Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

O Casamento Acabou?

Um triste balanço

O bom e velho casamento falhou? Parece que sim. Uma estatística mostra que a taxa de divórcio é de 2,5 para cada 1000 pessoas na Europa e de 3,6 nos Estados Unidos. No Brasil houve um aumento de mais de 160% de casos de divórcio nos últimos 10 anos.

Portanto, não é de admirar que uma grande parte de nossos contemporâneos considere o casamento tradicional — civil e para toda a vida — como ultrapassado, e, portanto, impraticável ou não razoável. Então não é mais prático e mais lógico desistir, já de início, ao casamento tradicional?

Cada um de nós conhece casais de todas as idades que se decidiram por viver juntos em concubinato. Apesar de tais parcerias descompromissadas estarem em desvantagem legal em relação ao matrimônio, seu número aumenta constantemente. Embora a opinião pública não aprove ilimitadamente esse “casamento sem certidão”, ela não vê nada de inadequado nisso.

Deus vê o casamento hoje de outra forma?

Cristãos também podem entrar nesta corrente de pensamentos, porque do ponto de vista humano parecem compreensíveis. Porém, a Palavra de Deus — e não a lógica humana — é a luz para nossos caminhos (Salmo 119:105), isto é, a diretriz para nossas ações em tempos obscuros.

A Bíblia não nos deixa em dúvida sobre a perspectiva de Deus. Ele limitou o relacionamento sexual ao casamento firmado pública e legalmente; sem casamento é “prostituição, lascívia” (grego, porneia); e fora do casamento é “adultério”. Citamos aqui uma passagem que resume isto muito bem:

“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos fornicadores, e aos adúlteros, Deus os julgará.” (Hebreus 13:4).

Vemos ainda a afirmação clara do Senhor quanto ao concubinato da mulher samaritana que estava no poço de Jacó:

“tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido” (João 4:18).

O casamento precisa de reforma?

Naturalmente, nos perguntamos pelas causas da evolução negativa nas estatísticas. Por que o casamento é colocado de lado cada vez mais? Nenhum cristão aderirá ao pensamento absurdo que, com o casamento, Deus tivesse exigido do homem algo imaturo que, evidentemente, não é capaz de funcionar. Inequivocamente, precisamos procurar as causas na humanidade atual. Desse lado aconteceu claramente uma alteração para pior. Nisto se cumpre com exatidão uma profecia bíblica para os dias atuais.

Uma inversão fatal

Em 2 Timóteo 3:1-5 é predita uma perigosa fase final da época cristã. Ela seria marcada por uma mudança, profunda e negativa, de comportamento na humanidade, que nem levam mais a sério o seu cristianismo formal. Esses versículos foram escritos há quase 2000 anos; os dias atuais poderiam ter sido descritos com mais precisão? Todos os traços de caráter citados aparecem cada vez mais sem disfarce, e destroem a convivência humana, tanto na família como na sociedade. Encabeçando a triste lista encontramos “homens amantes de si mesmos”; seguido mais tarde por “sem afeto natural”. Porém, amor próprio com o propósito de se autorrealizar e a felicidade no casamento se excluem mutuamente.

Mas a rápida abolição das normas divinas levou a uma série de efeitos, que torna cada vez mais insalubre todo o ambiente social para o casamento. Faz parte disso:

  • Dissolução de tabus morais pela influência da mídia
  • Independência financeira da mulher profissionalmente ativa
  • Maior liberdade sexual por modernos métodos de prevenção e facilidade de aborto
  • Possibilidades de divórcio fáceis
  • Cônjuges que provêm de casamentos problemáticos ou concubinatos

Eu, você, nós

Todos nós reconhecemos que a desanimadora estatística não pode ser atribuída à divina instituição “casamento”. O homem do século 21 se sente cada vez mais sobrecarregado pelo casamento, pois se transformou em alguém
que cultua o ego — como
anunciado na Bíblia. A consciente recusa de qualquer tentativa de amar a Deus e ao próximo como a si mesmo o transforma automaticamente nisto. As circunstâncias atuais também favorecem o ego por meio da independência financeira, da margem de liberdade de ação legal, da influência da mídia, da mentalidade anárquica e da proteção judicial.

