Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

Termos Bíblicos: Adoração

Sob este título temos o propósito de esclarecer algumas expressões que encontramos no texto da Escritura.

Nisto nós não desejamos fazer uma, assim chamada, interpretação “teológica” do termo, mas simplesmente contribuir para a compreensão geral.

Certas palavras que lemos na Santa Escritura, que ouvimos em palestras, pregações, ou talvez nós mesmos usamos, não são compreendidas de imediato por todo mundo.

Um dos motivos pode ser o fato de que certas palavras, no decorrer dos anos, perderam o sentido original através do linguajar “normal”, diário. Quando então esses termos são aplicados no sentido da Escritura Sagrada — em pregações ou escritos — o ouvinte ou o leitor pode ter dificuldades na compreensão daquilo que é dito ou escrito.

Algumas curtas explicações poderão ser de ajuda.

Adoração

Gratidão e louvor é adoração?

Se analisarmos essa pergunta com base na Bíblia, a resposta é: não.

Ainda que gratidão e louvor sejam muito importantes, não é adoração.

Nós agradecemos ao Senhor pelo fato dEle ter morrido por nós. Podemos fazer isso através de hinos ou orações, isso é gratidão, mas não adoração (mesmo que às vezes ocorra a palavra “adoração”).

Adorar vai muito além de agradecer por aquilo que eu recebi.

Então o que é adoração segundo os pensamentos de Deus?

Adoração é contemplar a glória da Pessoa do Senhor Jesus e a do Pai, e expressar isso em palavras.

Veja, por exemplo, o sacrifício de Levítico 1; ali um adorador traz um animal — uma figura do Senhor Jesus — e o oferece a Deus em sacrifício.

Aplicando isso a nós: um filho de Deus, que em casa se ocupou com a glória do Senhor Jesus e encheu seu coração com ela, vem e diz, à semelhança dos filhos de Coré no Salmo 45:

“Tu és mais formoso do que os filhos dos homens” (v. 2).

Como eles sabiam disso? Obviamente pelo fato de terem se ocupado com Ele. Dessa maneira, puderam se aproximar de Deus e dizer:

‘Ó Pai; ó Deus! Que Pessoa maravilhosa é o Senhor Jesus, que maravilhoso é Teu Filho quando O contemplo; que maravilhosa a Sua obra e que poder tem Seu sangue que, não apenas eu, mas milhões de pessoas foram salvas, e que um dia até mesmo o céu e a terra serão purificados pelo mesmo. De que maneira Ele Te glorificou na cruz!’.

Isso é adoração. O ‘eu’ é suprimido, e apresentamos somente aquilo que vemos da glória do Senhor Jesus.

Adorar o Pai é ter contemplado a glória do Pai — o grande e Todo-Poderoso Deus, que condescendeu a amar e entregar Seu Filho unigênito por criaturas vãs e nulas como nós, para que possam ser salvas e que as transformou em Seus próprios filhos para recebê-los em Sua própria casa — e apresentar isso novamente ao Pai.

Então, após tê-Lo contemplado dessa maneira, podemos nos aproximar dEle e dizer:

‘Ó Pai, ó Deus quão maravilhoso és Tu! És o mais elevado sobre os nossos pensamentos! Nenhum homem jamais poderia ter imaginado o que realizaste, e nem pode entendê-lo. Que amor e que sabedoria habita em Teu coração!’

Isso é adoração. O mesmo encontramos em Apocalipse 5,
onde os vinte e quatro anciãos cantam um novo cântico no céu, para o Senhor Jesus:

“Digno és… porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus” (v. 9).

Eles não dizem: nos compraste. Eles estão tão ocupados com a Pessoa do Senhor e Sua obra maravilhosa que nem sequer pensam em si próprios. Isso é mais que louvor, é adoração.

Portanto, a resposta à pergunta: o que é adoração segundo os pensamentos de Deus, é: estarmos ocupados com a Pessoa e a obra do Senhor Jesus e, de forma reverente, oferecermos a Deus, como sacrifício, aquilo que temos encontrado; assim como diz Hebreus 13:15, “o fruto dos lábios que confessam seu nome” — isso é adoração.

Porém, quando digo: ‘Ó Senhor Jesus, te dou graças que morreste por mim, que agora estou salvo e não vou para o inferno, mas sou um filho de Deus’ — isso não é adoração. Isso é agradecer pelo que eu recebi, portanto, o “eu” é o ponto central.

Ainda que seja muito bom agradecer ao Senhor, sempre estaremos aquém e precisaremos de toda a eternidade para agradecer ao Pai e louvá-Lo por aquilo que Ele fez por nós.

Contudo, sentimos que adoração vai além, é mais elevado, a saber: a ocupação com o que a própria Pessoa é, e trazer isso a Deus.

Para elucidar, podemos utilizar uma figura do Antigo Testamento.

Um israelita podia se chegar a Deus para Lhe apresentar uma oferta pacífica (Levítico 3). Porém, em Levítico 7, lemos que essa oferta é chamada de “oferta (ou sacrifício) de ação de graças” (v. 12). Em contraste com o holocausto do capítulo 1, o qual era exclusivamente para Deus e o israelita não podia comer nada dele, a oferta pacífica podia ser comida pela israelita (cp. 7:15-16).

Contudo, quando um sacerdote entrava no santuário para ofertar a Deus, ele não oferecia um animal, mas sim, incenso queimado. O incenso queimado não fala da obra do Senhor Jesus, mas da Sua Pessoa, das Suas glórias pessoais.

Essa é a verdadeira adoração, e com isso ele podia entrar no santuário, à presença de Deus, para adorá-Lo. Podemos falar dEle como Deus, mas também como Pai, visto que em João 4 lemos que “o Pai procura a tais que o adorem… em espírito e em verdade” (vv. 23-24).

H. L. H.

Podemos ainda acrescentar mais alguns pensamentos de outros autores.

Adoração é, portanto, o oferecimento de frutos da obra do Senhor por e para nós, para a glorificação da Pessoa do próprio Senhor e de Deus.

Verdadeira adoração é a exalação do coração que aprendeu a conhecer a Deus como o Doador; que conhece o Filho pelo qual a dádiva flui desde o céu, que bebeu da água viva do Espírito Santo e, tendo bebido, encontrou nesse Espírito a fonte da água viva “que salte para a vida eterna” (João 4:14), fluindo de volta para a fonte em adoração, louvor e gratidão.

Devemos, portanto, distinguir entre adoração, louvor e gratidão. É a homenagem ao amor (comp. com Romanos 8:15).

A adoração tem sido descrita como “a honra e a apresentação Àquele, daquilo que Ele é em Si mesmo e do que significa para aqueles que O adoram”.

Verdadeira adoração é a resposta de um coração que reconheceu e experimentou que, pela graça de Deus, foi salvo e santificado, e que esse desígnio foi executado pelo Filho de Deus.

Obviamente o pré-requisito para trazer adoração é um relacionamento do adorador com Deus. A percepção do amor de Deus, e do agrado dEle em ter-nos diante de Si em Cristo, é a origem da adoração. O adorador conhece o Pai e o Filho, e a vontade do Pai é que o Filho seja honrado. Este manifestou a fonte do amor e introduz os corações de muitos filhos ao amor de Deus.

Verdadeira adoração é possível em todo lugar e a qualquer momento. Onde quer que seja que um coração transborde em louvor e gratidão ao contemplar o Senhor, Sua obra, e em especial o amor de Deus — seja individual ou coletivamente — pode oferecer isso a Deus, pois Lhe será agradável.

 

 

[js-disqus]