Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

Referências para o estudo bíblico - Dicas para a escola dominical

Referências para o estudo bíblico

Um auxílio para professores de escola dominical e amigos da Palavra de Deus.

* Sugere-se que os versos indicados com asteriscos (*) sejam decorados.

DESCRIÇÃO DAS HISTÓRIAS DA BÍBLIA

78. Jesus é preso

  1. Judas entrega o Senhor: Mateus 26:47-50; João 18:2-8.
  2. Pedra saca a espada: Mateus 26:36-46,
  3. Os discípulos fogem: Mateus 26:55-56.

Explicação e ensinamentos:

1. Antes da ceia pascal, Judas já tinha se oferecido aos principais sacerdotes para trair o Senhor (Mt 26:14-16) (1). E agora, ao sair enquanto celebram a ceia, põe em ação o seu plano vergonhoso. Tanto o horário como o local eram favoráveis, pois não chamariam tanta atenção. Mas aí... era o mesmo lugar onde o Senhor tinha aberto o Seu coração aos discípulos, manifestando-lhes o amor de Deus; e os corações deles tinham apreendido tão pouco daquilo, sendo que o coração de Judas, ao invés de dar espaço ao amor de Deus, entregou-se totalmente ao poder de Satanás. Que lembranças este lugar deveria despertar em Judas!

A multidão vem armada porque teme alguma resistência. Mas Jesus Se adianta voluntariamente, e com isso evita que os Seus discípulos sejam aprisionados (Jo 18:4). Por duas vezes o Senhor pergunta: "A quem buscais?" Sua primeira resposta: "Eu sou", demonstrava o Seu poder divino. Os inimigos caíram por terra, e Ele poderia retirar-se deles. Mas era chegada a hora de oferecer-se; era a hora das trevas (Lc 22:35; *Jo 10:18). A segunda resposta revela o Seu cuidado pelos amados discípulos. Que graça! O Bom Pastor se coloca à frente das ovelhas, para enfrentar o lobo (*Jo 10:11-15; Gl 1:4; * Jo 17:12). Judas trai o seu mais fiel amigo por meio de um beijo - um gesto que expressa consideração e amor. Que hipocrisia! O Senhor não resiste ao perverso (Mt 5:39), antes, tal como um pai ao filho perdido, mais uma vez lhe estende os braços plenos de compaixão divina: "Amigo, para que vieste?”.

(1) 30 moedas de prata = 120 denários. (1 denário era o salário de um dia de trabalho - Mt 20:2).

2. No jardim, o auto-confiante Pedro primeiro entrega-se ao sono enquanto Jesus orava e o momento da prova se aproximava, mas agora deixa-se inflamar pelo ardor carnal e desfere um golpe com a espada. Jesus, no entanto, entrega tudo ao Pai e deixa-se conduzir mansamente como um cordeiro ao matadouro (*Isaías 50:6-10). Ele, o prisioneiro, mantém-Se poderoso - é o Filho de Deus - e cura a orelha de Malco (Mt 5:44) repreendendo a Pedro pelo gesto. Por que não apelou para a ajuda dos anjos? É que a Escritura tinha que se cumprir, e a redenção obtida por meio de Sua morte(Jo 12:27).

3. Mais uma vez o Senhor procura alcançar a consciência da multidão, chamando-lhes a atenção para a maneira obscura como O estavam prendendo, coisa que poderiam ter feito à luz do dia no templo (versos 55-56). Então entrega·Se, sujeitando-Se a eles. A Satanás foi concedido valer-se dos homens como ferramenta para exercer a maldade contra o Filho de Deus: era a ocasião do juízo sobre o pecado. E os discípulos demonstram sua impotência e fraqueza: fogem (Jo 16:32; Mt 26:31).

 

79. Jesus perante os principais sacerdotes

  1. Os sofrimentos do Senhor perante os sacerdotes: Mateus 26:57-68; 27:1-2; João 18:12-14; 19-24.
  2. a negação de Pedro: Mateus 26:69-75.
  3. O fim de Judas: Mateus 27:3-10.