Porém, o EU é impróprio para o casamento. O feliz NÓS do casamento que Deus tinha em mente, não é composto de dois EU, mas de dois VOCÊ.

Esperamos que nossa “pesquisa de causas” torne evidente que não há nenhuma alternativa, para um casamento de acordo com Deus, que possa introduzir a desejada felicidade por outros meios. Pois o divórcio, como também todas as formas de viver juntos, propagadas ou praticadas em lugar do casamento, por fim, levam a uma coisa só: dar mais espaço para o egoísmo.

Um pré-requisito para a profunda felicidade de duas pessoas, em especial a felicidade física e moral da mulher, é a proteção e fidelidade absolutas. Uma parceria descompromissada e com ameaça diária de separação é justamente o contrário.

E nós cristãos?

Sempre podemos estar convencidos: o antigo conceito de Deus para o casamento é, para todos os que amam, o único caminho para a mais profunda felicidade a dois; e, ainda hoje, pode ser experimentado ilimitadamente.

A deplorável estatística não precisa desestabilizar nenhum cristão, mas deve nos servir de séria advertência: a benção de Deus sempre está condicionada à obediência a Ele. Até mesmo os cristãos que não se importam com os pensamentos de Deus, antes ou durante o casamento, se tornarão profundamente infelizes.

E é exatamente aqui onde, pela graça de Deus, nós cristãos temos um singular ponto de partida para um casamento feliz:

  • Conhecemos o conceito de Deus sobre o casamento. Ele prevê que você se entregue completamente, e para sempre, à pessoa amada. Para isso temos um modelo maravilhoso. Em Efésios 5:22-33 nos é apresentado como exemplo o incompreensível amor de Cristo pela sua Igreja. Todo casamento pode refletir algo dessa relação.
  • “O que Deus ajuntou” (Mateus 19:6), significa literalmente “colocou em um jugo”; isso vale para cada casamento. Mas o casamento cristão obtém uma nobreza especial, porque o homem e a mulher podem carregar ao mesmo tempo o jugo do Senhor Jesus. Serviço comum para Ele, objetivos e intenções comuns seguindo a Ele, são uma forte união.
  • Nós, cristãos, sabemos que o homem é espírito, alma e corpo (1 Tessalonicenses 5:23) e que o verdadeiro amor deve incluir o parceiro em sua totalidade. Só isto faz o casamento realmente lindo.
  • Deus nos aceitou na conversão como nós éramos. Esta experiência irá nos ajudar a aceitar nosso cônjuge como ele é. Nós não estaremos “insatisfeitos” com ele e não iremos querer mudá-lo de acordo com nossas expectativas; pelo amor e pela bondade, cada um será formado pelo outro, de forma imperceptível.
  • Os cristãos sabem algo sobre autojulgamento e perdão. Assim, eles trazem um bem de valor inestimável ao casamento. O matrimônio se torna insuportável e incapaz de subsistir assim que não houver mais uma confissão sincera e um cordial perdão.
  • A partir da família de Deus, os cristãos já conhecem alegrias e dificuldades familiares.

Meus amados leitores, vocês tem de lidar com um Criador bondoso. Tudo o que Ele ordena não irá diminuir a sua felicidade terrena, mas antes a tornará possível. É um pensamento fascinante que Ele já conhece a pessoa que harmoniza perfeitamente com você. Ore por essa pessoa, para que você também possa recebê-la.
Desejo a cada um de vocês a santa alegria e grata surpresa que Adão pôde sentir quando Deus lhe apresentou Eva. Ela era idônea para ele (Gênesis 2:18). Deus ainda age assim. Muitos de seus irmãos cristãos têm experimentado isso com gratidão.

H-J. K.

 

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