Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

"Estudos sobre a palavra de Deus” - Apocalipse 5, 6 e 7

ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

tradução de “Synopsis of the Books of the Bíble – John Nelson Darby

APOCALIPSE – CAPÍTULO 5

Neste capítulo é-nos apresentado o Cordeiro. Estava um livro na mão direita daquele que está assentado no trono; eram os planos de Deus, mantidos pelo Seu poder. Quem poderia abri-los e assegurar a sua execução? Quem tinha o direito de o fazer? Ninguém, nem no Céu nem na Terra, exceto Um, e Um só! Os anciãos explicam ao profeta, que se afligia por os caminhos de Deus terem de ficar encerrados, que o Poderoso Leão de Judá a verdadeira Fonte de todas as promessas feitas a Davi, tinha vencido para poder abrir o livro e desatar os seus selos. Era o Cordeiro, o Messias rejeitado! Era mais do que isso, como o demonstra a continuação do capítulo, mas Ele É o que É. O Messias rejeitado estava no meio do trono de Deus, rodeado de toda a manifestação do que é Deus em providência e em graça, a saber, os quatro animais e os anciãos. Ali estava um Cordeiro, como que imolado. Tinha sete chifres, representando a plenitude do poder dado por Deus sobre a Terra, e os sete espíritos de Deus para o governo de toda a Terra, de harmonia com a perfeição de Deus. Quando Ele tomou o livro, os animais e os anciãos prostraram-­se na Sua frente, tendo os incensários de ouro cheio das orações dos santos. Nesta posição, eles são sacerdotes, sacerdotes do Deus Altíssimo.

Para celebrar o Cordeiro, é cantado um cântico novo o que parecia ser a Sua desonra, o que atestava a Sua rejeição sobre a Terra, é o que O toma digno de toma o livro. Aquele que, ao preço de todos os seus sofrimentos e entregando-se a Si mesmo, tinha glorificado Deus em tudo o que Ele é, era capaz e digno de manifestar o que é Deus no Seu governo não era o governo de Israel, mas sim o de toda a Terra; não só exercendo­-se por meio de castigos terrestres, segundo a revelação que Deus tinha feito de Si próprio em Israel, mas também a manifestação em poder, sobre a Terra, de tudo o que Deus é. Aquele que tinha assim glorificado a Deus em tudo o que Ele é, e que, segundo o Evangelho, que declara o que Ele era pela Sua morte, tinha resgatado de toda a tribo, língua, povo e nação, Aquele era próprio para manifestar o governo de Deus em poder. Não Se manifesta ainda, mas a Sua obra é o que O toma digno - é o motivo divino - de manifestar todos os caminhos de Deus em governo. Pode abrir os selos e desvendar os mistérios dos caminhos de Deus. Os versículos 9 e 10 devem ser lidos assim: "Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a Terra". Não se trata do que é feito para uma classe particular, mas sim do valor do ato que é o motivo do louvor - é tudo o que Lhe é confiado.

Aqui, os anjos são introduzidos, e louvam o Cordeiro. Não os encontramos no quarto capítulo. Suponho que aparecem aqui por ter lugar uma mudança na ordem administrativa. Até ao momento em que o cordeiro toma o livro, os anjos tinham o poder administrativo; eram os instrumentos pelos quais se exercia sobre a Terra o que simbolizavam os quatro animais. "Porque não foi aos anjos que Ele sujeitou o mundo habitado futuro, de que falamos". É por isso que, logo que o Cordeiro aparece e toma o livro, desde que a idéia da redenção é introduzida, os animais e os anciãos são vistos juntos e os anjos tomam o seu próprio lugar à parte. Tal como antes os animais não dão nenhum motivo para o seu próprio louvor. Como chefes da Criação, quanto à sua natureza, celebram, com toda as criaturas, o título de glória do Cordeiro e a Sua própria dignidade, rendendo Aquele que está assentado no trono e ao Cordeiro o louvor pelos séculos dos séculos. Os quatro animais (ou seja: todo o exercício do poder de Deus em Criação e em Providência) juntam o seu Amem a esses louvores, e os anciãos adoram a Deus na excelência do Seu Ser. Mas, no versículo 8, os animais e os anciãos¹ estão reunidos, quando se prostram diante do Cordeiro. Não me parece que, na última parte do versículo, os animais devam ser distinguidos dos anciãos confundam-se com eles, simbolizando diferentes serviços, mas não duas classes, pelo menos nesse momento. O versículo 9 apresenta o fato geral; não nos é dito: "eles cantavam", mas sim "eles cantam". Isso tem lugar no Céu; mas aqueles que o fazem estão, de um modo geral, unidos no mesmo pensamento. Assim, é-nos apresentada a fonte do que vai seguir-se, isto é, o Trono e as pessoas comprometidas no Céu, diante de Deus, em tudo o que se passa. O Trono de onde parte o Juízo, os que rodeiam o trono de Deus em Cima, os que estão no meio do trono, todos foram patenteados perante nós! Temos, pois, a cena celestial, e o coro, e os assistentes.

