Revista Leituras Cristãs

Conteúdo cristão para edificação

Referências para o estudo bíblico - Dicas para a escola dominical

Referências para o estudo bíblico

Um auxílio para professores de escola dominical e amigos da Palavra de Deus.

* Sugere-se que os versículos indicados asteriscos (*) sejam memorizados

OS ATOS DOS APÓSTOLOS

PARTE "B": O testemunho em Samaria e entre as nações

93) Filipe prega em Samaria

  1. A perseguição: Atos 8:1-3.
  2. A pregação em Samaria: versículos 4-8.
  3. Simão, o mágico: versículos 9-13.
  4. A imposição das mãos pelos apóstolos: versículos 14-17.
  5. A maldade de Simão: versículos 18-25.

Explicação e ensinamentos:

1. Em conformidade com os pensamentos de Deus, a Palavra da Cruz tinha sido primeiramente anunciada aos judeus (At 13:46; 1:8; *Lc 24:46-47; Rm 1:16). Mas o que eles fizeram? Rejeitaram o testemunho. Deus por isso entregou a vinha a outros; Ele dirigiu-se aos gentios (*Mt 21 :43; Rm 11:11). Israel foi posto de lado. Que exemplo solene! (*Hb 3:7-8; Rm 11:22).

O que o Senhor tinha ordenado aos discípulos na Galiléia? Leia Mateus 28:18-20. Os discípulos tinham cumprido a ordem? A Palavra não menciona nada. Apesar do testemunho ter sido rejeitado em Jerusalém, eles ainda permaneciam ali. Mas qual tinha sido a orientação do Senhor? Leia Mateus 10:14 e Lucas 9:5. Deus agora vale-se da perseguição para encaminhar as suas testemunhas (At 8:1). Dentre os perseguidores havia um destacadamente ferrenho: Saulo de Tarso, que mais tarde veio a ser o apóstolo Paulo.

2. Quem havia enviado Filipe a pregar? Não foi um apóstolo nem uma igreja, mas o próprio Senhor. Assim também com Estevão. Eles eram instrumentos do Espírito Santo, O qual distribui os seus dons a quem deseja {I Co 12:11 - consulte também Efésios 4:11}. Para exercerem o seu ministério não lhes foi necessário fazer primeiro um curso ou ser ordenados por outros homens; aprenderam apenas em comunhão com os crentes {At 13:1-3; Gl 1:1, 2:9}. É segundo este procedimento que o Senhor ainda hoje envia os Seus servos. A Sagrada Escritura não menciona escolas que formam evangelistas, ou sociedades missionárias que empregam evangelistas. Os "dispersos" saiam de Jerusalém e iam por toda parte pregando a palavra, e "a mão do Senhor estava com eles" {At 8:4; 11:19-­20}. Os samaritanos, um povo misto de judeus e gentios {2 Re 17 :24,41}, acolhendo a palavra, fizeram a transição do testemunho judeu para o gentio. E acolhiam a Palavra com alegria {note a diferença entre João 3:11 e 4:39­-42}.

3. Simão, um mágico, tinha laços com demônios. O que Deus havia dito dos mágicos? Leia Deuteronômio 7:11-13. (Note que a Bíblia não nega a atuação deles: Êx 7:11-13). O efeito da pregação de Filipe é que muitos crêem e são batizados. Simão também professa a Cristo, porém seu gesto é apenas exterior - visava obter vantagens (1 Tm6:5; 2 Tm 3:8-9}.

4. Estes samaritanos, apesar de terem crido e serem batizados, ainda não possuíam o Espírito. Como este lhes foi concedido? O procedimento se repete hoje? Então por que foi assim em Samaria? Pois bem, tratava-se de uma exceção. Aconteceu desse modo para que fosse estabelecida a unidade entre os cristãos judeus e samaritanos, entre Jerusalém e Samaria. Não fosse assim a Igreja de Deus facilmente iria se dividir em duas alas. Convém lembrar que entre os judeus e os samaritanos havia uma forte rivalidade {Jo 4:9}. Cada povo tinha o seu lugar de adoração (Moriá e Gerisim, respectivamente - Jo 4:20).

E neste contexto a imposição das mãos denotava uma unificação, uma identificação. Aquilo que o judaísmo, com toda a sua energia, não logrou fazer, foi conseguido em pouco tempo pelo Espírito Santo: o evangelho ganhou Samaria para o Senhor. Como são poderosos a Palavra de Deus e o Espírito! {Ef 2:14­16}.

