Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

Orações não Atendidas

A peregrinação de Israel pelo deserto estava chegando ao seu fim. Já era o quadragésimo ano, porém eles se deparam com mais uma prova de fé.

Não havia água para beber, e o povo começa a murmurar com Arão e Moisés (Números 20). Eles já tinham passado por uma situação semelhante e, na ocasião, obedecendo a instrução de Deus, Moisés bateu na rocha com uma vara, o que fez fluir água em abundância (Êxodo 17:6).

Desta vez, porém, Moisés devia falar à rocha, visto que a rocha (uma figura de Cristo, 1 Coríntios 10:4) havia de ser ferida uma única vez para produzir a água da vida.

No entanto, nesta segunda ocasião, Moisés também bateu na rocha. Como castigo pela desobediência, e por essa profanação do nome de Deus diante de todo o povo, Moisés e Arão não puderam entrar na terra de Canaã.

“E o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado” (Números 20:12).

Ainda assim, passado um tempo, vemos Moisés pedindo que Deus lhe permita entrar na terra de Canaã. Mas, qual foi a resposta?

“O Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu; antes o Senhor me disse: Basta; não me fales mais deste assunto” (Deuteronômio 3:26).

Moisés teria que morrer no Monte Nebo, ao cume de Pisga. Porém, antes disso, Deus concedeu que ainda pudesse ver a terra inteira! E, a seguir, o próprio Deus sepultou o Seu servo em local desconhecido.

“Não seja como eu quero, mas como tu queres”!

Mateus 26:39

Paulo, após a maravilhosa experiência do arrebatamento ao terceiro céu, passou a ser atormentado por um espinho na carne (2 Coríntios 12:1-10). Não sabemos no que consistia este tormento.

Mas, aos olhos do apóstolo, parecia constituir um grande empecilho ao seu serviço. Por esta razão, ele orou três vezes ao Senhor. Porém, quando veio a resposta: “a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (v. 9), ele a acatou. Ele não ficou inconformado com a parte que lhe tocou e se sujeitou à vontade do Seu Senhor.

Paulo não teve o espinho removido, porém recebeu a graça do Senhor.

Por meio do espinho na carne e os sofrimentos associados a ele, Paulo pôde perceber que o poder do Senhor pode se manifestar de maneira mais clara na fraqueza do instrumento humano. Nossa natureza humana se rebela contra algo que é doloroso e não pode aceitar isso. Por natureza não estamos capacitados a sentir “prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo” (2 Coríntios 12:10).

Isso é possível apenas quando nos encontramos em comunhão com o Senhor. Somente quando tomamos consciência da nossa própria fraqueza é que podemos compreender que todo poder, verdadeiramente espiritual, pode provir somente de Cristo, e não de nós mesmos.

“Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”!

Marcos 14:36

Aqui temos duas petições, feitas por homens de Deus, que não foram atendidas — que lição para nós!

Talvez o Senhor já tenha falado com você ou comigo de forma semelhante. No entanto, não o compreendemos e continuamos a orar, sem resultados visíveis. Então talvez tenhamos que aprender — como Moisés e Paulo — que Deus não pode atender todas as nossas orações porque Ele nos quer conduzir por outro caminho, diferente daquele que preferimos.

O que é melhor: vermos cumpridos os nossos desejos ou sujeitarmo-nos à vontade do nosso amoroso Deus e Pai?

Como sempre, o Senhor Jesus, em Sua vida humana, também é nosso perfeito exemplo. Naquela hora difícil no Getsêmani, Ele orou:

“Não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lucas 22:42).

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza… porque quando estou fraco então sou forte” (2 Coríntios 12:9-10).

Ainda que nem todas as nossas orações sejam atendidas, temos a liberdade de perseverar na oração e continuar apresentando diante de Deus todas as nossas petições (Romanos 12:12; Filipenses 4:6).

E, se assim fizermos, certamente experimentaremos o mesmo que Moisés e Paulo (embora suas petições não foram atendidas):

“a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos” (Filipenses 4:7).

Estamos em contínuo aprendizado, também em relação às nossas orações.

Resumindo

  • O pedido de Moisés —para poder entrar na terra de Canaã — não foi atendido.
  • Paulo suplicou em vão para que o espinho de sua carne fosse removido.
  • E nós, de igual forma, devemos aprender que Deus nem sempre realiza todos os nossos desejos. Mas Ele sempre disponibiliza a Sua graça. Estejamos, pois, satisfeitos com ela!
A. R.