Revista Leituras Cristãs

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Termos Bíblicos: Anciãos

Sob este título temos o propósito de esclarecer algumas expressões que encontramos no texto da Escritura.

Nisto nós não desejamos fazer uma, assim chamada, interpretação “teológica” do termo, mas simplesmente contribuir para a compreensão geral.

Certas palavras que lemos na Santa Escritura, que ouvimos em palestras, pregações, ou talvez nós mesmos usamos, não são compreendidas de imediato por todo mundo.

Um dos motivos pode ser o fato de que certas palavras, no decorrer dos anos, perderam o sentido original através do linguajar “normal”, diário. Quando então esses termos são aplicados no sentido da Escritura Sagrada — em pregações ou escritos — o ouvinte ou o leitor pode ter dificuldades na compreensão daquilo que é dito ou escrito.

Algumas curtas explicações poderão ser de ajuda.

Anciãos

O que são anciãos? Inicialmente, certamente se pensa no significado normal da palavra, a saber, as pessoas mais idosas. Em princípio isto não é errado. Porém, certamente não se trata “apenas” de idade avançada, mas o discernimento e a sabedoria relativa à idade.

No Antigo Testamento, encontramos o conceito já no início da história do povo de Israel (Êxodo 3:16,18): as pessoas de mais idade normalmente tinham a maior experiência, e por isso eram os conselheiros mais sábios. Estes eram reconhecidos; dava-se ouvidos a eles. Eles tornaram-se então as “cabeças das tribos”, das casas dos pais, das grandes famílias de cada tribo.

Em Êxodo 19:7 os anciãos de Israel foram familiarizados por Moisés, com as palavras “que o Senhor lhe tinha ordenado”. Eles foram distinguidos diante do povo, junto com o sumo sacerdote Arão e seus filhos, quando setenta deles puderam subir no Monte Horebe diante de Deus (Êxodo 24).

Como representantes do povo, os anciãos deviam colocar a mão sobre a cabeça do sacrifício pelo pecado, um novilho (um boi novo), que devia ser oferecido quando o povo tivesse cometido um pecado por engano, não intencionalmente. Os anciãos assumem responsabilidade.

Quando Moisés finalmente crê, como ele disse, que não podia mais levar a carga sozinho, Deus lhe dá setenta anciãos ao seu lado, e coloca sobre eles do espírito que estava sobre Moisés para que, com ele, levassem a carga de guiar o povo (Números 11:10-16).

Os anciãos receberam a lei (Deuteronômio 31:9); eles deviam ser consultados sobre os caminhos e feitos do Senhor (Deuteronômio 32:7); eles foram exortados para guardar e para fazer “tudo quanto está escrito no livro da lei”, para dela não se apartarem, “nem para a direita nem para a esquerda” (Josué 23:6).

Em Rute 4 os anciãos foram testemunhas, porque eram confiáveis.

Por que citamos estas descrições do Antigo Testamento? Porque elas fornecem importantes orientações práticas quanto aos deveres e as qualidades de um ancião.

Mas vamos ver como os anciãos nos são apresentados no Novo Testamento.

Nos Evangelhos aparecem os anciãos dentre os judeus, eles são os oradores e formadores de opinião de todo o povo, isto juntamente com os principais sacerdotes e escribas. E, como tais, eles rejeitam a mensagem de João o Batista e especialmente as palavras do Senhor Jesus, o Messias do povo, o Filho de Deus, sim, a Ele mesmo; e no alto conselho, no sinédrio, estavam a favor que Ele fosse crucificado. Algo fica claro nisso: um povo incrédulo tem anciãos incrédulos; mas também: a incredulidade dos anciãos tem tristes efeitos sobre o povo.

Mas, mesmo na Igreja há o cargo de anciãos (grego: presbyteroi) (cf. Atos 11:30; 14:23; 15:2; etc.).

Penso que aqui temos três questões a serem respondidas:

  • Qual tarefa(s) os anciãos têm?
  • Por conseguinte, quais qualidades eles precisam ter?
  • Como alguém se torna ancião, ou seja, como ele é designado para esta tarefa, para este cargo?

