Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

"Estudos sobre a palavra de Deus” - Apocalipse 4

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

tradução de Synopsis of the Books of  the of the Bíble – John Nelson Darby

APOCALIPSE – capítulo 4

Mas entremos em primeiro lugar na série dos acontecimentos preparatórios que terão lugar no mundo. E é de notar que não é feita menção aqui da vinda do Senhor em relação com a Igreja. É-nos prometido que Ele virá em breve - e a igreja é ameaçada de ser vomitada da Sua boca. Mas o fato da Sua vinda para os Seus, ou o arrebatamento da Igreja num dado momento não são indicados. Isto entra plenamente naquilo que vimos do ministério de João1; ocupa-se da manifestação do Senhor sobre a Terra, a aborda apenas as promessas celestes, exceto quando isso se torna necessário, no momento em que o Senhor vai deixar os Seus discípulos. Encontramos essa exceção nos capítulos 14 e 17 do seu Evangelho, mas, no Apocalipse, esse tema não é abordado. Mesmo no capítulo 12, que confirma, de modo notável, o que acabo de dizer, o arrebatamento dos santos não é visto senão como identificado com o do filho varão, o próprio Cristo. É por isso que não temos neste livro nenhuma época especial relativa que seja indicada para o arrebatamento dos santos, exceto o fato de os vermos já em cima, antes do combate que tem lugar no Céu e que conduz aos três anos e meio do fim. Por outro lado, os santos, pertencendo à Igreja, ou aqueles que existiam antes, são sempre vistos em Cima, após as cartas às igrejas. Esperam que o Julgamento lhes seja dado para vingarem o seu sangue, mas não são nunca vistos sobre a Terra.

1) O caráter também sob o qual Cristo é apresentado refere-se ao Julgamento entre as assembléias ou igrejas e à Igreja sobre a Terra. Aqui, a Igreja não é vista como sendo a Esposa de Cristo, mas apenas um corpo sobre a Terra.

Temos de considerar em que momento o quarto capítulo inicia mas o Julgamento sobre Sardes, ou mesmo sobre Tiatira, não teve ainda lugar. Os caminhos de Deus somente começam depois de Cristo ter cessado de atuar a respeito da Igreja professante, como tal, considerando-a como sendo a Sua luz perante o mundo. Nem sequer é indicado o nome que ela própria há de tomar; desembaraçou-se dela! Uma apostasia abertamente declarada deve ter lugar. A data não nos é revelada, tal como a do arrebatamento dos santos; mas vê-se, de acordo com a Segunda Epístola aos Tessalonicenses 2, que este fato terá lugar antes da apostasia. Assim, o que acabamos de verificar é que, no Apocalipse, a ação de Deus para com o mundo começa quando a ação de Cristo para com as igrejas chega ao fim. As igrejas são" as coisas que são" ; o que se segue é "as coisas que depois destas hão de acontecer". A partir daí, Cristo não é visto andando no meio das igrejas; Ele é o Cordeiro no meio do trono. João já O não vê sob o Seu primeiro caráter e já não é empregado a enviar mensagens às igrejas; é chamado ao Céu, onde agora todos os caminhos de Deus se prosseguem para com o mundo, e não para com a Igreja. Agora temos o trono - e não o Sacerdote vestido de vestidos talares. Os reis e os sacerdotes de que se fala no primeiro capítulo estão agora no Alto. Outros poderão segui-los, mas eles estão nos lugares celestiais, assentados em tronos, adorando ou oferecendo os seus incensários cheios de perfume. Por outro lado, o Senhor não veio para julgar o mundo, mas está ao ponto de receber a herança. Portanto, os santos que terão sido arrebatados ao encontro de Cristo, já não são vistos senão no Alto; pertencem ao Céu, nada tendo já a ver com a Terra. Têm o seu próprio lugar no Céu.

