Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

A Casa de Ouro

Desce o céu, Deus ordena construírem esta Casa de Ouro na Terra. Ele quer viver no meio dos homens, e quer que eles vivam próximos a Ele.

O Seu desejo de habitar entre os homens não se refere somente aos dias do povo de Israel. Aplica-se também ao nosso tempo, e até mesmo ao (breve) futuro quando haverá o novo céu e a nova Terra. Veja o que diz Apocalipse 21:3:

“Eis aqui o tabernáculo de Deus está com os homens. Pois com eles habitará…”

A história do Tabernáculo — também conhecido como tenda da congregação — não é uma mera descrição de um santuário qualquer, sem um significado mais profundo. A concepção desta casa reflete os pensamentos de Deus; fala-nos da glória do céu, da cidade de ouro e da nova Jerusalém.

Conforme Hebreus 9:23-24, as coisas do Tabernáculo são figuras das coisas do Céu. Ali, toda a riqueza e glória estão reunidas numa maravilhosa Pessoa: no Filho de Deus, em nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o centro dos pensamentos e propósitos de Deus, desde a eternidade passada até à futura. É o que vamos notar se estudarmos a Sagrada Escritura. Por isso, aqui também não é diferente: cada detalhe dessa Casa de Ouro no deserto nos revela um aspecto desta Pessoa. A Bíblia é a Palavra de Deus. Deus inspirou os homens; Ele “soprou-lhes” o que deviam escrever. Assim se originou a Sagrada Escritura; o próprio Deus nos deu.

Bem no começo da Bíblia, no segundo livro — Êxodo — encontramos a descrição do Tabernáculo. Não é uma mera planta de construção de um edifício. É um quadro poderoso e vivo, revelando os pensamentos de seu Criador. Cada detalhe tem o seu significado. E podemos buscar e encontrar esses significados na Palavra de Deus, porque a Sagrada Escritura se explica por si só.

A Ordem para Construir

Esta casa então não podia ser edificada segundo as ideias humanas. Ela devia ser edificada porque Deus tinha este desejo:

E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êxodo 25:8).

Deus mesmo mostrou o modelo a Moisés quando este esteve com ele durante quarenta dias no monte Sinai (Êxodo 24:18). É por esta razão que na descrição da construção lemos repetidamente que fizeram tudo “como o Senhor ordenara a Moisés” (Êxodo 39 e 40). O Tabernáculo era algo que homem algum teria imaginado.

Uma visão do Tabernáculo

Vamos examiná-lo de perto?

A cor do teto não era muito bonita. Não; o que se vê deste lado realmente não é muito atrativo.

Sabe, é sempre assim com as coisas de Deus. Quem ainda não entrou na casa de Deus não entende as coisas e a Palavra de Deus. Estas coisas são loucura para ele. Aliás, é o que a Bíblia também confirma em 1 Coríntios 1:18 e 23:

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus… Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”.

Quando o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, esteve aqui na Terra, as pessoas também não viram nada de especial nEle — nada de atrativo — visto que tudo estava oculto para eles.

“Não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos… era desprezado, e não fizemos dele caso algum” 

(Isaías 53:2-3).

Entrada Proibida

Êxodo 27:9-19

Vamos aproximar-nos um pouco mais.

As cortinas, bem brancas, contrastam com as tendas cinzentas ao redor. Transmitem a impressão da pureza e santidade que se requer lá dentro. É como se essas cortinas altas e brancas dissessem: “Entrada Proibida”.

O assunto é sério: normalmente o acesso a Deus é proibido a qualquer pessoa. Houve somente um homem que era tão alvo e puro como essas cortinas. Este era Cristo, o único puro, o Homem perfeito.

E você, leitor: sua vida condiz com estas cortinas? Ela é pura?