Explicação e ensinamentos:

1. Um primeiro interrogatório realiza-se perante o Sumo· -Sacerdote Anás (Jo 18:12-14; 19-24); este tinha sido deposto pelos romanos, mas ainda exercia forte influência sobre o povo. O Senhor lhe responde, mas deixa transparecer que não reconhece a autoridade dele. Ao servidor que Lhe deu a bofetada, Ele, com calma e dignidade, demonstra a injustiça cometida (*Mt 5:39 ­em contraste com Paulo, que em ocasião semelhante falhou e teve que se corrigir: At 23:1-5).

Segue-se um segundo interrogatório (Mc 14:53; Mt 26:57-68) perante Caifás e os principais líderes (o Sinédrio era o supremo tribunal judeu, encabeçado pelo Sumo­-Sacerdote, com jurisdição religiosa, civil e criminal). Ambos os interrogatórios eram legalmente inválidos porque foram realizados de noite. Eles tinham, no entanto, que preparar-se para a audiência principal, cuja realização intentavam para a manhã seguinte (Mt 27:1; Mc 15:1; Lc 22:66-71). Os juízes deviam julgar justamente (Dt 16:18-20), eles, porém, de antemão já tinham decidido pela injusta morte de Jesus (Jo 12:10; Mt 26:59). Visto não disporem de uma acusação consistente (SI 69:4), recorreram a falsas testemunhas; mas nem o depoimento delas foi coerente (Dt 17: 6). Então, sob adjuração, o Senhor testemunha que:

I) Ele é o Messias, o Filho de Deus;

II) que os judeus não mais o veriam em humildade e mansidão, mas somente como Filho do Homem quando Ele se manifestar em glória para julgar esta Terra (Dn 7:13-14; *Ap 1:7).

III) As palavras deste Seu juramento - embora preciosas para nós, pois confirmam a glória de Sua pessoa - fizeram aumentar a responsabilidade deles, porque rejeitaram aceitar a verdade que testemunharam. Isso demonstrava que estavam sujeitos a Satanás, o pai das mentiras (* Jo 8:44-45).

Testemunhou da verdade e isso lhe foi imputado por blasfêmia, a base para Sua sentença de morte (Lv 24:16). Os inimigos como que diziam: Ele é um homem que quer fazer-se Deus, mas a realidade era: Ele é Deus, e fez-Se Homem (FI 2:5-8). Depois do ajuntamento seguiram os insultos e os golpes (Is 50:6-7).

O terceiro e único julgamento válido é nada mais que uma repetição do anterior (Lc 22:66-­71). Aqui, Jesus é formalmente sentenciado à morte e, então, conduzido a Pilatos, que tinha que ratificar a sentença.

2. Aqueda de Pedro deu-se entre o segundo e o terceiro interrogatório, no pátio do palácio do Sumo-Sacerdote (de onde se podia ver o Senhor) (2). O que causou a queda de Pedro foi a sua auto-confiança presunçosa (Mt 26:33). A carne é impotente; e como foi dolorosa esta experiência para Pedro! Antes tivesse crido no Senhor. Ele mente, jura e pragueja; refere-se ao Senhor como "tal homem". É uma lição para todos os crentes.

(2) As casas dos nobres no oriente tinham um pátio interno. A audiência foi feita num recinto aberto.

Contudo o Senhor permanece fiel e lembra-Se dele. O que revela o olhar de Jesus? Amor e graça, fazendo com que se dê conta da gravidade de sua atitude. As lágrimas de Pedro revelam o seu arrependimento sincero, a sua dor, mas não são capazes de apagar a sua culpa; isto o Senhor podia fazer (2 Co 7:10a). O seu orgulho e auto-confiança foram quebrantados, e ele profun­damente humilhado. Mas, consumada a sua restauração (Jo 21), ele tomou-se uma das mais abençoadas ferramentas na mão de seu Senhor.

3. A causa da ruína de Judas foi a sua cobiça; ele era ladrão (Jo 12:6; *1 Tm 6:9-10). A sentença de morte para Jesus surpreendeu a Judas; ele pensou que, como das outras vezes, o Senhor iria safar­-Se dentre os inimigos. Agora, ele lastima as conseqüências de seu gesto - tem “pontadas” de remorso, uma consciência pesada - mas não manifesta um arrependimento segundo Deus. O seu desespero o leva ao suicídio (2 Co 7:10); era o julgamento de Deus sobre ele (At 1:18).

