dos gentios se cumpra (o tempo que ocorre até que a impiedade da última besta se complete). Então seguem-se os sinais e o Filho do Homem é revelado.

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.  Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.  E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14: 1-3). Esta é a promessa que temos no conforto que Cristo deu aos discípulos quando estava prestes a deixá-los: vem para nos levar para Si mesmo.

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos 1:9-11). Aqui também, ainda que seja Cristo vindo nas nuvens, não se trata do grande trono branco: mas o que se torna notável aqui pé que eles estão ficando sem Cristo e qual é a mensagem que os anjos lhes trazem? Porque estão olhando para o céu? Ele há de vir do mesmo modo como O viram ir. O conforto que os anjos trouxeram, quando Jesus os deixou, foi que Ele viria outra vez; e o conforto e o encorajamento que as Escrituras dão ao coração do crente é que Cristo vem outra vez.

Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. Esta é a parte que pertence aos descendentes de Adão; mas assim como essa é a porção do homem, assim Cristo Se ofereceu para tirar os pecados de muitos, e aos que O esperam, Ele aparecerá a segunda vez sem pecado para salvação (Hebreus 9:27-28). E Cristo está esperando apenas que entre a plenitude dos gentios. Nem todos dormiremos: “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (I Coríntios 15:51; Romanos 11:25). Logo que a Igreja estiver formada e tiver entrado a plenitude dos gentios, Israel será salvo como nação e o Libertador vira de Sião. Cristo aparecerá para sua libertação.

Vejamos também I Coríntios 1:6-7 “Como o testemunho de Cristo foi mesmo confirmado entre vós. De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo”. As promessas dos profetas serão todas cumpridas na Segunda Vinda.

Retrocedemos agora a Atos 3:19-21. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor. E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”. O mesmo Jesus havia sido pregado antes e dEle lhes haviam falado. Não podemos aplicar esta passagem ao Espirito Santo, porque era o Espírito Santo, que descera, quem falava por intermédio de Pedro e declarava que Aquele que havia sido recebido nos céus havia de vir. Em Atos 17:30-31 o apóstolo declara que, embora Deus não tivesse em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo (a terra habitável), por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

A ressureição dos santos será na Sua vinda. “Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” (I Coríntios 15:23).

Efésios e Gálatas são os únicos livros d Bíblia em que não se fala da segunda vinda do Senhor. Os Gálatas tinham abandonado o fundamento da fé de absoluta justificação pela fé em Cristo; e Paulo foi obrigado a voltar aos primeiros princípios da justificação. A Epístola aos Efésios ocupa o lugar oposto, e vemos a Igreja em Cristo no céu, de forma que não pode falar da vinda do Senhor para a levar; é contemplada agora como estando unida a Cristo no céu. Contudo, encontramos referências constantes à segunda vinda nas outras epístolas como prova de que é um ponto de suma importância para ter sempre em mente.

Filipenses 3: 19-21: “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”.

Colossenses 3:1-4: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória”.

Em Tessalonicenses a segunda vinda do Senhor é o assunto principal em ambas as epístolas. Na primeira epístola, com excepção do aviso no capítulo cinco, é a bem-aventurança dos salvos; e na segunda epístola, o caráter judicial, embora a glória dos santos seja incluída nela, porque quando Ele julgar os vivos nós estaremos com Ele em glória.

I Timóteo 6:14 “Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo”. O apóstolo exorta Timóteo a ser fiel e diligente aguardando o aparecimento do Senhor. Quando a Palavra de Deus fala de gozo para os santos, refere-se à segunda vinda. Logo que fala da responsabilidade do mundo ou dos santos é sempre em relação com a segunda vinda. Qual teria sido a vantagem de dizer a Timóteo para guardar o mandamento até a Sua aparição, se não fosse uma expectativa prática, e como poderia ter poder sobre a consciência (não como o maior motivo, mas de que necessitamos)? E, se o Senhor, por graça, tem demorado a Sua vinda, não querendo que ninguém se perca, is qye tem atuado segundo essa expectativa não terão perdido o fruto da sua fidelidade — terão a sua recompensa naquele dia.

II Timóteo 4: 8: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”. “Amar”! Amais, podeis amar, o que porá fim a tudo que é agradável no mundo? É a pergunta feita ao coração. Em que sentido é estabelecido aqui um contraste com o que é do mundo?

