Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

Noivado – Começo do fim ou porta do paraíso

Estamos felizes pelos muitos jovens cristãos que desejam iniciar e viver um casamento segundo os princípios bíblicos. Nossa oração é que, com a ajuda do Senhor, tenham êxito. Afinal, a felicidade conjugal não surge de forma automática, também não quando dois cristãos se casam. Deus a ligou às Suas condições prévias – como qualquer benção terrena. E somente quando as conhecemos e as levamos a sério é que o caminho a dois será bem-sucedido a longo prazo.

A seguir, iremos apresentar apenas alguns aspectos para este importante tema. Seria bom se o leitor também pudesse estimular à reflexão, sob oração, outras passagens bíblicas relacionadas. Isto deveria ser feito mais vezes, antes de pedir concretamente por orientação ao Senhor se, com quem e quando casar.

“Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida”

(Provérbios 31:12).

De início, devemos nos conscientizar de duas coisas importantes.

Primeiro: Deus considera o casamento indissolúvel, como uma união para toda a vida. Isto dá ao tema (da procura de um cônjuge, para os cristãos) uma importância que há muito tempo não existe mais na nossa sociedade.

Conhecemos bem a opinião de nosso Senhor acerca do divórcio:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. E em casa tornaram os discípulos a interrogá-lo acerca disto mesmo. E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera” (Marcos 10:9-12).

Essas palavras são inequívocas. Ainda podemos sublinhá-las com Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:10-11, 39. Portanto, a possibilidade do divórcio deve ser excluída de antemão das cogitações de jovens cristãos frente ao matrimônio.

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis” (2 Coríntios 6:14).

Em segundo lugar, desejo apontar para este versículo. Ele devia impedir todo crente de considerar um casamento com alguém não convertido.

Mas não há também entre os não-crentes pessoas de caráter valioso e amáveis? Certamente!

Porém, aqui não se trata disso, mas da grave questão:

“que parte tem um crente com um descrente” (v. 15)?

Em um casamento misto, os cônjuges pertencem a áreas espirituais opostas, entre as quais se encontra a cruz de nosso Senhor, “pelo qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).

De maneira geral, um crente sabe muito bem que não pode agradar ao mesmo tempo a Deus e a um cônjuge não convertido. Portanto, nunca deveria supor que tal vida dupla poderia ser a direção do Senhor para ele.

Sansão (Juízes 14-16), e até mesmo Salomão (1 Reis 11:4; Neemias 13:26) fracassaram neste caminho.

É algo totalmente diferente quando um dos dois cônjuges incrédulos aceita o Senhor durante o casamento; ele poderá se apoiar em promessas preciosas. Frequentemente se alega que, em alguns casos, o cônjuge incrédulo tenha se convertido mais tarde. Sim, é verdade. Nosso Senhor seja louvado por isso!

Mas vamos considerar a graça soberana do Senhor como encorajamento para agir contra Suas claras instruções?

Todos nós conhecemos muito mais casos em que tal caminho próprio se tornou um fardo insuportável para ambos os lados. E ainda: alguém do mundo que evidencia intenções honestas à um crente, tem o direito de, o mais cedo possível, receber uma explicação clara das razões que são contrárias a essa união.

Você está preparado para isto, jovem irmão, jovem irmã? O Senhor não deixará sem recompensa uma confissão sincera.

Orar e deixar mostrar

A decisão por um determinado cônjuge é de grande importância para o restante da vida, ela tange o mais profundo do nosso ser interior. Quanto mais nitidamente percebermos isso, mais seriamente oraremos.

Então você pergunta: Mas orar é tudo que devo fazer em relação a esta preocupação do meu coração, e no mais sou condenado a aguardar inativo?

A resposta talvez esteja nestes dois versículos bíblicos:

“A casa e os bens são herança dos pais; porém do Senhor vem a esposa prudente” (Provérbios 19:14),

“Aquele que encontra uma esposa, acha o bem, e alcança a benevolência do Senhor(Provérbios 18:22).

No primeiro versículo citado, a mulher é considerada um presente do Senhor; ela é recebida como resposta de oração.

No outro versículo, a mulher é “encontrada”; se chegou à firme convicção que esta é a mulher que foi pedida. Naturalmente, isto pressupõe expectativas claras e critérios de busca.

Por fim, somente o Senhor pode tornar claro que parceiro nós precisamos. E com isso, voltamos à oração.

A oração e a busca pelo cônjuge podem se complementar de forma muito bela. Eu não conheço exemplo melhor do que o proceder do servo de Abraão em Gênesis 24. Vale a pena ler este capítulo de tempos em tempos com muita atenção.

Ajudadora em que?

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea [ou que lhe corresponda] para ele” (Gênesis 2:18).

Baseado neste versículo, jovem irmão, você deveria se perguntar constantemente:

  • Ajudadora em que?
  • Afinal, o que quero fazer da minha vida, quais objetivos busco?
  • Eles correspondem à vontade do Senhor?

Primeiramente, você deve ter clareza a este respeito. A moça crente que se confiará a você algum dia, esperará uma resposta clara acerca da definição das suas prioridades.

E você, jovem irmã, pergunte-se:

  • Para quem você poderia ser uma boa ajuda?
  • Com qual objetivo de vida você deseja se identificar?
  • Que impressão teria um jovem a partir do teu comportamento, teus interesses primordiais, teu exterior?