1) A palavra correspondente, no texto grego, não se aplica apenas aos anciãos.

 

APOCALIPSE – CAPÍTULO 6

O que deve acontecer a seguir sobre a Terra começa agora, quando os selos são abertos. Notar-se-á agora que João, colocado no meio de ruína da Igreja, nos dá, profeticamente, tudo o que se passa depois de esta ficar perdida, até que Cristo venha, no capítulo 19. Nem a ascensão de Cristo nem o arrebatamento dos santos são mencionados, exceto no capítulo 12, onde aparecem juntos.

O que apresentam os primeiros selos é simples; não há nada de novo a dizer. Em primeiro lugar, vemos ali conquistas levadas a cabo por uma força imperial; depois, vemos as guerras e em seguida a fome, e, por fim, a mortandade, trazendo consigo o que Ezequiel chama os quatro flagelos mortais do Eterno: a espada, a fome, a peste e as feras da terra. Estes selos falam-nos do curso providencial da ação de Deus sobre a Terra, e é por isso que são os quatro animais que chamam sobre ela a atenção do profeta, mas têm neles a voz de Deus, a voz do Todo-Poderoso, a fim de que o ouvido daquele que tem o Espírito ouça. Encontram-se assim completos os fia gelos providenciais, como nos é dito nas escrituras.

Em seguida vêm os Julgamentos diretos, não sendo esses flagelos senão aquilo que poderemos chamar as medidas preparatórias.

Convém fazer notar que a plenitude dos flagelos do versículo 8 não atinge toda a terra romana, porque é a quarta e não a terça parte da terra que é mencionada. Os flagelos também são limitados na extensão da sua esfera; não são universais.

Os santos são aqueles em quem Deus pensa realmente, e são-nos recordados antes de outras cenas serem colocadas perante nós. Os que sofreram o martírio por causa da Palavra de Deus e do testemunho que prestaram perguntam quanto tempo ficarão ainda sem serem vingados - porque neste Livro temos de tratar com um Deus de Julgamento. O fato de os vermos sob o altar significa simplesmente que eles tinham oferecido os seus corpos em sacrifício a Deus por amor da Verdade. Os vestidos brancos são o testemunho prestado à sua justiça - a pública aprovação da parte de Deus a respeito deles. Mas o tempo em que eles devem ser vingados ainda não tinha chegado.

Não penso que os vestidos brancos dados aos santos signifiquem a ressurreição. A primeira ressurreição é a graça soberana dando-nos um lugar com Cristo ("para sempre com o Senhor"), em virtude da Sua obra e do fato de Ele ser a nossa Justiça - o que é para todos nós. Os vestidos brancos dados assim aos santos querem dizer que a sua justiça2 é reconhecida. É por isso que os encontraremos no capítulo 19, quando da aparição de Cristo. "Eles andarão comigo, vestidos de branco, porque são dignos". Não nego que sejamos purificados nem que os nossos vestidos sejam branqueados no sangue do Cordeiro, mas, mesmo onde isso nos é dito no capítulo 7, penso que essa afirmação se refere especialmente à maneira como eles foram associados com Cristo na sua posição de sofrimento. Aqui, os vestido brancos são-lhes dados; o seu serviço é reconhecido. Mas, para que o seu sangue seja vingado, têm de esperar, até que uma nova cena de perseguições lhes traga outros companheiros, que serão honrados e vingados como eles.