Muitos querem seguir a Cristo. Parece-lhes que é a coisa certa a fazer. Mas a primeira coisa que Deus quer nos ensinar por meio desta casa — e a cerca já nos ensina esta lição — é que nós, pessoas das tendas cinzentas, deste mundo sujo, contrastamos drasticamente com a Sua pureza.

Não podemos vir a Ele simplesmente do modo como somos: não podemos simplesmente dizer que estamos do lado de Cristo ou afirmar que O seguimos. O que Sua pureza e perfeição nos mostram é justamente o quão sujos somos por dentro. Todos nós estamos manchados, sujos e com pecado.

“Não há um justo… não há quem faça o bem… com as suas línguas tratam enganosamente… todo o mundo seja condenável diante de Deus… porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” 

(Romanos 3:10-23).

Caso desejemos nos achegar a Deus, então o primeiro passo a dar é reconhecer isso.

Você quer ser sincero o suficiente para reconhecer a sua culpa, quer chegar-se a Deus com sua vida perdida, assim como você é? Se este é o caso, ENTÃO Deus, APESAR DE TUDO, o aceitará. Do lado oriental há uma porta: uma porta aberta para todo pecador arrependido!

A Porta

Êxodo 27:16

Como é ampla esta porta, como é magnífica!

Considerando nossos pecados, Deus deveria dizer:

“Fiquem de fora todos, na eterna escuridão. Todos devem perecer”.

Mas então vemos a maravilha da graça de Deus: Ele fez uma porta — para todos! Essa é a novidade do Evangelho, as boas novas: Deus providenciou uma porta. E que porta!

  • A porta é ampla. O amor de Deus dispõe de uma porta assim, tão ampla, para que todo aquele que quiser, possa entrar. Deus é Salvador, e quer que todos os homens sejam salvos (1 Timóteo 2:4). Quem quiser, pode vir (Apocalipse 22:17).
  • Há somente uma porta. O próprio Senhor Jesus nos deu o significado desta porta quando esteve aqui na Terra. Ele disse:

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á” 

(João 10:9).

Por Ele temos acesso ao Pai (Efésios 2:18; 3:12). Só Ele é o Salvador.

  • A Porta Fechada. No entanto, a Bíblia também diz que um dia a porta será fechada.

A porta para salvação, na Arca de Noé, também se fechou (Gênesis 7:16-23). Os que não entraram se afogaram.

A porta da festa se fechou, no caso das bodas em Mateus 25:1-10. As cinco moças néscias, que queriam estar nas bodas, chegaram tarde demais.

Só há duas possibilidades: ou você está dentro… ou fora!

Imagine que você estará diante de uma porta fechada, uma porta que nunca mais voltará a se abrir! Do lado de fora haverá choro e ranger de dentes. Cristo ainda está esperando de braços abertos:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” .

(Mateus 11:28)

“E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

(João 6:37)

O altar e os sacrifícios

Ao longo de toda a Bíblia nos é explicado qual o significado do altar e do sacrifício: eles falam de Cristo e de Sua obra de reconciliação na cruz. Este é o ponto central de todos os pensamentos de Deus e a única base para a salvação de pecadores.

Tanto o altar como os milhares de sacrifícios, oferecidos ao longo de muitos séculos, representam um impressionante quadro do sacrifício perfeito de Cristo e de Sua obra de redenção na cruz.

De eternidade em eternidade, a cruz do Redentor é o marco central entre o céu e a terra.

O altar tinha cinco côvados de comprimento e cinco de largura!

Na Bíblia, cinco é o número da responsabilidade.

  • A lei tem cinco mandamentos envolvendo a conduta do homem para com Deus e cinco envolvendo a sua conduta para com o próximo (Êxodo 20).
  • Temos cinco dedos em cada mão e cinco em cada pé.

O que tenho feito com as minhas mãos?

Somente coisas boas?

Sou responsável ante Deus por minha conduta.

Para onde os nossos pés nos têm levado?

Somente para lugares onde Deus queria que fôssemos?

  • Temos cinco sentidos.