Se necessário, faça correções. Considere também se você conseguiria lidar com crianças. Faça uma vez uma comparação honesta entre você e a mulher virtuosa em Provérbios 31:10-31. Finalmente, considere que Rebeca, Raquel, Zípora e Rute foram “descobertas” quando cumpriam seus deveres normais.

Não quero sair livre! 

Realmente?

Um servo hebreu podia converter o seu serviço temporário em um relacionamento permanente com as palavras:

“Eu amo a meu senhor, e a minha mulher, e a meus filhos; não quero sair livre” (Êxodo 21:5).

Sara obedecia a Abraão e o chamava senhor (1 Pedro 3:6). Duas renúncias à liberdade por amor verdadeiro!

Jovens irmãos, nada menos que isso é o que o casamento exige de vocês. Vocês estão dispostos para tal?

Vocês não estarão enquanto pensarem, por exemplo:

  • O que me traz o casamento?
  • Que costumes, hobbys e objetivos jamais poderei atingir?
  • Vocês estão preparados para ceder alguma vez, em caso de discordância?

Aqui não se trata se sempre terão sucesso, mas do seu querer, de sua disposição. “Não quero”, diz o servo; “Irei”, diz Rebeca (Gênesis 24:58).

Sem esta disposição fundamental de fazer constantemente sacrifícios por amor ao parceiro, o seu casamento não fará jus ao seu objetivo mais elevado, o de refletir o relacionamento entre Cristo e Sua Igreja (Efésios 5:22-33).

Deixar e apegar-se.Você consegue?

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher” (Gênesis 2:24).

“Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai” (Salmo 45:10).

Com o casamento, ambos os jovens deixam as suas famílias e formam uma comunhão nova e independente, que é responsável em todos os aspectos diante de Deus.

Vocês jovens, e vossos pais, estão suficientemente preparados para esta mudança decisiva?

É claro que o amor filial, ou fraternal, a estima e o cuidado não são atingidos por isso. Mas a conexão com um dos pais, ou ambos, que seja mais forte do que aquela com o cônjuge, traz um elemento patológico para dentro do relacionamento do jovem casal. A mais bem intencionada interferência dos pais ou parentes age da mesma forma.

Frequentemente, o jovem casal ainda vai desejar buscar o conselho de seus pais (Provérbios 23:22). Mas, para a manutenção de um casamento, é um pré-requisito vital que ambos os parceiros tenham aprendido suficientemente a dominar os problemas emergentes com a ajuda do Senhor e segundo os padrões bíblicos.

Pergunte-se sinceramente:

  • Você está preparado para “deixar” e “apegar-se”?
  • Você também já aprendeu a resolver seus problemas sozinho e de modo bíblico?

“Prepara de fora a tua obra, e prepara-a no campo, e então edifica a tua casa” (Provérbios 24:27).

Cada casamento precisa, além de uma base espiritual, também uma base puramente econômica. Devem ser dadas as condições materiais para poder administrar o orçamento doméstico, ainda mais se o Senhor der filhos.

Sem expectativas irreais!

Numa fase em que se tende a fantasias e sonhos, os primeiros conceitos acerca do eventual parceiro/a de casamento também tomam forma. Já nesse momento se deveria apresentar, antes de tudo, os seus desejos ao Senhor. Caso contrário, existe o perigo de se definir mentalmente, de maneira muito forte e unilateral, um tipo supostamente ideal.

Quanto mais engessados estivermos nisso, tanto maiores serão os problemas na busca do parceiro e as decepções na vida real de casado.

Todo ser humano tem seus lados bons e não tão bons. Como leitores da Bíblia, deveríamos saber isso e ter em conta. O “combinar um com o outro” é, mais do que se pensa, uma questão de atitude e boa vontade, como nos ensina a vida na comunidade cristã.

E sobre o amor?

“E Isaque trouxe-a para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a” (Gênesis 24:67).

Em romances, o grande amor geralmente se encontra no começo, aqui ele encerra este capítulo maravilhoso.

E o que há com o amor? Não deveríamos falar sobre isso em primeiro lugar? Certamente só se deveria casar se há amor e respeito mútuo, de todo o coração. Mas algo assim precisa de tempo para crescer; não vai ser de início, mas será o resultado de um caminho mais longo que foi percorrido em oração com o Senhor.

Mas mesmo um amor amadurecido assim não é um Perpetuum mobile¹, que – uma vez posto em movimento – continua automaticamente.

Oh não! Ele é frágil; a história de Isaque e Rebeca nos ensina isso. É preciso protegê-lo constantemente, lutar pela sua sobrevivência, muitas vezes despertá-lo novamente – e isto é, antes de tudo, uma questão de vontade, meros sentimentos não são confiáveis. São necessários esforços direcionados.

A força necessária para isso só pode vir da convicção de que o meu parceiro é uma resposta à oração, um presente do Senhor, que Ele nos juntou e anda conosco.

Talvez agora compreendamos melhor porque o Senhor, em Sua sabedoria, exige de nossos impacientes corações um processo tão longo de oração e procura. Só assim se podem formar casamentos duradouros.

Neste breve artigo só pudemos abordar alguns detalhes acerca da escolha de um parceiro. Há outros que não são menos importantes.

Talvez em outra ocasião o Senhor nos permita continuar.

H.J.K.

¹ Uma construção hipotética que – uma vez em movimento – permanece eternamente em movimento sem mais fornecimento de energia e funciona.

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