Embora ouvissem da boca de Judas um claro testemunho da inocência de Jesus, os principais sacerdotes não manifestam compaixão. Tinham-lhe pago o preço da traição, compraram inescrupulosamente o sangue de Jesus; e agora, em falsa piedade, recusam lançar o dinheiro do sangue no cofre do templo. Acharam bastante razoável que com ele comprassem um terreno sem valor, onde o oleiro tinha cavado para extrair argila, para que ali se enterrassem os estrangeiros. Mas os pensamentos de Deus vão além do que imaginavam Judas ou os sacerdotes: aproximava-se agora o juízo para Israel, e a graça para os gentios. Não somente aquele campo, mas o mundo inteiro é desde então um "campo de sangue”, sendo que o sangue de Jesus agora fala coisas melhores que o de Abel (Hb 12:24; Gn 4:10).

A queda de Pedro foi muito séria, mas o fim de Judas foi terrível. O primeiro caso serve de advertência para os crentes, o último é um alerta medonho para todos os que conhecem a graça de Deus, mas não se dão conta de sua própria maldade: não deixam o pecado, não se convertem de modo real.

Pedro era sincero, porém confiava muito em si, e não era vigilante; Judas era amante do dinheiro, pouco sincero, faltava­-lhe o temor de Deus e ele não se arrependeu.

O olhar do Senhor alcançou a consciência de Pedro, levando-o a arrepender-se; e é dessa mesma maneira que o Senhor continua olhando para nós.

 

80. Jesus perante Pilatos e Herodes

  1. Acusam-NO de ser o Rei dos judeus: João 18:28 Lucas 23:2-4.
  2. Pilatos o interroga: João 18:33-38.
  3. Herodes zomba dEle: Lucas 23:5-12.

Explicação e ensinamentos:

1. Os judeus condenaram Jesus à morte porque alegaram blasfêmia em Sua afirmação de Ser Ele o Filho de Deus (Lv 24:16; Mt 26:64-66), porém não lhes era permitido crucificar alguém sem a aprovação do governador romano. Pilatos era o governador, e ele residia no pretório, que era perto do templo. Insistindo nas formas exteriores, eles recusaram entrar na casa de um gentio durante os dias da festa dos pães ázimos (sem fermento); tinham­-nos por imundos, porque não se abstinham do fermento (Êx 12:19). No entanto, não hesitam em matar o Filho de Deus (Mt 23:23-25)! Notem como uma religião formal causa cegueira e por fim conduz para as trevas.

2. Temendo que Pilatos (um gentio) não lhes confirmasse o veredito por blasfêmia, apresentam-lhe uma acusação diferente (Lc 23:2):

I) "Ele perverte a nação";

II) "proíbe o pagamento de impostos a César";

III) "afirma ser o Cristo, o Rei."

As duas primeiras acusações eram falsas, pois Ele somente tinha anunciado ao povo a sabedoria e a verdade de Deus, e ensinado que pagassem a César o que lhe era devido (Mt 22:21). Pilatos o interroga quanto à terceira acusação: "És tu o rei dos judeus?" Jesus responde afirmativamente, fazendo a Sua "boa confissão" (1 Tm 6:13). Mas por enquanto o Seu Reino não era deste mundo. Ele tinha vindo para dar testemunho da verdade. Pilatos conclui: "Eu não acho nele crime algum" (Jo 18:38; Lc 23:4). Como os judeus insistiam cada vez mais, Pilatos tenta eximir­-se deste caso importuno, passando-o a Herodes (Lc 23:7).

3. Herodes, o leviano e inescrupuloso assassino de João Batista, somente pensa em satisfazer a sua curiosidade. O Senhor nada lhe responde. Daí Herodes dispensar-Lhe desprezo e escárnio, fazendo-O vestir-Se de um manto branco, normalmente usado por aspirantes a cargos no governo romano - querendo dar a entender que Ele se fazia candidato à coroa dos judeus. Semelhantemente, desprezaram­-NO depois os soldados (Jo 19:1-3). Herodes sente-se honrado por Pilatos, e daquele dia em diante ambos tomam-se amigos.

