Revista Leituras Cristãs

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A Linguagem simbólica do apocalipse

A LINGUAGEM SIMBÓLICA DO APOCALIPSE

 

Interpretar a linguagem simbólica do Apocalipse é algo que alguns já cogitaram. E muitos têm-se surpreendido ao constatar quanto isso é proveitoso. Mas a interpretação em si oferece inúmeras dificuldades: considere-se apenas a impossibilidade de descrever um símbolo mediante uma definição. Um símbolo contém - como disse alguém ­"um pensamento ilimitado numa forma limitada". Sem os símbolos, não teríamos condições de contemplar de uma só vez uma compactação tão grande de verdades. Quase tudo no Apocalipse é simbólico. Basta mencionar o cordeiro, os anciãos, a mulher e o filho varão, a prostituta, as duas testemunhas, os 144 mil, os quatro seres viventes, as duas bestas, Babilônia, a Nova Jerusalém, etc. A abrangência do significado de um símbolo é ilimitada, pois sintetiza integralmente o pensamento de Deus acerca de determinada coisa. Portanto, em nossa limitação humana, não devemos nos atrever a interpretá-los. Esse já não é o caso dos elementos metafóricos que moldam o símbolo, pois em sua maioria esses elementos permitem conclusões suficientemente claras daquilo que o Espírito Santo está colocando diante dos nossos olhos.

Exemplo: Não temos necessidade de nenhum símbolo para nos esclarecer o que vem a ser um trono. Além do significado literal e material, trono é para qualquer pessoa o emblema do domínio real.

Até aqui é muito simples.

Mas vamos para Apocalipse 4, onde encontramos um trono "posto no céu" e uma pessoa mística assentada nele. O trono é visto no centro de uma área que o circunda, cujo perímetro é demarcado por um arco- íris que resplandece numa única cor. Vinte e quatro tronos estão ligados a esse trono central como os raios de uma roda. Aí vemos assentadas outras pessoas, cuja aparência é diferente da primeira. Do trono do centro saem relâmpagos e trovões e vozes; diante dele ardem sete lâmpadas de fogo e se estende um mar de vidro. Ao trono pertencem quatro seres viventes (ou: animais), estes estão no meio do trono e ao redor dele. Descrevem-se nos o que eles têm em comum, suas palavras e suas peculiaridades. Em Apocalipse 5:5, João ouve a respeito do leão, que é da tribo de Judá e, quando olha, o que vê (no versículo 6) é um cordeiro no meio do trono.

O somatório de todos esses traços constitui o trono simbólico. Nosso discernimento espiritual é imperfeito e limitado. Não somos capazes de perscrutar esse símbolo nem de abranger toda sua extensão. O símbolo é divino e por isso excede o nosso entendimento. Porém, a interpretação dos seus diversos componentes nos permite penetrar, até certo grau, na infinita profundeza do símbolo em sua totalidade. É justamente isso que vamos procurar fazer aqui, com a ajuda do Espírito de Deus e na dependência dEle.

Ainda uma observação importante e básica: a interpretação da linguagem simbólica não é coisa do arbítrio nem da imaginação da mente humana. A Palavra de Deus sempre é suficiente em Si mesma. Ela constitui tanto o ponto de partida como também o fundamento da interpretação. Os erros que porventura possamos cometer sempre terão origem no conhecimento imperfeito das Escrituras. É por isso que em cada caso tivemos o cuidado de mencionar a seleção das passagens bíblicas das quais derivamos a nossa explicação. O número dessas passagens é maior ou menor dependendo da importância do assunto.