2) É muito possível que o plural (as justiças) que se encontra no texto grego seja um hebraísmo, empregado em vez de  “a justiça” . Encontra-se isso frequentemente nas coisas morais. Em todo o caso, a Justiça é a dos Santos.

No entanto isto marca um passo em frente e encontra a sua causa na ação de Deus para trazer esse novo estado de coisas, que termina pelo Julgamento final e pelo aniquilamento do mal. Aqui, os Julgamentos são providenciais.

Ao grito dos santos, reclamando a vingança, segue-se a deslocação de todo o sistema de governo neste mundo e o terror, que se apodera de toda a Terra. Como claramente se vê nesta passagem, que é uma cena de julgamento, Deus é um Deus de Julgamento. Os desejos dos santos são semelhantes àqueles que são expressos nos Salmos. Não se trata de filhos diante do Pai, não é a graça, não é o Evangelho nem a Igreja; é Jeová, um Deus de Juízo, por quem todas as ações são contadas, pesadas e medidas. Estamos no âmbito do Antigo Testamento, ou seja, da profecia: Não há aqui nenhuma graça para o malfeitor, embora o Julgamento introduza a bênção.

A abertura do sexto selo traz um tremor de terra, quer dizer, uma violenta convulsão em toda a estrutura da Sociedade. Todos os poderes governantes são visitados, e, ao verem tudo tão perturbado, todos, grandes e pequenos, pensam, com a má consciência que têm, que é chegado o dia da ira do Cordeiro. Mas esse momento ainda não é vindo, embora haja Julgamentos preparatórios, tendo em vista o estabelecimento do Seu Reino.

 

APOCALIPSE – CAPÍTULO 7

Mas Deus pensa nos Seus santos sobre a Terra, onde, recorde-se, a Igreja já não é vista. Pensa neles antes de se desenrolarem as cenas que devem seguir-se, quer se trate dos Julgamentos sobre a terra romana, quer das operações especiais do mal; pensa neles, a fim de os para em segurança e de os confirmar para esse dia.

Em primeiro lugar (cap. 7), aqueles que formam o número perfeito do Remanescente de Israel são confirmados, antes de ser permitido aos instrumentos providenciais dos Juízos de Deus entrarem em ação. O número indicado é de 144.000 = 12x12x1000. São guardados em segurança para a bênção segundo os desígnios de Deus, e separados para Ele. Não são ainda vistos como gozando já as bênçãos, mas sim guardados para elas. Em seguida, aparece a inumerável multidão daqueles que vêm dos Gentios. Devemos notar que não houve, precedentemente, nenhuma declaração profética quanto à bênção dos que são poupados na grande tribulação (não a tribulação dos três anos e meio de Mateus 24, - essa refere­-se aos Judeus - mas a que é mencionada na Epístola à igreja de Filadélfia); esta bênção é-nos plenamente revelada neste capítulo, que nos diz também mui distintamente quais são aqueles que nela têm parte: Vemos uma multidão de Gentios permanecendo, não em volta do Trono, mas sim na sua frente e perante o cordeiro, sendo a sua justiça reconhecida e eles mesmos vitoriosos. Atribuem a salvação a Deus assim revelado, isto é, a Deus no Trono e ao Cordeiro. Pertencem a essas cenas terrestres, e não à Igreja. A resposta ao que eles proclamam é dada pelos anjos que estão em volta do Trono, dos anciãos e dos animais, formando todos juntos a parte celestial da cena, já em relação com o Trono. Os anjos rodeiam os outros que formam o centro, o círculo mais próximo do Trono, e perante este está a multidão vestida de branco. Os anjos dão o seu Amém, e proclamam também os louvores de seu Deus.