A relação entre as duas partes do Apocalipse é esta: Cristo, que , era visto como sendo o Juiz no meio da Igreja professante, é agora visto em Cima, abrindo o livro do Julgamento deste mundo, do qual Ele está ao ponto de tomar publicamente a herança. Os santos estão já muito longe desta cena de Juízo. O apóstolo cessa agora de se ocupar da Igreja ­ponto importante a fixar, porque o Espírito Santo deve ocupar-se dela, enquanto os santos, que estão nela, se encontrarem na Terra. João é arrebatado ao Céu, onde vê Deus de harmonia com a aliança que estabeleceu com a Sua Criação, quer dizer, sobre um trono de governo, rodeado por um arco-íris. Os santos celebram-no como sendo o Criador, Aquele por Quem todas as coisas foram criadas. O trono não é um trono de graça, pois dele saem os emblemas do poder e do Julgamento; mas em círculo, em volta do trono, aqueles que representam os santos recebidos em Cima, quando da vinda de Cristo, os reis e os sacerdotes, estão assentados em tronos. Não se vê ali nenhum altar para o sacrifício, como quando se trata de nos aproximarmos de Deus; a pia de bronze, que continha a água para a lavagem dos sacerdotes, é substituída por um mar de vidro. É a imagem de uma santidade estável e perfeita; já não há lugar para a lavagem dos pés. Os anciãos estão coroados; o número 24 recorda o número das diversas classes sacerdotais. O sete espíritos .de Deus estão diante do trono, no templo, com sete lâmpadas de fogo (v. 4 e 5). Não são os sete espíritos, exprimindo a perfeição em governo, que Cristo tem na igreja (capítulo 3: 1), ou que são enviados a toda a Terra (capítulo 5:6); aqui, é a perfeição que caracteriza os atributos de Deus na Sua ação no mundo. É o que traz agora a luz ao mundo.

Encontram-se quatro animais no círculo do próprio trono e em volta dele. Podem ser considerados como formando eles mesmos o trono, ou separados, embora a ele ligados como a um centro. Sob certos aspectos, assemelham-se aos querubins, e, sob outros aspectos, aos serafins, embora diferindo de uns e de outros. Estão cheios de olhos, por diante e por detrás, para verem todas as coisas segundo Deus. Estão também cheios de olhos por dentro e têm seis asas; são perfeitos em percepção interior, percepção que lhes é dada, e perfeitos também na rapidez dos seus movimentos. Representam as quatro classes de Criaturas sobre a Terra: O homem, os animais domésticos, os animais selvagens e as aves, simbolizando os poderes ou atributos de Deus que os pagãos adoravam, mas que aqui são apenas os instrumentos do trono (ou autoridade soberana). Os pagãos não conheciam Aquele que ali está assentado. A inteligência, a firmeza, a força e a rapidez de execução, que pertencem a Deus, são vistas em tipo nesses animais, como veremos noutro lugar. Diversos agentes podem ser os instrumentos da sua atividade, mas eles não são senão símbolos. Embora haja entre eles e os querubins uma analogia geral- o poder judiciário e o governamental - têm um caráter particular.

Os querubins sobre a arca, no templo, tinham duas asas que formavam o trono. Olhavam para o propiciatório, e, ao mesmo tempo, sendo de ouro puro, tinham o caráter da Justiça divina do trono de que se aproximavam. No livro do profeta Ezequiel, os querubins suportavam o firmamento acima do qual estava o Deus de Israel; era um trono de julgamento executivo. Eram como o bronze, incandescente e como fogo ­símbolo que já consideramos. Tinham quatro asas: duas para voarem e duas para se cobrirem. Segundo o capítulo 10 de Ezequiel, vemos que estavam cheios de olhos (não nos é dito: por dentro); era para governarem, segundo Deus, o exterior, e não inteligência divina interior. No sexto capítulo de Isaías, os serafins (ou ardentes) têm seis asas, assim como os quatro animais; estão por cima do trono e clamam, tal como aqui:

Santo, Santo, Santo! Com um carvão ardente purificam os lábios do profeta!...