Para opor-se a Jesus, os inimigos dão-se as mãos. Assim também os escribas e fariseus, orgulhosos e normalmente inacessíveis, uniram-se ao povo ­a plebe que consideravam impura e maldita (Jo 7:47-49) - e aos amigos do assassino Barrabás para condenar a Jesus.

 

81. A condenação de Jesus

  1. A rejeição do povo: Lucas 23:13-16; Mateus 27:15-25.
  2. Jesus é açoitado e zombado: João 19:1-3.
  3. Apresentam-NO outra vez ao povo: João 19:4-7.
  4. Último empenho de Pilatos para libertá-LO: João 19:8-15.
  5. A injusta sentença de Pilatos: Mateus 27:24-26.

Explicação e ensinamentos:

1. Herodes toma a enviar o Senhor a Pilatos, que novamente O declara inocente perante todo o povo. Mas, para satisfazer o ódio dos judeus, tem a intenção de castigá-LO. Pobre Pilatos, visto não temer a Deus, termina por temer aos homens e querer agradá-los! Se não tememos a Deus, passamos a ser bastante suscetíveis ao que os outros dizem; do contrário, se tememos a Deus, não temos porque temer as idéias dos outros. Como está sendo injusto! É que sua consciência lhe pesa pelas atrocidades cometidas contra os judeus, e receia que seus inimigos usassem a ocasião para acusá-lo perante César. Vale­-se então da astúcia, e para libertar a Jesus coloca-O lado a lado com Barrabás (cujo nome significa: "filho do pai"). Que contraste! O povo pode optar entre o assassino, "o filho do pai", cujo pai é o diabo (Jo 8:41,*44), e Jesus, o príncipe da vida, o Filho eterno do Pai no céu. Contrariando a esperança de Pilatos, o povo, instigado pelos sacerdotes e escribas, escolheu Barrabás. A mensagem de sua mulher, para que não se envolvesse com esse Justo, toca novamente a consciência de Pilatos (Mt 27:19). Por isso pergunta ainda uma outra vez: Qual do dois quereis? O povo rejeita a Jesus e demanda a crucificação dEle. Clama: "Caia sobre nós o Seu sangue, e sobre nossos filhos!"

2. Pilatos tenta valer-se de um recurso para libertar a Jesus: manda açoitá-LO. Era um castigo severo: as costas eram despidas para receber chibatadas com tiras de couro grosso que tinham peças de ferro ou chumbo amarradas nas pontas; tão cruel que muitos morriam em conseqüência. Depois os soldados o retiveram para zombaria, tal como Herodes (Lc 23:11), chacotearam dele como o rei dos judeus: vestiram um manto de púrpura sobre as costas feridas, uma coroa de espinhos na cabeça e um caniço por cetro em Sua mão. Os espinhos simbolizam a maldição que o homem fez cair sobre a terra (Gn 3:17-18). Ele, sobre cuja cabeça Deus um dia porá uma coroa de ouro puro, e perante O qual todos os reis da terra se prostrarão (SI 21:3; SI 72:11), é aqui coroado com espinhos, e recebe zombaria por homenagem.

3. Esperando contar com a compaixão do povo, Pilatos outra vez lhes apresenta Jesus com as palavras: "Eis o homem!" (Jo 19:4-5). Mas isso de nada ajudou, o clamor foi unânime: "Crucifica-O!" Satanás, o príncipe do mundo e das trevas, os impulsionava. Mas, Pilatos não tem porque considerá­-LO culpado; e diz mais uma vez:

"Eu não acho nEle crime algum" (Jo 19:6). Agora os judeus retomam a acusação original: "Ele a Si mesmo se fez Filho de Deus!".