5. Na pessoa de Simão havia um novo perigo que ameaçava a Igreja. O Espírito Santo manifesta--o como ferramenta de Satanás. Desde então a oferta de dons espirituais em troca de dinheiro é designada por "simonia". O coração de Simão foi ofuscado e endurecido pelo amor ao dinheiro. Que solene exemplo a todos que não têm uma atitude sincera! (*2 Co 4:3-4).

Explicação e ensinamentos:

Filipe recebe a ordem de deixar Samaria, aquele abençoado campo de trabalho, para dirigir­-se a um caminho desert02• Teria sido muito fácil para ele fazer objeções! Mas Filipe é fiel e obediente. "O obedecer é melhor do que o sacrificar" (1 Sm 15:22­23). Todos os servos do Senhor deveriam sujeitar-se assim, de boa vontade, à condução do Senhor. Mas por quê o anjo não anuncia o Evangelho? Anjos não precisam de redenção, e também não provaram uma salvação como as pessoas que se converteram. Portanto, o fato de sermos - ou podermos ser - uma ferramenta de Deus para a salvação de almas é uma graça, pois vivíamos sem Deus e em inimizade!

O tesoureiro, um oficial, era um homem de alta posição ­hoje diríamos um ministro de estado - mas não possuía paz nem esperança neste mundo. De fato, nas coisas terrenas o coração não encontra a paz. Mas onde esse etíope foi buscar a sua paz? No templo em Jerusalém. Porém não é a religião, é somente Jesus que outorga a paz. Muitos anos antes dele a rainha de Sabá tinha vindo a Jerusalém, e ela encontrou aquilo que o seu coração anelava; por que não este tesoureiro? A rainha visitou a Salomão, cuja sabedoria e glória prefiguravam a Cristo. Mas desde então Cristo já tinha vindo, sido rejeitado e por fim crucificado pelos judeus. Deste modo o templo vistoso com os seus sacrifícios e sacerdotes perderam o seu valor. Agora já não passavam de sombras e figuras de algo que já tinha sido realizado pelo Senhor Jesus Cristo.

Deus porém se importou com este tesoureiro que buscava a salvação. Não iria permitir que ele voltasse sem a paz e a salvação que desejava. Lembre-se da longa viagem que ele empreendeu, da leitura da Palavra de Deus que fazia no caminho - é bem provável que ele a tinha adquirido em Jerusalém - e também da humildade deste nobre oficial que deixou-se ensinar por um simples Filipe(*Mt5:6, Pv8:17; *Is55:1}. Quão benditos os resultados de uma sincera leitura da Palavra de Deus! O importante é que ela seja lida, mesmo que não seja de todo compreendida. Deus vem em auxílio e envia alguém que possa explicar a Palavra a esta alma que busca a salvação. O texto de Isaías é uma síntese do evangelho: Cristo sofreu a morte em favor do pecador culpado para que este tivesse a paz (*Is 53:4-8).

1)Na idade média os bispos vendiam "cargos espirituais" em troca de dinheiro.
2)Muitas vezes ã palavra "deserto", na Bíblia, significa um lugar de pouco movimento.

O tesoureiro ouviu, creu e achou a paz (*SI 32: 1-2). Por meio do batismo ele professa a sua fé em Jesus e adentra na "casa cristã". Que mudança operada em tão curto tempo! Não são necessários anos ou meses para a conversão. A Bíblia diz: "Hoje se ouvirdes a sua voz", etc. (Hb 3: 7 -8). O tesoureiro talvez veio a ser a ferramenta para a conversão de muitos de seus patrícios.

Esta história nos permite ver a maravilhosa operação da graça divina em favor de um pessoa. A salvação procede de Deus, Seu amor ocupa-se do etíope e por isso ele é conduzido a Jerusalém.

Anjos e pessoas (Filipe) são destacados em favor dele, para que conheça e compreenda a Cristo. Mas logo são-lhe retirados todos apoios exteriores (Filipe é arrebatado) para que o seu coração se apegue unicamente a Cristo (Mt 17 :8).

 

95) A conversão do apóstolo Paulo

  1. Saulo, um perseguidor da Igreja: Atos 9:1-2. [Atos 22:3-5; 26:9-11].
  2. Sua conversão: Atos 9:3-18. [Atos 22:6-16; 26:12-18].
  3. Seu testemunho de Cristo: Atos 9:19-25.
  4. Barnabé o traz para Jerusalém: Atos 9:26-31.