A primeira questão é respondida em Atos 20:17,28, entre outras. O apóstolo Paulo chamou os presbíteros da igreja de Éfeso para vir ter com ele, e disse-lhes “que o Espírito Santo vos constituiu bispos [grego episkopoi], para apascentardes a igreja de Deus”.

Os anciãos exercem a supervisão sobre outros e cuidam para que estes façam corretamente as coisas que lhes cabem. Eles devem “pastorear”, isto é, portanto, cuidar dos outros irmãos, o “rebanho de Deus” (e não deles!), e estar preocupados com o seu bem-estar (cf. 1 Pedro 5:1-3). Eles podem fazê-lo pelo “rebanho de Deus” que está com eles — a sua tarefa é na assembleia local (cf. Atos 14:23).

A segunda questão nós podemos derivar, por um lado, das características dos anciãos do povo de Israel, citadas acima:

  • eram homens experientes,
  • possuíam sabedoria, 
  • estavam familiarizados com a lei de Deus,
  • assumiam responsabilidades,
  • eram fiéis testemunhas
  • gozavam da confiança do povo.

Por outro lado, Deus diz claramente no Novo Testamento como um bispo deve ser:

“É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como terá cuidado da igreja de Deus?); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. É necessário também que tenha bom testemunho dos que estão de fora…” (1 Timóteo 3:2-7).

Trata-se, portanto, de uma autêntica conduta da vida cristã, um “andar com Deus”, de acordo com as instruções da Sagrada Escritura e, assim, um bom testemunho diante de Deus e dos homens. Trata-se da capacidade de “guiar” outros (seus próprios filhos, e depois também os demais irmãos) por meio de exemplo e ensino (“apto para ensinar”) e “conduzi-los” à obediência da Palavra de Deus e à Sua vontade.

A terceira questão também pode ser respondida a partir da Palavra de Deus. Os anciãos eram eleitos ou estabelecidos pelos apóstolos ou pelos seus enviados (Atos 14:23; Tito 1:5). No entanto, em Atos 20:28 vemos que, na verdade, era o Espírito Santo quem os havia instituído.

Por meio desse estabelecimento, ou seja, pela instituição, eles adquiriram esta tarefa como cargo.

Certamente, aqui podemos nos perguntar se hoje ainda é possível tal instituição ou até mesmo nomeação para um cargo; pois quem pode reivindicar para si mesmo a autoridade necessária para isso? Isso acontece de forma democrática? Isso é um princípio ou método que não encontramos em nenhum lugar na Bíblia. Em 1 Tessalonicenses 5:12, simplesmente é dito:

“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam”.

Assim, podemos ser agradecidos por esta bela e abençoada atividade que ainda hoje é exercida; que Deus concede irmãos com tais características e legítima “índole de pastor”; e que amam o Senhor e os Seus. Deus conhece as necessidades dos crentes, e em Sua sabedoria e graça dará também hoje o que é necessário, também no que se refere à supervisão e ao pastoreio. Nós podemos identificar e reconhecer — e para tal, também temos a condução do Espírito Santo — aqueles que Deus coloca nesta tarefa.

Como cristãos mais jovens, com certeza nossa tarefa consiste em não lhes dificultar o cumprimento da sua tarefa.

Talvez possamos ter algumas dificuldades com um ou outro irmão, e talvez aquele irmão não é tão ancião como ele pensa, mas isto podemos deixar com confiança aos cuidados do Senhor e da atividade do Espírito Santo nos corações. Visto que o Senhor nunca concede um único irmão nas congregações que realiza a tarefa de ancião, Ele também cuidará que questões difíceis recebam o tratamento adequado, isto é, correspondente com a Sagrada Escritura.

Nós preferimos nos ater à Palavra, a saber, de ter em grande amor e estimar em amor “os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam” (1 Tessalonicenses 5:12-13).

R. B.

    • Davi
    • 1 de maio de 2019
    Responder

    Bom estudo

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