Entre as dificuldades com as quais temos de lidar constantemente, há uma em particular, cuja importância não devemos desconsiderar. Se, como vimos, a interpretação do caráter de um símbolo não pode ser descrita numa única palavra, isso também vale, embora haja exceções, para a linguagem simbólica em geral. Para exemplificar isso, basta considerar o primeiro conceito a ser interpretado no capítulo primeiro. A palavra "anjo" tem significado completamente diferente da expressão "o seu anjo". É o caso de interpretar não a palavra, mas a expressão no todo. É por isso que, em nossas interpretações, estamos muitas vezes mencionando sentenças, e não palavras. O leitor terá de concluir: uma tal obra, já imperfeita pela insuficiência do autor, há de permanecer com lacunas. Pois até quando se trata de um assunto aparentemente fácil, há por demais pensamentos adicionais que se entretecem ­e não podemos apresentar todos.

Que o Senhor, mesmo assim, abençoe esta pequena série de estudos para o proveito daqueles que, face aos perigos do presente século, estão vigilantes e querem ser guiados pela "lâmpada profética" em meio das trevas que se tomam cada vez mais espessas.

Vamos, então, tomar nossas bíblias e abrir no livro do Apocalipse:

 

APOCALIPSE

capítulo 1

Versículo 1

- o seu anjo

O "anjo de Jesus Cristo" corresponde ao "anjo do SENHOR" do Antigo Testamento (1), o representante místico de Sua pessoa, que até então não se havia revestido de um corpo humano. Ao anjo são atribuídas diversas tarefas. No Apocalipse ele revela o Senhor em Seus caminhos, mesmo antes que Ele próprio apareça pessoal e publicamente.

1)Êx 3:2; 23:23; Jz 2:1,4; 6:12; 13:3 e 6; 2 Rs 1:3,15; Zc 3: 1-3.

Versículo 2
-o testemunho de Jesus Cristo

As palavras da profecia e as coisas contidas neste livro.

Ap 1:2,9; 11:7; 12:11,17; 19:10; 20:4; 22: 18.

Versículo 4
- aquele que é, que era e que há de vir

Aquele que é: Sua verdadeira natureza, Seu ser, sempre presente e sempre o mesmo. Aquele que era: Trata-se de "aquele que é" no passado. Aquele que há de vir: Trata-se de "aquele que é" no futuro, quando iniciar o Seu domínio real em forma de Messias.

MI 3:1; Mc 11:10; Mt 11:3; Hb 10:37.

- os sete Espíritos que se acham diante do seu trono No capítulo 4:5, esses espíritos são descritos como "sete tochas de fogo" que ardem "diante do trono" e no capítulo 5:6, como os "sete olhos" do Cordeiro.

Sete é o maior número primo de um dígito só, o número da plenitude. Ou seja, uma coisa perfeita e completa em si - seja a plenitude do bem2), seja do mal.

Não há nada a acrescentar. Ao mesmo tempo, sete simboliza a unidade na diversidade (1 Co 12:4). Este número é usado mais do que qualquer outro na Palavra. Aparece 45 vezes no Apocalipse. Por exemplo, nos capítulos 1:4,12,16; 5:1,6; 8:1-2; 10:3; 15:1; 16:1. O número sete é diversas vezes dividido em quatro mais três. Três é o número divino, quatro o número do homem, do mundo ou de toda a criação (por isso, temos quatro reinados [Dn 2], quatro rios, quatro seres viventes, quatro cantos da terra [7: 1], quatro ventos do céu, quatro cavaleiros [capítulo 6], quatro evangelhos). Quatro e três mostram, portanto, a operação divina na criação. Deduzimos, pois, que sete é o número da plenitude também no que diz respeito ao governo de Deus. Em consonância com isso, geralmente se exigem sete requisitos daqueles a quem é confiada a administração da casa de Deus.

2)Gn 2:2-3; 7:2-3; Êx 12:15; 29:30,35; Lv4:6; 14:16; 16:14; 23: 15,34; 25:8; Js 6:4; 1 Sm 2:5; 2 Rs 5:10; SI 12:6; Mt 18:22; Lc 11:26.