4. Pila tos fica ainda mais atemorizado. Por quê? Considerando a mansa submissão do Senhor, a Sua tolerância, o Seu silêncio, o Seu sofrimento sem queixas, a Sua inocência e também o recado que recebera de sua mulher, que sonhara de Jesus, tudo isso parecia lhe indicar que este homem bem poderia ser o Filho de Deus. Pobre Pilatos, antes fosse sensível à sua consciência desde o início! E quando, depois de abster-Se de responder, Jesus Lhe diz que não teria autoridade sobre Ele se esta de cima não lhe fosse dada, Pilatos busca soltá-LO novamente. Os judeus notam a hesitação dele e apelam para o seu ponto fraco: o temor dos homens (cujo oposto é o temor a Deus); ele teme que o acusem. Amargurado, entrega-O em tom provocante: "Eis aqui o vosso rei!". A resposta dos judeus: "Não temos rei", permaneceu assim até hoje. Embora tivesse por três vezes reiterado que não via culpa em Jesus (Jo 18:38; 19:4,6), condena-O à morte mesmo assim 3. Busca eximir sua responsabilidade, atribuindo-a aos judeus, que replicam: "Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos!". Esta maldição, que até hoje repousa sobre Israel, somente será removida quando o Senhor vier em glória (*SI 51:14).

 

82) A crucificação de Jesus

1. O caminho ao Gólgota: Lucas 23:26-28,31.

2. A crucificação: João 19:19-24 e as sete frases ditas na cruz:

2.1 "Pai, perdoa-lhes ... ": Marcos 15:29-32; *Lucas 23:32-34.

2.2 "Mulher, eis aí o teu filho": João 19:25-27.

2.3 "Hoje estarás comigo...": Lucas 23:39-42.

2.4 "Deus meu ... ": Mateus 27:45-46.

2.5 "Tenho sede!": João 19:28-29.

2.6 "Está consumado!": João 19:30.

2.7 "Pai, nas tuas mãos entrego ... ": Lucas 23:46.

3. Os eventos que seguem: Mateus 27:51-54.

Explicação e ensinamentos:

1. O caminho ao Calvário foi muito penoso para o Senhor: Ele não dormira a noite anterior e provavelmente estava sem comer, fora açoitado' (perdeu sangue e estava fraco) e agora tinha que levar a pesada cruz. Os soldados forçam Simão, um cireneu, a levá-Ia para ele. Algumas mulheres, chorando de compaixão, O acompanhavam também. O Senhor lhes anuncia o juízo, a destruição de Jerusalém e a tribulação vindoura - sendo que o madeiro verde indica para o Senhor (inocente), e a madeira seca para os judeus, um povo sem frutos e sem vida e, portanto, merecedores do juízo. Quando da destruição de Jerusalém foram crucificados dois mil judeus.

(3) Os judeus tinham condenado o Senhor Jesus à morte por suposta blasfêmia (Mt 26:59-66; Lv 24: 16). Como estavam sob o domínio romano, tinham que ter a sua sentença confirmada pelo governador. Esperavam que os romanos acolheriam a pena de morte sugerida se O acusassem de malfeitor (a saber: um agitador e um criminoso civil que tinha a intenção de proclamar-Se rei (Jo 18:30; 1 Pe 2:14). Porém, enganaram-se, e Pilatos não acha nEle culpa alguma. Apelam, então, ao motivo original, a transgressão de seu código religioso (Jo 19: 7). E quando Pilatos fica atemorizado (Jo 19:8,12) e quer Iibertá-LO, mas eles preparam-lhe uma armadilha: ameaçam denunciá-Io a César. Pilatos sucumbe à pressão e entrega Jesus para ser morto na condição de criminoso político - um opositor do imperador.
Se o motivo de sua condenação fosse a blasfêmia, seriam os judeus quem o matariam, e o meio seria o apedrejamento (Lv 24: 16; At 7:58). Mas agora foi executado pelos romanos como "malfeitor", e por isso sofreu a morte de cruz. E o que estava claramente predito na Escritura e tinha que se cumprir! (Dt 21:22-23; Jo 3:14; 12:32-33; 18:32).
Cirene fica ao norte da África (At 2:10). Em Marcos 15:21 são mencionados os filhos de Simão, Alexandre e Rufo, dando a entender que estes, nos dias em que Marcos escreveu o seu evangelho, já eram cristãos conhecidos (Rm 16:13).