Explicação e ensinamentos:

1. O que lemos de Saulo quando ocorreu o apedrejamento de Estevão? (Atos 7 :58). Desde então ele foi o mais furioso perseguidor dos discípulos de Jesus, tomou­-se o fanático representante dos maliciosos líderes da nação de Israel, esses que rejeitavam qualquer testemunho da graça e da longanimidade de Deus e encontravam-se, eles mesmos, em rebelião contra Deus. Agora já não lhe bastava Jerusalém, ele queria igualmente visitar com perseguição e morte as cidades estrangeiras. Deus o suportou em grande longanimidade, pois Saulo agia em ignorância (1 Tm 1:12­13), se bem que a morte e as últimas palavras de Estevão com certeza devem ter permanecido como um espinho na consciência dele (At 26:14).

2. No pleno curso da sua obstinação - a vontade própria ainda não quebrantada - o Senhor lhe aparece em glória ordenando-lhe parada. Saulo cai por terra, sua vontade própria é quebrada, o orgulho vencido e o espírito humilhado. Que efeito aterrador as palavras: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues" devem ter produzido. Foi assim que José outrora falou a seus irmãos, que o tinham vendido, quando se deu a conhecer a eles:

"Eu sou José" (Gn 45:3). Cegado pela glória de Cristo (que certamente lhe foi abrandada, pois do contrário ele teria sido aniquilado), ele é conduzido a Damasco. A cegueira em que se encontra agora é um fiel retrato de sua condição até aquele momento. Saulo segue ao Senhor, já não quer mais bater contra

aguilhões (At 26:14) ferindo-se a si mesmo. Deus também lhe dá provas concretas de que estava Se ocupando dele: a cegueira, a visita de Ananias, a quem Saulo já tinha enxergado antes numa visão e que estava a par de tudo que lhe ocorrera. Porém esse Ananias, a quem o Senhor quer enviar, fala da hostilidade de Saulo como se o Senhor não o conhecesse. Mas o Senhor é condescendente, e lida com Ananias como um homem com o seu amigo: não em severidade, mas sim instruindo com graça. Que beleza: o Senhor cita a rua, o hospedeiro de Saulo e o que este está fazendo. Como é onísciente3 e como se ocupa com os homens!

O Senhor havia dito a Ananias:

"Ele está orando!" Será que Saulo nunca havia orado antes? Com certeza havia, mas não do modo agradável a Deus, isto é, sujeito a Deus e sob o nome de Jesus. As orações dos que são justos aos seus próprios olhos não chegam a Deus, mas Ele recebe com prazer a confissão de um pecador culpado. Observe Isaías 6.

O que é dito para Ananias a I respeito de Saulo? Leia At 9:15- I 16. Note que a primeira menção I é das nações, e depois Israel. I Israel estava por ser judicialmente desconsiderado (e Jerusalém foi destruída). Deus não podia mais ocupar-se deles como sendo seu povo.

3) Onisciente:  que sabe tudo.

3. Saulo crê, torna a ver e é batizado. O Senhor o havia humilhado até ao pó e agora lhe concedeu graça e fê-lo apto ao Seu serviço (Is 6:5-8 e * At 26: 15­18). O que Saulo passa a pregar agora? Que Jesus é o Filho de Deus; essa que é a glória pessoal e eterna de Cristo. Vai além de Pedro, que tinha apregoado que o Messias rejeitado foi exaltado por Deus, que "o fez Senhor e Cristo". Saulo é sincero e fiel, e assim já vai logo anunciando o seu Redentor entre os inimigos, ao grupo do qual um pouco antes ainda fazia parte (Mc 5:19-20).

Mas os judeus manifestam oposição e Saulo tem que fugir. Ele passa a sofrer sob a mesma perseguição que ele mesmo promovia antes (At 9:16).

4. Em Jerusalém ainda têm-se medo de Saulo. Mas Barnabé, um homem cheio de amor, interessa-se pelo novo convertido (continuou a fazê-la depois também). As perseguições cessaram com a conversão de Saulo, e houve um período de paz. Mas nem por isso os crentes se tomaram indiferentes em seu proceder, como muitas vezes é o caso quando tudo vai bem, mas viviam no temor do Senhor, e Deus abençoava o testemunho deles aumentando-lhes o número por intermédio da operação do Espírito Santo.