Sete Espíritos

A plenitude do Espírito Santo. Sete Espíritos "que se acham diante do seu trono" . É a plenitude do Espírito ou, melhor, a unidade do Espírito e ao mesmo tempo sua diversidade (ou, como vimos antes, "a unidade na diversidade), segundo a qual Deus governa a terra. Em Isaías 11:2, essa plenitude repousa sobre Cristo manifestando-se sob sete diferentes efeitos.


Versículo 7
- as nuvens

Simbolizam os anjos. Em contraste com "a nuvem" (no singular, veja o capítulo 10:1).

Versículo 10
-por detrás de mim

A história das sete igrejas faz parte das coisas "que são" (versículo 19), mas o apóstolo as contempla como estando "por detrás" dele. Da mesma maneira, o que ele tem diante de si, e que contempla de uma ótica profética, é o futuro do mundo - o qual, aliás, já está revelado no tempo presente à Igreja.

- grande voz, como de trombeta

Um apelo penetrante que visa a despertar a atençã03) para os juízos vindouros (veja capítulo 8:2). Aqui serve para conduzir a atenção do profeta a um cenário de juízos terrenos, e no capítulo 4: 1, ao cenário celestial dos juízos.

3)ÊX 19:16; Lv 25:9; Is 18:3; 58:1; Jr 6:17; Ez 33:3-4;J12:1.


Versículo 12

-Sete candeeiros de ouro

Sete: veja o versículo 4

(ou castiçais, ou lâmpadas)

A Igreja ou Assembléia vista em sua totalidade ("sete") e nas suas diversas fases. A igreja se destina a difundir luz sobre a terra. Ela é responsável por essa missã0) e também por corresponder aos pensamentos de Deus. É Deus Quem a coloca neste mundo como modelo de justiça divina (ouro). O candeeiro de sete hastes tipifica a luz divina, que opera um testemunho perfeito e completo nesta terra, mediante o poder do Espírito Santo. Esse testemunho foi primeiramente visto em Israel (Êx 25:31), aqui é visto na Igreja. - Há sete candeeiros em vez de um, pois as sete igrejas são diferentes fases da evolução de um e do mesmo candeeiro, a única Igreja. No tabernáculo, Cristo é o candeeiro. Aqui, porém, Ele está posicionado fora desses candeeiros, que têm as responsabilidade de luzir para Ele. Mas Ele tem as sete estrelas (veja versículo 16). Estas não são as igrejas, mas os representantes simbólicos da responsabilidade e da autoridade das igrejas.

Com vistas a Israel: Êx 25:31; Nm 8:2-4.

Nas Escrituras, o ouro em si geralmente indica a justiça de Deus. Compare com SI 19:9-10; Pv 8:18; Ap 3:18.


Versículo 13

- semelhante a filho de homem

O Senhor no Seu caráter de juiz. Jo 5:27; Ap 14:14.

- com vestes talares.

(No grego Ou: vestido até os pés com uma veste comprida)

A palavra usada no hebraico significa "veste comprida". Indica a veste sacerdotal, porém sem os lombos cingidos, porque aqui não se trata do ministério de intercessão sacerdotaI.

SI 133:2. 7)compare Êx 16:4.

- cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro

A integridade do juiz, que sabe julgar e condenar o mal conforme a justiça divina. Sendo assim, a cinta em outras passagens significa a integridade no ministério, no andar, na luta e na intercessã0. É, na verdade, a cinta do sumo sacerdote em consonância com sua posição sumo sacerdotal. O sumo sacerdote não tinha os lombos cingidos, exceto quando no ministério de intercessão (Êx 28:8,27). Veja também Ap 15:6.8 Lv 16:4; Lc 12:35; Êx 12:11; Ef 6:14.


Versículo 14

- cabeça e cabelos brancos como alva lã, como neve

A honra do "ancião de dias". Sua pureza, santidade e justiça pessoais. Dn 7:9; Mc 9:3; Mt 17:2; Lc 9:29; SI 51:7.