Tudo isto se refere à multidão vestida de branco e aos anjos, mas somente os primeiros falam do Cordeiro, que é também a sua salvação. A isso os anjos juntam o seu Amém e louvam o seu Deus. Antes, tinham dado glória e bênção ao Cordeiro (cap. 5), mas compreende-se bem que a salvação que vem do Cordeiro não era a sua própria parte no cântico. Os anciãos e os quatro animais não adoram aqui porque as relações que lhes são próprias são diferentes, e não é delas que se trata aqui. Encontramos essas relações, quando o Apocalipse fala delas, nos capítulos 4 e 5. Ali, vemos os anciãos assentados em tronos, rodeando o Trono de Deus, deitando as suas coroas, diante do Trono e adorando Aquele que vive pelos séculos dos séculos. Dão as razões da sua adoração de harmonia com as relações em que estão colocados:

A relação dos anjos é com o seu Deus; a da multidão vestida de branco é com Deus do Trono e com o Cordeiro, como tendo direito ao governo e à libertação da Terra como coisa atual. Que o Cordeiro seja o Filho, ou mesmo o Deus que criou os anjos, não é aqui a questão; aqui trata-se de cada classe falando segundo a sua própria relação, de maneira a fazê-la sobressair.

Assim, temos os exércitos celestes, os santos glorificados, e a multidão dos que estão vestidos de vestidos brancos, cada uma dessas classes em relação diferente - a primeira e a última em conjunto, e os santos glorificados formando uma classe à parte. Aqui, eles não adoram; mas um dos anciãos (porque eles têm sempre a compreensão dos pensamentos de Deus) explica ao profeta o que é a multidão vestida de branco. Até então ela não formava senão uma parte da revelação profética, e não ocupava o lugar próprio da Igreja. "Meu senhor, tu o sabes", diz o profeta. O ancião diz-lhe então que são aqueles que tinham vindo da grande tribulação, que tinham permanecido fiéis, e cujos vestidos tinham sido lavados no sangue do Cordeiro. Não são santos da época milenária, quer dizer, nascidos durante esse período e sujeitos, pelo nascimento, à responsabilidade dessa condição, à qual a graça tinha de prover. São purificados e reconhecidos como tal; têm a consciência disso e alcançaram já a vitória quando os outros começam, de sorte que, já purificados e reconhecidos, estão sempre diante do Trono, como sendo uma classe especial, e servem a Deus dia e noite no Seu templo. Isto os distingue imediatamente dos adoradores celestes. Para estes, não há nenhum templo; o Senhor, Deus, o Todo-Poderoso e o Cordeiro são o templo da cidade celeste. Sobre esses, Aquele que está assentado no Trono arma a Sua tenda, como outrora sobre o tabernáculo. Não são como Israel no átrio, ou como as nações no mundo; eles têm um lugar sacerdotal no templo do mundo. As multidões do tempo milenário são adoradores; estes são sacerdotes. Tal como outrora Ana, filha de Fanuel, sempre no templo, têm constantemente acesso junto do Trono. Mas gozam também de bênçãos vindas do Cordeiro ao qual, tal como a Deus, atribuem a sua salvação. Ele é o Bom Pastor, que foi rejeitado; ele próprio passou pela atribulação, por uma grande tribulação, e Ele os apascentará. Não terão mais fome, nem sede, como tantas vezes tiveram. A perseguição e a tribulação já não poderão atingi-los. O Cordeiro, tal como será conhecido nesse tempo de transição, o Cordeiro, que é exaltado no Trono, os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida. Não é, como para nós, a promessa de uma fonte de água jorrando para a vida eterna e correndo exteriormente como um rio; mas serão alimentados, refrescados e perfeitamente guardados pela graça do Cordeiro, que eles seguiram. O próprio Deus enxugará dos seus olhos toda a lágrima; gozarão de todas as consolações de Deus em compensação das penas por que tiverem passado. Mas as suas bênçãos são consolações e não propriamente a alegria celeste. Formam, assim, uma classe à parte, distinta dos anciãos ou santos celestes; distinta também dos santos do período milenário, que nunca verão a tribulação. Têm, em graça, diante de Deus, uma posição conhecida e determinada. É uma nova revelação relativa àqueles que passam pela grande tribulação. Os cento e quarenta e quatro mil do capítulo 14 são uma classe análoga, tomada de entre os Judeus, saindo da sua tribulação especial.


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