O caminho para Damasco ensinou algumas lições para Paulo:

- (1) Que Israel, especialmente os seus líderes, estava cego e em escancarada oposição contra Deus. Não reconheceram o Messias que veio, mas pelo contrário, odiaram-NO e O mataram. Todo o sistema da religião judaica já não tinha mais valor para Deus, e o juízo pairava sob a nação.

- (2) Que ele próprio tinha, até então, a sua consciência encaminhada no erro. No seu zelo pela lei dos patriarcas, segundo a qual considerava-se justo, ele tinha estado lutando contra Deus.

- (3) Que esse Jesus a Quem ele odiava era o Filho de Deus, agora exaltado sobre todas as coisas à direita da Majestade.

- (4) Que os seguidores da "seita do Nazareno", que ele perseguia, eram na verdade o povo de Deus, formavam até mesmo um só corpo com Cristo, a cabeça glorificada desse corpo: ["Saulo, Saulo, por que me persegues?" Na formulação desta questão já podemos observar a revelação de toda 'a Sua glória e da unidade dos crentes com Cristo, a qual veio a ser mais tarde o conteúdo da sua doutrina acerca do "mistério" (Cristo e a Igreja): *Ef3:8 e *5:30-32].

[] As citações entre colchetes [ ] pressupõem um maior conhecimento bíblico, e podem ser deixadas de lado conforme a idade das crianças.

- (5) As nações, os povos que não eram judeus, deveriam tornar­-se participantes de todas as bênçãos contidas em Cristo (At 26:17-18; Ef 3:1-12). Um novo testemunho havia de começar, e Saulo devia ser o seu suporte e proclamador. Dai em diante o povo de Deus não seria mais Israel, um povo sob as bênçãos de Cristo aqui na terra. O povo de Deus seria constituído dentre todos os povos da terra. Seria um povo abençoado em Cristo e com Cristo, a sua cabeça glorificada no céu. Paulo agora conhecia o Cristo glorificado, foi por meio dEle que tinha se convertido, ele O tinha visto (mas não da mesma forma como os demais apóstolos, que tinham visto a Jesus em sua humilhação), e assim chama o seu evangelho de "o evangelho da glória de Cristo": 2 Co 4:4. Ele não conhecia a Cristo segundo a carne: *2 Co 5: 16. Ele se intitula "testemunha da glória", e o que anelava agora era ser um participante dos sofrimentos de Cristo. É interessante que no caso de Pedra a ordem foi inversa: 1 Pedra 5:1.

Paulo designa-se como sendo o maior pecador e uma evidência da completa longanimidade de Deus (*1 Tm 1:15-16), o menor dos santos e o menor dos apóstolos; que humildade! Foi, porém, um "vaso escolhido" para Deus, e quem mais trabalhou do que todos os apóstolos (*Ef 3:8; *1 Co 15:9-10 e At 9:15). Diz também que foi um "nascido fora do tempo" (prematuramente - 1 Co 15:8), pois converteu-se à maneira. semelhante como no futuro será convertido o remanescente da nação de Israel: este também verá o Senhor e somente então crerá (compare Jo 20:24 e Zc 12:10).

 

96) A ressurreição de Tabita

  1. A cura de Enéias: Atos 9:32-35.
  2. A ressurreição de Tabita: Versículos 36-43.

Explicação e ensinamentos:

1. Em lida (Noroeste de Jerusalém) já há uma Assembléia de cristãos. Os crentes são chamados de "santos", porque estão separados do mundo (Rm 5:8; GI1:4; Ef 2:2 e Cl 2:12).

O nome Enéias significa "louvor". Que belo significado, caso este paralítico, durante os anos de sua enfermidade, não tenha vivido murmurando e lastimando, mas, sim, louvando ao Senhor. E agora, como se manifesta a fé dele? No fato dele seguir a recomendação de Pedro. Compare ainda com os seguintes versículos: Lc 17:14 e *Mt 9:29.