Hebreus 2: 5-6 “Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos. Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?” O mundo futuro é a terra habitável. Cristo está agora a destra de Deus até que Deus ponha todas as coisas debaixo de Seus pés.  No capítulo 9: 24 lemos: “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus;” Houve um estado de experiência antes do homem ser lançado fora do paraíso. Desde então o homem tem sido de fato posto a prova até a morte de Cristo, para ver se a lei, os profetas, ou a missão do Filho de Deus podia reconduzi-lo, mas tudo foi em vão. O que o homem agora descobre é que está perdido; mas, também que, quando o pecado do homem se completou, a obra de Deus começou, e a redenção é pela cruz, onde o homem crucificou o Senhor. O pecado consumou-se então: mas Ele se manifestou para tirar o pecado pelo sacrifício de Si mesmo. Esta obra está completa e aqueles que, mediante a graça, creem e tem arte nela esperam a vinda do mesmo Salvador para a sua final libertação.

Tiago 5:8 “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima”. Aqui vemos também como a vinda do Senhor é apresentada como um motivo de paciência e sustentáculo da alma paciente, visto que deveria alterar todo o estado do mundo.

Em I Pedro temos um testemunho notável na série dos desígnios de Deus a este respeito. Primeiro, os profetas, que , inquirindo sobre suas próprias profecias, aprendiam que o que testificavam não devia ter o seu cumprimento nos seus dias;  em seguida o evangelho — mas não era o seu cumprimento. Nesse testemunho as coisas anunciadas estão em ligação com o Espirito Santo enviado do céu. Os santos são exortados a serem sóbrios e esperarem na graça que se lhes ofereceu na revelação de Jesus Cristo, a quem, não o havendo visto, amamos. A ocasião dos santos receberem o cumprimento da promessa é o aparecimento de Cristo (IPedro 1: 10-13).

Em II Pedro podemos observar como o apostolo descura esta promessa porque seria um sinal dos escarnecedores nos últimos dias, os quais não acreditariam nela visto o mundo continuar como desde o princípio da criação.

Em I João é mencionada, no capítulo 2:28, como base de aviso para a consciência, mas no capitulo três versos 1 a 3 é assunto desenvolvido para o coração e a conduta dos santos. “Agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado oque havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro”. A nossa esperança bendita e certa é sermos semelhantes a Cristo mesmo; isto nós seremos quando Ele vier. O efeito presente desta promessa, a especial é que o crente purifica-se a si mesmo como também Ele é puro e procura ser agora o mais semelhante possível ao seu Senhor; toma como motivo da conduta da sua vida a parte qe tem com Ele no Seu aparecimento.

Judas 14, “Eis que é vindo o Senhor, com milhares de seus santos”. Esta epístola é notável sobre este assunto; mostra o declínio da Igreja, como os falsos irmão se introduziram, os quais, em seu caráter, mostravam o estrado da igreja professa nos últimos dias e o objetivo do juízo do Senhor quando aparecer.

Todo o livro de Apocalipse se refere a isto; é uma descrição dos juízos preparatórios de Deus, até o capítulo 19, quando o Senhor sai para executar o juízo. Cumpriu a obra de salvação e está assentado à destra de Deus, e então vem para por em ordem todas as coisas. Isto dá a Sua vinda (além da manifestação da Sua própria glória, glória do Filho eterno de Deus como homem e centro de todas as coisas) toda a importância. Por sí só este fato mostra a excelência dos desígnios e propósitos de Deus.

A glória é baseada na Sua primeira vinda. Isto, moralmente falando, excede toda a glória. É a manifestação absoluta do que Deus é, quando o pecado é introduzido. Porém o verdadeiro resultado só será manifestado na Sua segunda vinda. Vem para receber a Igreja para Si Mesmo, testemunha da graça soberana, e organizar o mundo (sujeito a Si no poder do Seu reino) em bênção e mostrar o governo de Deus. Até que Ele venha nenhuma destas coisas pode ter lugar. Nós gozamos a plena revelação dAquele de quem toda essa bênção emana, e gozamo-la aqui numa natureza a ela apropriada e dela emanando; mas esperamos os seus resultados para nós mesmos e para este mundo atribulado. Amamos a Sua vinda. Acontece assim com o leitor? Está ligado ao mundo, que será por Ele destruído por ele quando vier, ou com Aquele que traz a plenitude de bênção, embora tenha que fazer juízo sobre o que impede essa benção? Se Ele viesse agora, seria o cumprimento de gozo antecipado e alegria para o seu coração, ou motivo de alarme e provação? Que o Senhor lhe mostre a verdadeira resposta a dar perante a Sua face.

Procurei mostrar como a segunda vinda forma o assunto constante da Escritura e era uma expectativa em toda a estrutura de hábitos daqueles que foram ensinados pelos apóstolos, pelo Espírito de Deus, e como a sua perda foi o sinal do seu declínio e queda no mundo e no mundanismo. Que o Espírito de Deus torne compreensível este divino ensino as nossas consciências. A fim de podermos verdadeiramente esperar por Cristo, devemos ter a nossa consciência purificada pela Sua primeira vinda e os nossos corações fixos nAquele que está por vir.

 

 

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