- olhos, como chama de fogo

O juízo que manifesta e consume. Juízo que não poupa: ninguém escapará dele. Ap 19:11-12; Dn 10:6; SI 11:4; Jr 32: 19; Is 29:6; 30:30; 66: 15-16.

Versículo 15
-os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha Outras traduções dizem "latão reluzente". Nas Escrituras, bronze muitas vezes tipifica a justiça imutável de Deus, o modo que esta confronta o pecado nesta terra, onde quer que se manifeste. Opera tanto para o juízo e condenação do pecado quanto para a salvação eterna mediante um julgamento temporal terreno), ou então para a salvação do Seu povo terrestre mediante um juízo divino inserido no curso dos Seus caminhos de governo para com os homens. A justiça divina, por fim, também se manifesta no estabelecimento do reino fundamentado nesse juízo. 

Como um todo, essa passagem significa o caminhar) ou os caminhos de governo de Cristo sobre a terra, em meio do fogo de um juízo incontestável e correto quanto ao pecado e a corrupção na igreja.

- a voz,

como voz de muitas águas A voz do Todo-poderoso, a voz majestosa do SENHOR. Ez 1:24; 43:2.

Em outros trechos, são as vozes que partem dEle, sendo grandes e poderosas como Ele. Ap 14:2; 19:6.

Êx 38:1-8; Nm 21:9; Ez 40:3.

ZC 6:1.

Rs 7:15-22. 12)Ap 2:1.

compare Dn 10:6.

Versículo 16
-na mão direita sete estrelas

A mão direita

Força, poder, sustentação. Êx 15:6; SI20:6; 89:13; Is41:10.

Sete

veja o versículo 4.

Estrelas

Poderes14 sob sujeição15, vistos no seu caráter de luz e ordem mora16. Designam-se a brilhar como luzeiros celestiais sobre a terra.

14) Gn 37:9.

15)SI136:9.

16)Jr 31:35. 17IDn 12:3; Fm 2: 15.

A frase completa: Ele leva e sustenta a Igreja (veja o versículo 12), Ele é o Seu Protetor poderoso. A Igreja é vista aqui nos seus representantes místicos (veja o versículo 20), e tida como responsável pelo poder que lhe está sujeito e foi confiado. Está em dependência de Cristo, destinada a difundir neste mundo o brilho da luz celestial.

Da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes

A penetrante Palavra de Deus. Ela sai da boca de Cristo para julgar e discernir aquilo que é do Espírito e o que é da carne. Depois, para exterminar tudo que é contrário a essa Palavra. SI 149:6-7; Hb 4:12; Ap 2:12,16; 19:15.

Seu rosto brilhava como o sol na sua força

A mais sublime e bem firmada autoridade e domínio; a luz mais elevada. Ap 10:1; Mt 17:2; 5184:11; 89:36; 136:8.

 

Versículo 18
-Tenho as chaves da morte e do inferno (ou: Hades)

É o domínio que foi tomado de Satanás (mediante a morte e a ressurreição de Jesus Cristo). Este poder permite entrar ou sair, prender ou libertar18). Aqui serve para libertar os corpos da morte e as almas do lugar invisível. Vejam, portanto, que não é para prendê-las ali.

18) ls 22:22; Mt 16: 18-19; Ap 3: 7; 9:1; 20:1.

 

Versículo 20
- os anjos das sete igrejas São os representantes19) místicos das igrejas (veja o versículo 12). Aqui as igrejas são contempladas na sua responsabilidade. Melhor dito: o "anjo da igreja" é a responsabilidade personificada20) da igreja, inclusive no que diz respeito a sua missão de servir e administrar. Hb 1: 14.

19) Mt 18:10; At 12:15.

20 )Embora a responsabilidade recaia sobre toda a igreja, há um grupo de pessoas visto como portador dessa responsabilidade. (Nota do tradutor)

 

"Estudos sobre a palavra de Deus” - Apocalipse 1


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