Os símbolos empregados aqui tornam-se mais fáceis de compreender, segundo os diferentes casos: Os animais estão no meio e à volta do trono, com os atributos dos querubins, que ali estão unidos, porque se trata de um trono executório de Juízo. Mas não é simplesmente, como em Israel, um Julgamento terrestre providencial, um vento de tempestade vindo do norte (Ezequiel1 :4); temos perante nós, no Apocalipse, o governo de toda a Terra, um Julgamento executório segundo a santidade da natureza de Deus2. É o que exprimem os quatro animais nos quais não há apenas uma inteira percepção de todas as coisas exteriormente, mas também uma percepção interior e moral. Não vemos aqui um trono de ouro de que nos aproximamos, como no tabernáculo. A santidade intrínseca de Deus é aplicada ao Julgamento. Ele manifesta a Sua natureza e o Seu caráter em toda a Criação. A Providência já não será um enigma difícil de decifrar; não são atributos complexos, sem solução, embora aplicados em circunstâncias especiais. Cada ato terá agora o seu caráter próprio.

2) Porque o Julgamento, que tem lugar no fim, embora governamental e terminando a História da Terra, não é somente isso, respondendo ao caráter dos querubins; é também segundo a santidade e a natureza de Deus, conformemente ao caráter dos serafins, como em Isaias 6, onde Deus é conhecido em Israel.

Note-se também que aqui Deus não é apresentado, como no primeiro capítulo, como o Deus que É, embora abraçando o passado e o futuro, Deus em Si mesmo; mas é o Deus dos séculos "que era, e que é, e que há de vir" (v. 8). Todos os nomes do Antigo Testamento Lhe são dados: Jeová (Senhor ou Eterno), Elohim (Deus), Shaddai (Todo-Podero). Os Seus atributos (os quatro animais) celebram a plenitude do 'Seu nome, como sendo o SANTO que vive pelos séculos dos séculos, não tendo uma existência ou um poder que passa, como o do homem, que, na sua melhor condição, não é senão vaidade. E os santos curvam-se perante o trono, prostram-se perante o lugar que Ele ocupa na Sua glória, adoram-No na eternidade do Seu Ser, e depõem a glória, que lhes é dada, perante a Sua suprema e própria glória; só a Ele rendem toda a honra, como só Ele sendo digno. Mas a maneira como a glória é celebrada mostra bem que as homenagens se dirigem a Deus como ao Criador, por quem são todas as coisas. E, apesar de todas as modificações, estas coisas são sempre verdadeiras.

Notar-se-á ainda que os animais não fazem senão celebrar e declarar o que Deus é, enquanto que os anciãos adoram com inteligência. Em todo o Apocalipse, os anciãos dão o motivo da sua adoração. Há neles a inteligência espiritual.

Note-se em seguida que, quando os trovões, os relâmpagos e as vozes (sinais do terror que acompanha o Julgamento) saem do trono, os anciãos, nos seus tronos ficam impassíveis; estão em tronos em volta do Trono de Juízo, quando este é introduzido. Tal é o lugar deles perante Deus em relação com o Juízo. É a sua posição, em qualquer momento que Ele tome em mão o Julgamento. Fazem parte da glória - são assessores do Trono de onde procede o terror. Quando Aquele que ali está assentado é proclamado, eles revelam excepcional atividade: Reconhe­cem que a Ele pertence toda a glória, prostram-se sobre o seus rostos e deitam as suas coroas perante Ele, mais felizes por reconhecerem a Sua glória do que por possuírem a deles.

Não encontramos o Pai aqui; aqui é Jeová. E, de fato, se perguntássemos em quem Ele é manifestado, é, como sempre, no Filho; mas aqui, em Si mesmo, é simplesmente o Jeová do Antigo Testamento.

 

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