Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

O Tribunal de Cristo

O Tribunal de Cristo*

 

Alguns cristãos estão aflitos porque pensam que, no tribunal de Cristo, todo pensamento secreto e toda intenção do coração serão manifestos a todos os que ali estiverem presentes. Eles não têm a menor dúvida nem temor no que diz respeito a sua salvação' eterna ou ao perdão de seus pecados; contudo, causa-lhes horror pensar que os segredos de seus corações serão manifestos a todos ali.

* N. do T.: No texto original grego de 2 Corintios 5: 10 temos a palavra "bema ", que foi traduzida para o português como "tribunal". Quando tratamos do "Tribunal de Cristo" não devemos pensar em coisas como julgamento ou condenação, pois o Senhor Jesus prometeu que o crente não entra em juízo (João 5:24), não é julgado (João 3:18). "Bema" significa literalmente uma plataforma, um palanque ou uma tribuna. O "Tribunal de Cristo" acontecerá logo após Cristo tiver buscado a Sua Igreja. Refere-se ao evento em que todos nós - os crentes - seremos manifestados na presença de Cristo. Ali será avaliado o nosso desempenho, o mérito de tudo o que tivermos feito em nossas vidas. Toda a fidelidade ao Senhor será recompensada. Tudo aquilo que tiver sido contrário à vontade dEle implicará em danos, ou seja, deixaremos de ganhar uma recompensa (1 Coríntios 3:15). Não confundir o ''Tribunal de Cristo" (onde somente comparecerão os santos) com o "Grande Trono Branco" de Apocalipse 20:11! Este último acontecerá depois do milênio e ali comparecerão somente "os mortos" (cujos nomes não estão no livro da vida) para serem julgados e lançados no lago de fogo.

Ao recordar as benditas e importantes verdades de João 5:24,1 João 1:7-9, 2: 12 e Hebreus 10: 1-17, é necessário interpretar as seguintes passagens destacan­do as palavras-chaves: "Porque importa que todos nós compa­reçamos (ou seja, sejamos manifestados) perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver

feito por meio do corpo" (2 Corintios5:10). "Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus" (Romanos 14:12). "Pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas" (Colossenses 3:25).

Estas passagens são tão claras que sondam o coração e a consciência. Para os crentes, estas afirmações deveriam exercer uma ação repressora sobre a velha natureza, com todas as suas vaidades, desejos e reações. O Senhor não quer que sejam utilizadas de um modo legal, para debilitar a sua confiança em Cristo e na perfeita salvação. Nunca serão julgados por seus próprios pecados; as passagens de João 5:24, Romanos 8: 1 e 1 João 4: 17 são conclusivas a este respeito. (N. do T.: É verdade que não entraremos em juízo), mas os atos que fizemos para o Senhor terão de ser expostos perante Seus olhos. O fogo provará a que classe pertence a obra de cada crente (1 Coríntios 3:12-15). Aquele dia manifestará todas as coisas.

Isto tudo é seríssimo e deveria nos levar a exercermos uma cuidadosa vigilância sobre nossos caminhos, pensamentos, obras, palavras, motivações e desejos. Nem a mais profunda percepção da graça nem a mais clara compre­ensão de nossa perfeita justifica­ção jamais enfraquecerá em nós a solenidade do tribunal de Cristo, nem diminuirá nosso desejo de viver de maneira que Lhe sejamos agradáveis (2 Coríntios 5:9).

É bom discernir isto. O após­tolo Paulo trabalhava a fim de que pudesse ser aceito. Ele reduzia "à escravidão" seu corpo a fim de não ser considerado indigno (1 Coríntios 9:27). Todo crente de­veria fazer o mesmo. Em Cristo já fomos aceitos e, assim, tra­balhamos para ser agradáveis a Ele. Devemos dar a cada verdade seu próprio lugar e relacioná-la imediatamente a Cristo. Mas só conseguiremos isto se estivermos na presença de Deus, pois sempre existe o perigo de usarmos uma verdade para prejudicar outra ver­dade. Sejamos muito cuidadosos para não cometermos este erro!

No tribunal de Cristo haverá uma plena manifestação de cada um e de tudo. Cada coisa saltará à luz ali. Coisas que pareciam muito brilhantes e dignas de louvor, e que fizeram grande sucesso entre os homens, serão queimadas como "madeira, feno e palha" (1 Coríntios 3:12-15). Coisas das quais os homens se utilizaram para glorificar seus nomes serão submetidas à ação purificadora do "fogo" e, possivelmente, muitas delas se transformarão em cinzas. No tribunal de Cristo serão desco­bertos os pensamentos de todos os corações. Todos os motivos, propósitos e as intenções serão pesados nas balanças do santuário. O fogo ·provará todas as obras dos crentes, e nada será aceito pelo Senhor que não tenha sido fruto da graça divina nos corações. Todas as motivações interesseiras - não puras - serão julgadas, condenados e consu­midos pelas chamas. Todos os preconceitos, os juízos errados, as suspeitas infundadas, todas essas coisas e outras semelhantes serão queimadas pelo fogo. Então veremos tudo exatamente como Cristo vê.