2. A pena máxima que os judeus atribuíam aos criminosos era o apedrejamento (Lv 24:16), a dos romanos a crucificação. Era a maneira mais dolorosa e vergonhosa de morrer; tanto que a lei romana até vedava esta morte aos cidadãos romanos livres (os quais eram decapitados). Pois o "Santo", que não conhecia pecado, recebeu um lugar entre dois criminosos (*Is 53:12).

2.1. Dos lábios do Senhor não saem gritos de dor, nem acusações e nem ameaças (*1 Pe 2:23). Não, Ele ora ao Pai que perdoe a transgressão deles (Is 53:12). Ainda mais dolorosas que as dores físicas são as zombarias (Mt 27:39-44; *SI 22:6-8). Dizem: "Confiou em Deus; pois venha Iivrá-lo agora, se de fato lhe quer bem", e outras coisas mais. Mas quão verdadeiro era que: "Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se". Por que não? Você sabe.

Com a inscrição sobre a cruz, Pilatos quis zombar dos judeus, no entanto ela testificava da dignidade do crucificado; Ele, de fato, era o rei dos judeus. E por ter sido escrita nos três idiomas importantes da época (Jo 19:20), foi a vontade de Deus que se anunciasse ao mundo que os judeus ficariam sem um rei desde então (pois não muito depois seriam dispersos pelo mundo inteiro).

2.2. Embora sofrendo, o Senhor se ocupa com os que amava. Que todos os filhos zelem tão fielmente por seus pais como o Senhor por sua mãe (Êx 20:12). Maria, que provavelmente já era uma viúva, foi acolhida desde então na casa de João.

2.3. As palavras do malfeitor são um refrigério para o Senhor. Ele condena seu procedimento de vida (isso é arrependimento) e crê em Jesus. Tudo o que ainda restava ao seu dispor - a boca e o coração - ele deu ao Senhor. Por fé reconhece no crucificado o Rei de Israel, e é salvo à décima primeira hora. Que graça! O Senhor lhe assegura a salvação. Mas cuidado, quem peca na esperança de acertar sua condição na última hora não achará o perdão! (Hb 3:7-8).

2.4. A quarta frase da cruz deixa-nos pressentir os Seus profundos sofrimentos. Os sofrimentos físicos eram intensos; maiores ainda os de Sua alma santa, ferida pelo desprezo e pela zombaria dos líderes (SI 69:19-20); mas a todos excederam aqueles que sofreu da parte de Deus naquelas três horas de trevas (SI 22:1-5; Is 53:10), Foi então que se tomou maldição em nosso lugar (Gl 3:13), foi feito pecado em favor de nós (2 Co 5:21; SI 22:14-15; 42:7), Sobre Ele vieram as trevas, o julgamento; e para nós brilhou a luz da graça. A cruz demonstra que Deus ama o pecador, mas odeia o pecado, Quão terrível será o julgamento para aqueles que não possuem pessoalmente o perdão! (2 Co 5:11,20).

2.5. Terminaram os sofrimentos de Jesus, mas uma Escritura tinha que se cumprir ainda: Salmo 69: 21, Ele desejava conformar-Se à Palavra de Deus e esvaziar o Seu cálice de sofrimento em condição de plena consciência - por isso recusara antes a bebida anestésica. Mas agora, e de acordo com os desígnios de Deus, Ele reclama Sua sede.

2.6. "Está consumado!" O que se consumou? Os sofrimentos, a obra de redenção, Deus fora plenamente glorificado, a culpa expiada (Jo 17:4), O homem não precisa fazer mais nada para sua salvação, o Senhor já fez tudo (*Hb 10:14; *Is 53:4-5; Rm 3:24­-26). Tudo que a pessoa precisa fazer é arrepender-se e crer que Cristo morreu para pagar por seus pecados.

2.7. O Senhor não morreu de exaustão ou fraqueza, porém entregou voluntariamente a Sua vida, entregando ao Pai o Seu espírito (*Jo 10:17-18; *Hb 2:14­15; Cl 1:19-22). Prova disso é o clamor em alta voz (Mt 27:50).