Temos servido a Deus com eles?

O altar tinha quatro lados.

Na Bíblia, quatro é o número da Terra.

  • Há quatro estações (Gênesis 8:22), quatro direções do vento ou “confins da terra” (Isaías 11:12).
  • A porta tinha quatro cores. Há quatro Evangelhos que falam do Salvador do mundo, “O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos”, ou seja, Sua oferta está ao alcance de todos (1 Timóteo 2:6). Todo aquele, pois, que quiser, pode ser salvo.

A altura do altar era de três côvados.

  • A Deidade consiste em três: Deus, o Pai; Deus, o Filho, e Deus, o Espírito Santo.

Será que essas três Pessoas têm algo a ver com o altar, com a obra da expiação? Sim, totalmente, pois a Deidade inteira esteve em ação quando se tratava de salvar os homens:

O Pai deu o Seu Filho (João 3:16; 1 João 4:14);

O Filho a Si mesmo se entregou (Gálatas 2:20);

Ele, mediante o Espírito eterno, a Si mesmo se ofereceu, isto é, no poder do Espírito eterno (Hebreus 9:14).

Se você ler este último versículo, notará que menciona as três Pessoas: Cristo, o FILHO, a Si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, o PAI, mediante o ESPÍRITO eterno.

O Plano de Deus

Deus sabia de antemão o que haveria de suceder à criação. Ele conhecia os propósitos do diabo, que queria arruinar tudo que é de Deus, destruir não somente a criação, mas também cada vida humana, arrastando-a consigo para a eterna perdição.

Mas já muito antes, desde a eternidade, Deus tinha um plano em Seu coração, pelo qual Ele salvaria os homens. Um plano assim só poderia ser concebido por Deus. Ele é o Deus santo, que não pode tolerar o pecado ou então deixá-lo sem castigo.

DEUS é LUZ (1 João 1:5).

Ele deveria julgar e castigar o homem com justiça. Mas se Ele fizesse isso, como ficaria demonstrado o Seu amor?

DEUS é AMOR (1 João 4:8, 16).

Então Ele expôs o plano: O próprio Filho de Deus viria à Terra e se faria Homem, para morrer no lugar de pecadores culpados…

Cada altar, cada animal sacrificado através de todo o Antigo Testamento apontava para o Filho amado de Deus, o qual viria um dia ao mundo para sofrer e morrer naquela horrenda cruz.

Você, leitor, jovem ou velho, os seus pensamentos já contemplaram a cruz de Cristo sob este aspecto?

Ele, o Santo, o Inocente, sofreu além do que se pode descrever. Ele morreu. Este é o sofrimento de Cristo como substituto. A favor de quem? Não de todos os homens!

Milhares são indiferentes a esta cruz. Seguem sua vida normalmente, vivem como querem, em pecado ou até mesmo dignamente, contudo sem que Alguém tenha morrido em seu lugar. Então um dia morrem… e estão perdidos para sempre!

Outros veem a cruz, ficam encantados e comovidos, mas nunca chegam a Deus assumindo sua condição de pecadores.

Porém, Cristo morreu por todos os que têm colocado suas mãos sobre o cordeiro, o Cordeiro de Deus.

Você também pode fazê-lo, sussurrando Àquele que esteve na cruz:

“Eu, eu pequei; eu merecia a cruz. Senhor Jesus, Tu morreste em meu lugar. Obrigado Senhor Jesus!”.

“Eu te agradeço ó Deus, Pai, por Tua provisão, eu creio em Ti, eu confio na obra que Teu Filho cumpriu na cruz. Amém!”

Nesse momento, Deus expiou toda a sua culpa pelo sangue de Cristo. Você está livre, eternamente livre!

J. R.


Sugestão de Leitura:

Série Pentateuco – Êxodo – C. H. Mackintosh

Coleção de Estudos sobre o Pentateuco - baixamos o valor! (GN,ÊX e LV em novo formato)
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