Mesmo agora, à medida que crescemos no conhecimento da Palavra, que nos aproximamos e nos tornamos mais semelhantes a Cristo, já condenamos muitas coisas que em outro tempo considerávamos boas, ou, pelo menos, não más. Quanto mais, então, as condenaremos quando estivermos no pleno resplendor da luz do tribunal de Cristo!

Mas agora, qual o efeito prático que a perspectiva do tribunal de Cristo produz no crente? Fazê-lo duvidar de sua salvação? Deixá­-lo na incerteza se é aceito ou não? É claro que não. Isto serve para nos fazer andar com cuidado dia após dia, conscientes de que caminhamos diante dos olhos de nosso Senhor; é oportuno para produzir em nós um espírito de vigilância, sobriedade e juízo próprio; infunde fidelidade, diligência e integridade em todos os nossos serviços e caminhos.

Tomemos como exemplo uma ilustração simples. Um pai tem de se ausentar de casa por um certo tempo e, quando se despede de seus filhos, dá-lhes certas tarefas e uma linha de conduta para que sigam durante sua ausência. Quando regressar, elogiará a alguns de seus filhos que foram fiéis às suas ordens, enquanto que reprovará os que foram negligentes. Mas não rejeitará estes últimos como filhos seus. Estes são tão filhos seus como os outros, mesmo com suas falhas. Se ficaram lutando e brigando entre si em vez de fazer a vontade do pai, se um julgava a obra do outro ao invés de prestar atenção à sua própria, se houve ciúmes e inveja em lugar de um sincero e ardente desejo de cumprir as instruções do pai, então eles terão de enfrentar um castigo merecido. Poderia ser diferente?

Pensar que os segredos do coração serão manifestos a todos no tribunal de Cristo não agrada a muitos crentes. O Espírito Santo declara que o Senhor" trará à plena luz as cousas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá o seu louvor da parte de Deus" (1 Coríntios 4:5). Ele não especifica diante de quem esses segredos se manifestarão, mas isto não afeta em nada a questão, pois o servo fiel está mais preocupado com o juízo de seu Senhor do que o de um conservo. Não há porque nos preocuparmos demais com o juízo dos homens, se agradarmos inteiramente a Cristo.

Por outro lado, se alguém está mais preocupado com a idéia de ter todas as suas motivações expostas diante dos olhos dos homens que dos de Cristo, está claro que tem a consciência suja. Esta pessoa demonstra que está mais ocupada consigo mesma. Se resistimos a expor nossas intenções mais secretas, fica patente que elas não são puras e, quanto antes as julgarmos, melhor.

O que muda se nossos pecados e falhas são manifestos a todos? Pedro e Davi são menos felizes porque multidões têm lido o relato de suas quedas? Não. O registro escrito de seus pecados somente exalta a graça de Deus e mostra o valor do sangue de Cristo. Assim ocorre em todos os casos. Se nos esvaziássemos mais de nós mes­mos e nos ocupássemos mais com Cristo, teríamos pensamentos mais simples e corretos acerca do tribunal de Cristo e das coisas de Deus.

Que o Senhor mantenha nossos corações fiéis a Ele neste tempo de Sua ausência, de modo que quando Ele vier, não nos envergonhemos diante dEle! Que nossas obras sejam começadas, levadas adiante e concluídas de acordo com Sua vontade, de tal maneira que o pensamento de tê­-Ias devidamente examinadas na presença de Sua glória não perturbe nossos corações! Roguemos para que seja o "amor de Cristo" que nos constranja, e não o temor do juízo, a fim de que vivamos para Aquele que morreu e ressuscitou por nós! (2 Coríntios 5: 14-15).

Com segurança e felicidade podemos deixar tudo em Suas mãos, já que carregou" ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados" (1 Pedro 2:24). Não temos nenhuma razão para temer, pois "sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-Io como ele é" (1 João 3:2). Tão logo Cristo apa­reça, seremos transformados à Sua imagem, introduzidos em Sua glória e, ali, revisaremos o pas­sado. Gozando já dessa suprema e santa elevação, contemplaremos em retrospecto todos os nossos caminhos aqui no mundo.

Então veremos tudo sob um ponto de vista completamente diferente. Talvez muitas coisas que ocupavam nossos pensamentos aqui, lá se mostrem vãs, enquanto que murros pequenos serviços ferros sem interesse pessoal e por puro amor a Jesus, sejam registrados e recompensados ricamente. Também poderemos ver, na clara luz da presença do Senhor, muitos erros e fracassos que jamais antes haviam chamado nossa atenção.

Qual será o resultado de tudo isto? Produzir em nossos corações hinos de adoração para Aquele que nos conduziu até ali através dos perigos e das dificuldades, suportando nossas falhas e erros. Ele nos assegurará um lugar em Seu reino eterno, para que seja­mos expostos aos potentes raios de Sua glória e, dessa forma, resplandecermos para todo o sempre.

 

C.H. Machintosh

 

Em concordância com a Vontade de Deus


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