3. Qual o significado dos eventos que se seguiram à morte de Jesus?

O rasgar do véu demonstra que o sacrifício de Cristo abriu­-nos o caminho para a direta presença de Deus, O sangue de Cristo permite ao pecador o acesso a Deus. No Velho Testamento, Deus estava dentro (no Santo dos Santos) e o homem, por ser pecador, fora. Mas o crente pode agora achegar-se a Deus com a consciência purificada, e Deus pode vir ao seu encontro para abençoá-lo; o redimido agora está reconciliado com Deus (Hb 9:6-8; 10:19,22).

O terremoto dá a entender que o Senhor, com base em Sua morte, removerá a velha terra e o mundo, e criará uma nova terra e um novo céu.

Muitos corpos de santos foram ressuscitados, porque a morte de Jesus quebrou as algemas da morte e o poder de Satanás, É­-nos dito somente que eles "apareceram" a muitos, ou seja, receberam o corpo somente para aquele propósito específico (vide Lc 9:30-31).

Terminaram agora o judaísmo e os seus rituais (Hb 9:11-15). O poder da morte e Satanás foram destruídos, e a porta da salvação abriu-se também aos gentios. O centurião, um gentio, reconheceu Jesus como o Filho de Deus (* Jo 10:16; *12:32).

 

83) O sepultamento

  1. O lado de Jesus é aberto: João 19:31-37.
  2. Ele é posto na sepultura: João 19:38-42; Lucas 23:55-56.
  3. O túmulo é selado: Mateus 27:62-66.

Explicação e ensinamentos:

1. Segundo Deuteronômio 21:22-23, não era permitido que os corpos dos crucificados ficassem pendurados durante a noite, além disso, o sábado estava próximo; é por isso que fazem o pedido a Pilatos. Mas era conforme o desígnio de Deus que o Senhor descansasse no sepulcro durante o Sábado, pois a morte de Jesus foi o fim da velha criação (= sistema sabático).

Os ossos eram quebrados aos malfeitores para apressar a morte deles. Mas não podiam quebrá-los ao Senhor: SI 34:20; Êx 12:46. Deus não permitiria alguma mutilação ao corpo de Seu Filho, o Justo; e zela por isso, bem como por sua sepultura (ls 53:9).

Visto que somente podiam ser tirados da cruz corpos já mortos, um soldado fura o lado do Senhor com uma lança; e desempenha o plano de Deus: do lado aberto flui sangue e água. Água, que fala da purificação e da vida (Jo 3:5; *Ef 5:26-27; 1 Pe 1:22-23), e o sangue, da reconciliação (1 Jo 1:7; *CI 1:19-20). Que graça preciosa! Em Cristo o crente recebe vida (1 Jo 4:9) e reconciliação (1 Jo 4:10).

2. Os dois membros do conselho que até então mantinham-se discípulos em secreto, recebem graça da parte de Deus para se manifestarem publicamente, e providenciam uma sepultura em conformidade com a predição da Palavra de Deus (ls 53:9).

A mirra é uma resina aromática da árvore da mirra, o aloés uma madeira perfumada. O embalsamento foi o último gesto de amor pelo Senhor. O túmulo era uma pequena caverna cavada na rocha. A permanência de Jonas no ventre do peixe por três dias fora o tipo dado para o sepultamento do Senhor Jesus (Mt 12:40; Ef 4:10).

Para o túmulo, o Senhor como que levou consigo a culpa e o pecado dos redimidos, sim, pois os crentes foram crucificados juntamente com Cristo segundo o seu velho homem; e a seguir, é como se este tivesse sido posto com Ele na sepultura. Aliás, é isso que proclamamos, simbolica­mente, no batismo (Rm 6:4-6; CI 2:12).

3. Apesar de ser o dia da festa da Páscoa, os sacerdotes e os líderes dirigem-se a Pilatos para requerer a guarda do sepulcro, pois temem a ressureição do Senhor. Deus usou a precaução deles justamente para excluir qualquer dúvida sobre a vitória do Senhor Jesus sobre a morte e sepultura: Realmente, Ele ressuscitou dentre os mortos!

 

Problemas da Juventude, do Casamento e da Família À luz da Bíblia.


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