2. Em Jope (junto ao Mar Mediterrâneo - lugar que hoje chama-se Jafa) havia uma fiel discípula cujo nome é Tabita. O Espírito Santo lhe rende um testemunho! (At 9:36). Que bom seria se Ele pudesse fazer isso com todos os santos! É comovente observar como os. crentes locais fazem comunicar a sua aflição até Lida, onde estava Pedro (At 9:38)1 Com certeza não podiam compreender que o Senhor tivesse levado para Si uma discípula tão fiel. Mas, para que serviu a morte dela? Para glorificar o poder de Deus, que se manifestou na ressurreição. E em decorrência disso muitos creram (*Rm 8:28). "Tudo é vosso, seja a vida, seja a morte" (1 Co 3:22). Quão precioso é saber que "Cristo destruiu a morte!" (*2 Tm 1:10). O Senhor teria ressuscitado uma discípula preguiçosa que não produziu frutos? Logo, podemos dizer que vale a pena vivermos em devoção ao Senhor.

 

97) Cornélio

  1. Cornélio, um gentio piedoso: Atos 10:1-8.
  2. A visão de Pedro: Versículos 9-24.
  3. Pedro lhes dirige a Palavra: Versículos 25-43.
  4. O derramamento do Espírito Santo: Versículos 44-48.
  5. A responsabilidade de Pedro: Atos 11:1-18.

Explicação e ensinamentos:

1. Repita o que o Senhor dissera a Pedro em Mateus 16:19. Em que pontos o "Reino dos céus" se distingue da "Igreja" (ou, traduzindo melhor, da "Assembléia") de Deus? Consulte os tópicos número 32 e 44 dessa série de estudos4. Quando Pedro "abriu a porta" para os judeus? Foi no pentecoste. Aqui, com Cornélio, ele está abrindo-a para os gentios, "os que estavam longe" (At 2:39; Ef 2: 13, 17).

4) Para o Tema "A Igreja e o Reino de Deus", consulte também Leituras Cristãs volume 38, n°4, pgs. 167, 175 e contra-capa.

Onde fica Cesaréia? À beira­-mar, ao norte de Jope, distando cerca de um dia de viagem. Apesar de ser um gentio (era romano), o centurião orava ao Deus vivo ­do Qual tomara conhecimento por intermédio dos judeus. O que as Escrituras testemunham deste centurião? Que era piedoso, temente a Deus, dava esmolas ao povo (os judeus) e orava. Que boa reputação, que bonito testemunho não devia ter tido também junto aos amigos e parentes (pois atenderam ao seu convite: At 10:24), junto aos seus servos (aos quais confiava suas confidências: At 10:7-8) e junto aos pobres e sofredores (os quais tantas vezes tinha levado em consideração: At 10:2)! Contudo não era salvo: At 11:14. É sério ponderar esse fato, em especial os que confiam no dizer: "Pratique o bem e não faça mal a ninguém". Cornélio é íntegro e sincero (*5111: 7). Muitas orações não têm sido consideradas por Deus porque não procedem da integridade; as de Cornélio subiram e foram lembradas por Deus: At 10:31. Cornélio também não é indiferente, ele empenha-se por alcançar a paz - ele ora e jejua ­, ele é fiel na aplicação do "alheio" , e Deus agora lhe concede "a verdadeira riqueza" (Lc 16:11­12; 16:14,19-22). Ainda assim tudo é uma operação da graça; é o Pai dando o passo na direção do Filho.

O amor do Pai não podia deixar que esse homem ficasse no escuro. As criaturas do céu (os anjos, At 10:3) e da terra (Pedro) são acionadas para servir aos Seus divinos propósitos. Muitas vezes Deus se vale de ferramentas ou de recursos tidos por inferiores, ou desprezíveis, para, por meio delas, revelar às pessoas se são orgulhosas, ou não, possibilitando que sejam ajudadas dessa forma. Há os casos de Naamã e o banho no rio Jordão,' do cego de nascença e o lodo; e aqui temos o centurião Cornélio, um homem importante, e Pedro, um pescador, hospedado na casa de um curtidor - ofício desprezado naqueles dias.

2. Por que Deus precisa preparar Pedro para a conversão desses gentios? Jesus já não havia ordenado: "Ide por todo o mundo", "fazendo discípulos de todas as nações"? É conveniente lembrar que sempre havia sido ensinado aos judeus que deviam separar-se dos gentios: Êxodo

19:6, Números 23:9; Deuteronômio 7: 1-8 e João 18: 18. Ainda que o Antigo Testamento também já mencionasse que os gentios seriam participantes das bênçãos de Israel (*Is 49:6; 65: 1 e MI 1: 11), era difícil a um judeu identificar-se com as nações que sempre tinham ficado excluídas das alianças de Deus. Mas agora os judeus tinham rejeitado a Cristo e ao testemunho do Espírito Santo (quando da morte de Estevão), e Deus passou a executar os Seus eternos desígnios chamando crentes dentre judeus e gentios, os quais uniu num só corpo, do qual Cristo é a cabeça (Ef 2:14­22).

