Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

Holocausto

“Esta é a lei do holocausto; o holocausto ficará na lareira do altar toda a noite até pela manhã, e nela se manterá aceso o fogo do altar”.

(Levítico 6:9 ARA)

Encontramos quase o mesmo pensamento em Êxodo 29, onde diz que todo dia, de manhã e à tarde, devia ser oferecido um holocausto — ao pôr do sol, para que o aroma agradável do holocausto também pudesse subir a Deus durante a noite.

Profeticamente, vemos nisso o significado da obra do Senhor Jesus para nós e para Israel. Nós estamos vivendo na noite — quando o Senhor foi traído por Judas, era noite (João 13:20). Virá o momento em que há de romper o dia em que o Senhor Jesus há de voltar como o sol da justiça. Este será um dia especial para Israel.

O holocausto estava, portanto, destinado para o dia, visto que só com base na obra do Senhor Jesus, Israel será abençoado; mas era também, destinado para a noite, pois também nós recebemos as nossas bênçãos somente com base na obra do Senhor.

Aqui, contudo, é indicado com ênfase para o fato de que o holocausto tinha que ficar sobre o altar a noite toda. Trata-se aqui do holocausto que nós oferecemos. Deus contempla a obra do Senhor Jesus ininterruptamente. Se Deus a deixasse de ver um instante sequer, não haveria bênçãos para nós.

Mas, porque aqui se trata de holocaustos que nós apresentamos, a respeito deles a Palavra de Deus diz que o fogo deve ficar aceso a noite toda.

Creio que encontramos mais ou menos o mesmo pensamento em Números 28, onde diz que Deus deseja receber ofertas desta terra amaldiçoada; deste deserto onde Deus está rejeitado. Não obstante, Deus gostaria de ver fruto desta terra. É o que também notamos aqui. Mesmo quando é noite na terra, Deus deseja que o aroma do holocausto suba a Ele.

Que pensamento precioso, especialmente quando pensamos em nossos sacrifícios!

Durante todo o tempo em que o Senhor Jesus está rejeitado, Deus deseja que os Seus Lhe ofereçam holocaustos, a fim de que suba constantemente a Ele o aroma agradável — não como havia subido da cruz, outrora, mas como aroma de um holocausto oferecido a Ele.

Conforme já temos visto, isso significa que contemplamos ao Senhor Jesus como holocausto e oferecemos como sacrifício aquilo que temos visto nEle.

Nós encontramos o mesmo pensamento no Salmo 134.Suponho que conhecemos a sequência dos salmos 132 ao 134.

No Salmo 132 vemos o lugar da reunião; no Salmo 133:1 lemos:

“Oh! Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união”;

e no Salmo 134 encontramos os serviços que ali se executam. O primeiro versículo diz:

“Eis aqui, bendizei ao Senhor todos vós, servos do Senhor, que assistis na casa do Senhor, todas as noites”.

Muitos não entendem por que aqui diz: “todas as noites”, mas nós o entendemos quando vemos o que o Novo Testamento ensina.

E assim continua até o último versículo do Salmo 134, pois ali encontramos a manhã:

“O Senhor que fez o céu e a terra te abençoe desde Sião”.

Com isso terminam os “cânticos dos degraus” (ou “cânticos de subida”).

Em Levítico 6 lemos a respeito do holocausto:

“o holocausto ficará na lareira do altar a noite até pela manhã, e nela se manterá aceso o fogo do altar”.

 (v. 9 ARA)

Portanto, este é o serviço dos sacerdotes.

Em primeiro plano, isso se refere ao Senhor Jesus, pois Arão é uma figura do Senhor Jesus. Mas, Arão e seus filhos são mencionados conjuntamente, isto quer dizer que também é uma tarefa para os filhos de Arão.

Que maravilhoso serviço o Senhor Jesus exige de nós! É nossa tarefa cuidar de que, durante todo o tempo da rejeição do Senhor Jesus, suba a Deus o aroma agradável do holocausto, porquanto nós, os crentes, oferecemos este sacrifício a Ele.

Se pensarmos agora no sacrifício pelo pecado, notamos que há diferenças entre ambos. O sacrifício pelo pecado é necessário para nossa salvação. Contudo, era oferecido apenas uma vez ao ano. Não encontramos que tivesse que ser repetido.

Talvez isso acontecesse quando alguém tivesse pecado, conforme vemos nos capítulos 4 e 5, porém, nunca é falado de um sacrifício pelo pecado voluntário. Contudo aqui, onde é falado do holocausto, Deus presume que os nossos corações estejam cheios e ofereçam holocaustos ininterruptamente.

Isto alegra a Deus! É um assunto que fala seriamente aos nossos corações.

No início, quando nos aproximamos de Deus, víamos o Senhor Jesus como sacrifício pelo pecado, porque nos ocupávamos com aquilo que necessitávamos.

Mas, se chegamos a conhecer verdadeiramente ao Senhor Jesus, então Deus deseja que nos ocupemos com o Senhor Jesus como holocausto.

Embora nunca esqueçamos a Sua obra no tocante aos nossos pecados, entendemos que o sacrifício pelo pecado não era oferecido sobre o altar. Para esta finalidade, Deus deseja um holocausto.

Nosso constante serviço consiste em oferecer holocaustos durante todo o tempo da rejeição do Senhor Jesus, para que o aroma agradável suba a Deus. Podemos estar junto do altar, mas, além disso, temos uma tarefa, um serviço.

O altar de bronze, na verdade, era parte integrante do tabernáculo; encontrava-se, no entanto, no deserto.

O átrio da tenda é uma figura da terra como o lugar em que foi levantada a cruz. Em Hebreus 13:10-13 lemos que nós devemos estar no santuário ou fora do arraial.

Quando nos reunimos como Igreja para trazermos os nossos sacrifícios à Mesa do Senhor — o altar de bronze — vemos então em que caráter nós devemos estar ali: devemos estar conscientes de que a obra está consumada, devemos realizar que morremos com o Senhor Jesus e que o velho homem não tem razão de ser. Dessa maneira, oferecemos os nossos holocaustos.

Porém, não permanecemos sempre nesse lugar, mas temos que sair para o mundo, onde devemos prestar testemunho. Então não trajaremos as mesmas vestes que usávamos no santuário:

“Depois despirá as suas vestes, e vestirá outras vestes; e levará a cinza fora do arraial para um lugar limpo”.

(v. 11)

Esta é a segunda parte do nosso serviço, voltado para fora. Precisamos então, estar num lugar limpo, fora do arraial, separados de qualquer organização eclesiástica e humana. A este lugar devemos levar a cinza, isto é, o testemunho da obra consumada, mas não como sacrifício pelo pecado e sim como holocausto.

Isso significa, na verdade, o fim da velha natureza, mas, acima disso, demonstra a inteira devoção a Deus.

H.H.


Sugestão de Leitura: O Tabernáculo Fala Hoje – Roger P. Daniel

O Tabernáculo fala hoje

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