3. Cornélio honra o enviado de Deus - Pedro - apesar desse ser uma pessoa de origem humilde. Porém vai longe demais. Pedro é humilde e temente a Deus, e, portanto, rejeita a homenagem que somente cabe a Deus. Infelizmente hoje homenagens semelhantes são acatadas por papas e sacerdotes. O centurião remete Pedro para a solenidade da ocasião: ele, o enviado de Deus, era responsável por falar­-Ihes tudo, e eles, os ouvintes, eram responsáveis por ouvir tudo (*versículo 33). E assim que deveria ser sempre Então a benção de Deus também não faltará. Pedro, em sua mensagem, cita somente aquilo que Deus operou por meio do Filho: Deus havia enviado o Filho para anunciar a paz; o Filho apresentou a Deus em bondade e em amor e também no Seu poder sobre o autor de todos os males (Satanás, versículo 38). Contudo os judeus rejeitaram a Jesus; Deus, porém, O exaltou. Se alguém não crê nEle, Ele é o Seu juiz, mas para os crentes Ele é o Salvador (*versículos 42-43).

4. Cornélio e os demais gentios presentes recebem o Espírito Santo sem terem sido antes circuncidados ou batizados. Deus utiliza esta ocasião para render um exemplo do procediIT1ento que propôs para acolher os gentios e como iria ungí-los com o Espírito Santo (*GI3:26; *4:6). (N. do T.: Em suma, que os crentes iriam receber o Espírito Santo no momento em que cressem em Cristo, não sendo necessários outros procedimentos, expe­riências fantásticas ou ter decorrido um certo período de tempo.)

5. É suficiente que este trecho seja apenas lido; não requer demais explicações. Convém enfatizar a prontidão e a humildade de Pedro em prestar contas de sua responsabilidade perante os irmãos e os demais apóstolos; com isso a paz e a unidade é preservada. A pouca humildade e a falta de mansidão têm sido muitas vezes a ca4sa de tristes divisões e separações entre os crentes (Ef 4:1-4).

 

98) A perseguição sob Herodes

  1. Herodes mata Tiago e prende a Pedro: Atos 12:1-5.
  2. Pedro é libertado: Versículos 6-10.
  3. Pedro retira-se de Jerusalém: Versículos 11-17.
  4. A doença e morte de Herodes: Versículos 18-13.

Explicação e ensinamentos:

1. Herodes (Agripa 1), homem ateu, persegue os santos visando o agrado dos judeus. Os judeus o odiavam, mas unem-se agora a ele para agir contra Cristo e seu povo (vocês lembram-se de Herodes Antipas e de Pilatos?). Tiago, o mais velho deles, o irmão de João, era, ao menos naqueles dias, a personalidade mais importante em Jerusalém. A ele é concedido compartilhar da mesma sorte que coube ao seu amado Senhor: o martírio (Mc 10:38­39; *Mt 5:10,12).

2. Os santos intercedem e o prisioneiro Pedro é maravi­lhosamente resgatado para dar continuidade ao testemunho sobre a terra (Lc 21:12; *Sl 34:7). Os santos oram com fervor, mas mal podem acreditar que são atendidos. Quão fraca muitas vezes é a fé! Mas como é bom que Deus é fiel, concede graça e é poderoso em atender às orações (*Pv 18:10; *Mc 11:24).

3. Pedro agora retira-se de Jerusalém. Ele havia se empenhado bastante para ganhar os judeus, mas a rigidez deles ficou patente. O seu procedimento está conforme os pensamentos de Deus: Mt 10:14-15.

4. Herodes, desconcertado pela operação do poder de Deus, ao Qual está se opondo, ordena a execução dos homens da guarda. Certamente cria que tinham sido subornados. Em Cesaréia aceita ser reverenciado como se fosse Deus, e o juízo divino o acomete (Pv 16:5; 29:1; sI5:4). Herodes é uma figura do Anticristo por vir, pois persegue os santos e institui honras divinas para si: também ele será repentinamente executado (Mt 24:15-21; 2 Ts 2:3-8).

 

"Estudos sobre a palavra de Deus” - I Pedro 1


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